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São José do Rio Preto, 10 de Setembro, 2010 - 1:50
Serra diz que Dilma esconde o passado

Alexandre Gama e Jocelito Paganelli

Guilherme Baffi
Serra, Aloysio e Alckmin intercalaram os ataques ao PT com o tradicional pastel do Mercadão em visita a Rio Preto
O candidato a presidente da República pelo PSDB, José Serra, criticou ontem em Rio Preto a decisão da adversária petista Dilma Rousseff de não mais participar de todos os debates eleitorais. Na quarta-feira, Dilma não compareceu a debate promovido pelo jornal “O Estado de S.Paulo” e só deve ir aos encontros promovidos pela TV Globo e Rede Record.

“É porque ela tem dificuldade para explicar o que pensa, dificuldade para explicitar suas posições. Ora fala uma coisa, ora fala outra”, disse Serra, durante entrevista coletiva na frente do Mercado Municipal de Rio Preto, onde comeu frutas e pastel. Depois do Mercadão, Serra foi ao café Conti e depois bebeu chope no Zero Grau. Durante a entrevista, o tucano aproveitou para alfinetar o passado guerrilheiro de Dilma.

“Ela tranca num cofre parte do seu passado”, afirmou ele, numa referência a uma das ações de Dilma no grupo Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), apontado como responsável pelo assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros que continha cerca de US$ 2,8 milhões - dinheiro utilizado para financiar ações guerrilheiras de combate à ditadura militar.

Na cidade, onde esteve acompanhado o tempo todo dos candidatos ao governo, Geraldo Alckmin, e ao Senado, Aloysio Nunes, e do prefeito Valdomiro Lopes (PSB), Serra cobrou a demissão do secretário da Receita Federal, Otacilio Cartaxo, por conta dos sigilos violados de sua família e pessoas ligadas ao PSDB.

“É o mínimo que o governo deveria fazer, para começar. Demitir o secretário da Receita. Fazer uma investigação séria. Mas eles estão protelando, enrolando. Inventam”, afirmou o tucano. Ele comparou o caso da violação do sigilo e as justificativas dadas pelo governo a outros escândalos recentes envolvendo o PT. “Você comete um crime contra alguém, você culpa esse alguém, você debocha desse alguém. A pessoa sofre um crime e passa a ser culpada por esse crime. Essa é a estratégia petista, antiga, já usaram no mensalão, no dossiê dos aloprados, e agora estão usando de novo. E a Dilma se esconde agora na sombra do presidente da República que vem então apresentar esses argumentos. É uma coisa fenomenal”, disse.

O tucano afirmou ainda que “a candidata do partido que está promovendo esses atentados contra a democracia, em vez de vir a público dar explicações, ela terceiriza, ela fica à sombra do presidente da República, do presidente do seu partido, que vêm a público, por uma lado, debochar, debocha das vítimas, por outro, acusam as vítimas.”

O “apadrinhamento” de Dilma pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi criticado por Serra. Para ele, “não vai dar certa” a estratégia de Lula de querer governar ao lado de Dilma. “Presidente da República tem de ser pessoa que a população conheça, porque quando chegar lá vai ter de governar sozinho. Não existe isso que Lula vai governar por ela. Brigariam em uma semana. Isso vale para prefeitura, governo do Estado, de qualquer lugar do Brasil. Tem prefeitos aqui. Pergunte pros prefeitos se é possível você ganhar eleição e o outro governar. Brigam em três dias.”

Cacalos Garrastazu/ObritoNews
Após tarde de campanha, candidatos beberam chope no Zero Grau
Euclides

Antes de falar sobre temas eleitorais, Serra discorreu sobre assuntos administrativos. Disse que na próxima semana deve ser dada ordem para início das obras de duplicação da rodovia Euclides da Cunha (SP-320), promessa que se arrasta há pelo menos dois governos tucanos, e criticou o modelo de rodovias federais. “O PT quer trazer o padrão das estradas BRs para São Paulo. Estradas perigosas, inseguras. Vou fazer o contrário. Levar o padrão das estradas paulistas para todo o Brasil.”

Outra afirmação do tucano é que vai criar “1 milhão de novas vagas em escolas técnicas” e lembrou que onde hoje está o IPA será uma Fatec. “Rio Preto será a única cidade do Brasil com dois campus da Fatec”, disse. Ao final da entrevista, Serra se irritou com a reportagem do Diário que o questionou sobre a ausência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sua campanha. “Você quer ti-ti-ti. Ti-ti-ti não tem esperança. Veja se a Dilma fala com vocês como eu falo?”

Aloysio critica ‘inércia’

O candidato ao Senado Aloysio Nunes (PSDB) também criticou a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas a José Serra e ao partido. “Não se trata de um problema eleitoral, mas de princípio. Amanhã pode ser seu sigilo invadido. Seu sigilo telefônico, bancário. Como o do caseiro Francenildo. Quem se opõe ao governo tem o risco de ter a vida virada pelo avesso por quem está no poder.”

O tucano afirmou ainda que a região está desassistida em relação a serviços federais, que “vão muito mal.” “A BR-153, que corta a região, já está pedagiada há dois anos e até agora não se fez nada. Nem o trevo de Bady Bassitt prometido há tanto tempo eles deram conta de fazer”, afirmou o tucano, que atacou o que chamou de inércia dos senadores paulistas. “A ferrovia, que é federal, a imprensa frequentemente noticia acidentes na travessia da cidade. Acidentes, tráfego interrompido, e até agora não vi nenhum senador de São Paulo ir lá na ANTT para exigir cumprimento dos contratos de concessão.”

Se for eleito, Aloysio disse que uma das “prioridades”do seu mandato será a reforma política. “Outra prioridade do meu mandato será implantação do voto distrital. A nossa região tem identidade política forte. Temos divergência forte entre os candidatos, mas os políticos se unem em defesa da região. Precisamos ter candidatos eleitos pela região e que possam trabalhar exclusivamente pela região.”

Assista aqui na TV Diário a visita de Serra e Alckmin a Rio Preto

 
     
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