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São José do Rio Preto, 6 de Agosto, 2009 - 16:56
Bronzeamento artificial eleva riscos de câncer

Cecília Dionizio

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Uso de cabines de bronzeamento com regularidade eleva risco de câncer de pele
Quem gosta de passar o ano todo bronzeado, e para tanto não pensa duas vezes antes de recorrer às câmaras de bronzeamento, de agora em diante precisa estar atento. A Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (Iarc), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), voltado para pesquisas da área oncológica, elevou o nível de alerta para o bronzeamento artificial. Isto significa que estas cabines já são consideradas potenciais promotoras do câncer, em vez de “prováveis cancerígenas”. Após um estudo realizado por 20 especialistas, a conclusão é de que há de fato risco de que os raios emitidos por elas provoquem câncer. Esse risco é de 75% quando se utilizam as cabines com regularidade, antes dos 30 anos. Ou seja, uma possibilidade tão concreta quanto a do uso do cigarro, compara Vincent Cogliano, um dos pesquisadores da Iarc.

Segundo o dermatologista João Carlos Pereira, da Clínica Derm, de Rio Preto, o problema ocorre porque os raios ultravioletas do tipo A, presentes nas câmeras de bronzeamento, e que também existem no sol da manhã, podem atuar diretamente no DNA das células e alterar o seu código genético, transformando-as em células cancerígenas. “Quanto mais claras as pessoas, menos melanina e maior o risco. A melanina é o pigmento escuro que está em pequena quantidade nas pessoas claras e em grande quantidade nas morenas. Sua função é proteger a pele dos raios ultravioletas, formando um verdadeiro escudo das células cutâneas”, diz. Isto porque ao emitir estes raios a melanina é estimulada para promover a coloração mais escura. E é essa radiação que está relacionada a um maior risco de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Basta que uma das células apresente desordem para que o câncer comece a se desenvolver.

Inúmeros estudos demonstram que o risco entre o bronzeamento artificial e o melanoma ocular é real. Contudo, este é mais extensivo e demonstra que qualquer área do corpo pode ser afetada pelo problema. E embora a Iarc seja apenas a responsável pela publicação dos resultados científicos, a expectativa é que as agências de saúde em todo o mundo possam tomar as medidas judiciais cabíveis para coibir o uso destas máquinas. De acordo com o dermatologista rio-pretense João Carlos Pereira, felizmente Rio Preto, por ser uma cidade quente, não tem muito hábito de uso destas cabines. Contudo, lembra que os raios solares podem provocar o mesmo tipo de dano à pele.

“Os casos de danos solares e de cânceres de pele registrados aqui são provocados pelo sol. O que observamos referente às pessoas que fazem bronzeamento artificial é um envelhecimento mais acelerado com rugas e manchas escuras na pele e, em alguns casos, presença de lesões pré-tumorais”, afirma. O dermatologista francês Georges Reuter, que preside o Sindicato Francês de Dermatologistas, fez uma alerta após a divulgação do estudo, explicando que além do risco de má manutenção dos equipamentos, quem ultrapassa o número de dez sessões anuais está de fato se expondo ao risco de câncer.

Tratamento precoce
A boa notícia é que hoje os tratamentos para combater o câncer de pele estão bem avançados, e uma vez a doença diagnosticada bem no início, há excelentes chances de sucesso. O dermatologista João Carlos Pereira observa que os tratamentos dependem do tipo de câncer de pele que a pessoa apresenta. “A terapia fotodinâmica une o laser de diodo de baixa potência mais o ácido amino-levulínico (ALA), que quando associados promovem uma verdadeira limpeza das células comprometidas, prevenindo um futuro câncer de pele”, diz.

