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São José do Rio Preto, 7 de Outubro, 2009 - 15:00
Erradicação e podas drásticas causam 1.188 autuações

Allan de Abreu

Sérgio Menezes
Morador deu formato de pizza a dois oitis


A Prefeitura de Rio Preto aplicou, de janeiro de 2007 até a última semana, 302 multas por erradicação de árvores e outras 886 autuações por poda radical, aquela que dizima mais de um terço da copa da árvore e pode matar a planta. No total, foram 1.188 multas no período. Os número de notificações atuais indicam que a poda drástica tem crescido na cidade: só neste ano foram 315 multas, 15% a mais do que todo o ano passado, quando houve 269 autuações. Mas a estatística real do desmatamento é muito maior, segundo o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra. “Temos apenas dez fiscais para a cidade toda. Muitos casos não são flagrados.”

O Código Florestal prevê pena de detenção de três meses a um ano ou multa para quem matar, lesar ou maltratar, plantas de ornamentação de vias públicas. Mas a multa é irrisória e acaba favorecendo a contravenção penal: R$ 50 para poda drástica e R$ 100 quando há erradicação. “São valores muito baixos”, reconhece o secretário. Segundo ele, a Prefeitura estuda aumentar o valor das autuações. Mas Pauléra diz ter dúvidas se essa medida vai reduzir o desmatamento. “Muitos não agem de má-fé. Podam por ignorância.”

Guilherme Baffi
Na avenida João Batista Vetorazzo, 14 árvores foram dizimadas
Contrassenso



Indiretamente, a Prefeitura beneficia o desmatador ao manter o serviço gratuito de cata-galhos na cidade. São nove caminhões para o serviço, que atendem a uma média de 3.020 chamadas mensais. “Se cobrar, o cidadão reclama, porque fala que já paga imposto. É como a coleta de lixo”, compara Pauléra. Para coibir o dano ambiental, a Prefeitura de Rio Preto tem oferecido cursos gratuitos de jardinagem e treinamento para os cerca de 300 podadores de árvores, mas poucos se interessam, e as podas drásticas perduram. A motossera é só uma das ferramentas dos desmatadores. Há outras estratégias mais simples, como fazer um anel na casca da árvore, o que impede a circulação da seiva e mata a planta, ou aplicar herbicida na base do caule da planta.

“Em um mês a árvore está seca, e é muito difícil provar que ela foi morta por envenenamento, porque os órgãos de fiscalização não fazem análise laboratorial do caule morto. O trabalho hoje é muito rústico”, afirma o agrônomo Raul de Olivari Castro. Comerciantes costumam ser inimigos de árvores, porque a copa atrapalha a visualização do estabelecimento. Há três anos, o dono de um comércio às margens da rodovia Washington Luís (SP-310) arrancou 49 árvores de uma só vez. Mesmo assim, escapou da multa, porque a área pertencia à Triângulo do Sol, concessionária da rodovia. No Centro da cidade, é comum ver trechos longos de ruas com predomínio de lojas sem uma única árvore, caso dos quarteirões da Coronel Spínola de Castro, próximos ao Calçadão.

Poda ornamental

Embora não seja alvo de multa pela Prefeitura, a poda ornamental é criticada pelos especialistas. “Esse corte pode retardar o crescimento da planta, e os galhos quebrados possibilitam o surgimento de fungos que atacam a planta”, diz o especialista em arborização da Unesp Marcelo Vieira Ferraz. O bairro Alto Rio Preto é um dos campeões de poda ornamental, e o oiti é a principal vítima da prática. Moradores transformam a copa em esferas ou cubos. Há casos mais criativos, como o de um morador da rua Pascoal Bevilacqua, que transformou dois oitis em “pizzas”. Na residência, a reportagem foi informada por um empregado na última quarta-feira de que os donos da casa não estavam.

Sérgio Menezes
Especialista Roberto de Carvalho Júnior aponta poda em V feita pela CPFL
Corte em ‘V’ da CPFL destrói



A cena é muito comum em Rio Preto: árvores depenadas debaixo de fios elétricos. Por mês, a CPFL, concessionária da distribuição de energia na cidade, faz uma média de 150 podas. No mês de agosto, porém, os cortes atingiram 3 mil árvores. As concessionárias têm respaldo legal para podar os galhos sob a fiação e evitar a quebra dos cabos. Mas a técnica de poda em V, empregada pela CPFL, acaba com a estética da árvore, na opinião do engenheiro e especialista em gestão ambiental Roberto de Carvalho Júnior. “Quando os fios estão compactos, a poda deve ser em formato de túnel, preservando o formato original da copa e a estética da árvore. A poda em V prejudica muito o desenvolvimento da planta”, diz.

A poda em túnel, ou compacta, é aplicada pelas concessionária Copel em Maringá e Curitiba, e pela Cemig em Belo Horizonte. “Direcionamos o crescimento da árvore para cima da rede até formar um túnel pelo meio da copa. Esse é o padrão da empresa”, diz o analista de meio ambiente da Cemig, Pedro Mendes. Em Maringá, a poda em túnel foi determinada pela prefeitura local, conforme a assessoria do Executivo. “O objetivo era evitar a poda drástica das árvores, em V, que compromete o equilíbrio da planta”, diz o assessor Marcos Aurélio Zanatta. A técnica, segundo ele, é favorecida pela rede de energia elétrica da cidade, que é compacta, com poucos fios. O engenheiro da CPFL Altino Zacarin diz que a poda em V é norma na empresa, e que a técnica é aprovada por engenheiros agrônomos. “Tentamos sempre cortar a menor quantidade possível de galhos”, afirma.



Fonte: Diario da Região
 
     
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