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Monitoramento
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São José do Rio Preto, 30 de Janeiro, 2010 - 1:32
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Tecnologia faz multas contra queimadas atingir R$ 1 milhão
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Guilherme Baffi
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Polícia Ambiental da região de Rio Preto recebe dados de monitoramento da queima irregular da cana
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O valor das multas aplicadas por queima irregular da palha da cana-de-açúcar a produtores rurais de Rio Preto e região aumentou 247% no ano passado em relação a 2008. Segundo a Polícia Ambiental, o valor chegou a quase R$ 1 milhão em 2009, contra R$ 288 mil no ano anterior. As queimadas foram feitas em 767 hectares de cana-de-açúcar na região, o equivalente a 929 campos de futebol. Em 2008, a queima envolveu 243 hectares.
De acordo com o capitão Douglas Vieira Machado, comandante da Polícia Ambiental da região de Rio Preto e Catanduva, o resultado deve-se à efetividade do trabalho de fiscalização e à tecnologia. Em 2009, segundo ele, foi possível operacionalizar as informações registradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Em 2008, já tínhamos a informação, mas ainda não contávamos com o laboratório para saber como utilizar a base de dados. A partir do ano passado, conseguimos dar um volume considerável ao trabalho”, diz.
O monitoramento feito pelo Inpe não indica se o foco de incêndio é irregular. Porém, é a partir dessa informação que a Polícia Ambiental inicia a busca por queimadas irregulares, com fiscalizações “in loco”. “Nossos policiais vão até o local e verificam se o proprietário da área possui licença para queimar. Se não apresentar o documento, fazemos a autuação”, diz o tenente Alessandro Daleck Moreira. O capitão Douglas diz também que conta com a ajuda do que ele chama de “tecnologia informal”, aquela que chega através de denúncias. “As pessoas estão mais conscientes e têm ajudado mais no nosso trabalho, indicando possíveis focos proibidos.”
Legislação
Em Rio Preto, Bady Bassit e Cedral, leis municipais não permitem a queimada, nem mesmo durante a noite - horário permitido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Segundo o órgão, com base na legislação desses municípios, a autorização de queimada não é emitida. “Tudo que vem desses três municípios não é autorizado”, afirma o diretor do departamento de Desenvolvimento Sustentável e gerente do projeto Etanol Verde, Ricardo Viegas.
As queimadas liberam grandes quantidades de monóxido de carbono, gás altamente tóxico, e de dióxido de carbono (CO2). Este último causador do efeito estufa - que tem provocado o aumento da temperatura do planeta. Cada hectare queimado dispensa na atmosfera, segundo especialistas, 622 quilos de dióxido de carbono. Ou seja, para os 767 hectares de cana-de-açúcar queimados irregularmente foram emitidos 477 mil quilos de CO2.
“Os gases eliminados pelas queimadas contribuem para a destruição da camada de ozônio na estratosfera, possibilitando que raios ultravioletas atinjam a superfície da Terra, provocando doenças de pele”, diz o professor Elizeu Trabuco, responsável pelo departamento de química e ciências ambientas da Unesp. O presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Álcool e Energia (Biocana), Luciano Sanches Fernandes, representante das usinas do noroeste paulista, foi procurado para falar a respeito do assunto, mas não foi encontrado.
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Divulgação/Polícia Ambiental
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Tatu morto em queimada de canavial: bichos são vítimas
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Fogo, além de poluir, mata animais
As queimadas irregulares causam vários prejuízos ambientais, desde poluição do ar e do solo à preservação do ciclo natural da fauna. Segundo o tenente Alessandro Daleck Moreira, da Polícia Ambiental, apesar de não haver números, a quantidade de animais mortos em áreas rurais é grande. “O fogo tem causado um impacto terrível, destruindo um número incalculável de espécies. Muitos animais morrem ou pelo fogo ou pela elevada temperatura ou, ainda, por asfixia causada pela fumaça”, diz o professor Elizeu Trabuco, da Unesp.
O capitão Douglas Machado afirma que, a cada ocorrência, pelo menos dois animais são encontrados mortos. “As orientações e os direcionamentos das queimadas são justamente para evitar esse problema. É preciso direcionar o fogo para uma área aberta ou de mato, para que os animais tenham possibilidade de fuga. Mas, muitas vezes, isso não acontece.”
As espécies mais prejudicadas são os répteis, os pequenos roedores, tamanduás, gatos do mato, aves e cervídeos. Segundo a veterinária Tatiana Morosini de Andrade Cruvinel, responsável pelo Setor de Atendimento Clínico e Cirúrgico de Animais Selvagens (Saccas) do Hospital Veterinário de Rio Preto, os médicos, muitas vezes, são obrigados a fazer a eutanásia, dependendo da extensão da queimadura.
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