Saiba mais sobre bronzeamento artificial

:: As lâmpadas usadas nas cabines de bronzeamento são capazes de acelerar o envelhecimento da pele. O excesso de radiação, por sua vez, pode danificar o DNA das células. O melanoma surge quando uma dessas células danificadas se prolifera

:: Segundo um estudo da Associação Alemã para a Prevenção Dermatológica, realizado no final de 2008, cerca de 14 milhões de alemães entre 18 e 45 anos fazem bronzeamento artificial e um quarto deste total começou entre 10 e 17 anos

:: Não se pode precisar o desenvolvimento do câncer de pele, pois isso depende de vários fatores: tipo de pele, imunidade do indivíduo, predisposição familiar e condições imprevisíveis que fazem com que uma pessoa possa desenvolver um câncer em maior ou menor tempo ou não desenvolver. Em algumas pessoas bastam poucas exposições para desencadear o problema enquanto outras, após inúmeras exposições, não há qualquer sinal de câncer

:: Quem já tem história de acúmulo de raios ultravioletas sobre a pele ou pele sensível ou branca deve eliminar totalmente as exposições aos raios ultravioletas (bronzeamento artificial), sol e exposição prolongada à lâmpadas fluorescentes e dicróicas

:: Em seguida realizar uma terapia antioxidante para combater os radicais livres oriundos das exposições aos raios ultravioletas. E para finalizar é preciso cuidar da pele danificada com tratamentos preventivos (terapia fotodinâmica, cremes antioxidantes, terapia imunológica...)

Fonte - João Carlos Pereira, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Quanto mais clara e sensível a pele, mais risco
Na entrevista abaixo o dermatologista João Roberto Antonio, presidente da Sociedade Brasileira da Dermatologia e diretor da Clínica Pelle, de Rio Preto, esclarece mais dúvidas sobre o assunto.

Diário - De que forma o bronzeamento artificial pode afetar as células ao ponto de torná-las cancerígenas.
João Roberto Antonio - As cabines de bronzeamento artificial utilizam os raios UVA emitidos pelas lâmpadas que estimulam os melanocitos a produzirem a melanina (pigmento que dá a coloração mais escura da pele),levando ao escurecimento desejado. Justamente essas radiações, quando utilizadas de maneira abusiva e sem controle, são capazes de acelerar o envelhecimento da pele. que é também exposta a um maior risco na formação de câncer. Por outro lado, o excesso de radiação pode danificar o DNA dos melanocitos, que passam a se proliferar induzindo a formação do melanoma, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. É importante ressaltar que em medicina utilizam-se, há várias décadas, tratamentos com raios ultravioletas, associados ou não a medicamentos. Avançou-se muito nessa área, como é o caso dos métodos chamados de quimiofototerapia PUVA, que utilizam basicamente os raios ultravioletas de ondas longas (UVA) para o tratamento de males como vitiligo, psoríase e outros, com resultados muito favoráveis. Óbvio que se seguem critérios precisos de controle rigoroso tanto nas indicações como no acompanhamento do paciente nos consultórios médicos.

Diário - Quanto tempo em média é preciso ter se exposto às cabines de bronzeamento artificial para se preocupar?
João Roberto - Segundo pesquisas atuais, o limite de sessões de bronzeamento pode ser de até dez ao ano. Desse modo, o grande perigo é tentar manter o bronzeado durante todo o ano, cujo efeito cumulativo na pele gera a predisposição ao câncer da pele.

Diário - É possível reverter o dano causado por anos de exposição?
João Roberto - É importante lembrar que o efeito da radiação ultravioleta é cumulativo, ou seja, mesmo depois de parar de se expor as alterações da pele podem se manifestar. Como prevenir: examinando sua pele regularmente e reconhecendo os sinais precoces de tumor, protegendo-se das radiações solares através do uso de roupas e/ou filtros solares adequados e não se esquecendo que a radiação solar é mais intensa entre 10 horas da manhã e 3 horas da tarde. Finalmente, o importante com relação ao câncer da pele é que é possível preveni-lo e curá-lo quando diagnosticado precocemente.

Diário - Qual o risco de quem sempre se bronzeou artificialmente, e agora quer se expor aos raios solares?
João Roberto - Os riscos do banho de sol são os mesmos de uma cabine de bronzeamento. Quanto mais clara e sensível a pele, maior o perigo da exposição aos raios ultravioletas.

Diário - Existe comprovação que cremes bronzeadores também possam provocar o câncer?
João Roberto - Os cremes auto-bronzeadores à base de diidroxiacetona são úteis para as pessoas de pele clara e não representam perigo quanto à formação de câncer de pele. São usados em medicina também em pessoas que têm doenças despigmentantes na pele, tipo vitiligo e outras. O que pode ocasionar em algumas pessoas são reações irritativas ou alérgicas na pele.

 
     
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