|
|
|
|
|
›
Mundo animal
|
|
São José do Rio Preto, 11 de Julho, 2010 - 1:48
|
|
Animais do Bosque de Rio Preto são temperamentais
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Guilherme Baffi
|
|
|
Pedro Paulo diz que as aves ficam ‘alegres’ quando ele chega com a comida
|
A cena se repete todas as manhãs: o macaco-prego Chicão, líder do grupo que vive no Bosque Municipal de Rio Preto, atrasa o trabalho dos tratadores Hélcio Luis Belisário, 21 anos, e Robson Semeoni, 27. Com a vassoura e o rastelo, eles amontoam as folhas e restos de alimento que ficaram acumulados no recinto desde o dia anterior. Mas basta pegarem a pá de lixo para Chicão iniciar as suas peripécias.
“Ele é um comilão. Quando vê que estamos juntando tudo, ele revira o lixo em busca de mais comida”, diz Belisário, que trabalha no Bosque como tratador de animais há dois anos. Responsável por alimentar e limpar o setor dos macacos e dos gatos selvagens, ele encara o comportamento de Chicão como diversão.
“Os macacos são ativos, especialmente o prego. É o jeito deles de brincar.” Funcionário do Bosque há um mês, Semeoni ainda se acostuma com o temperamento dos bichos. “Logo nos primeiros dias, o Chicão pegou um pedaço de fita que tinha no chão e me acertou. Encarei a brincadeira numa boa.”
Histórias como a de Belisário e Semeoni fazem parte da rotina dos tratadores de animais do Bosque. Oito funcionários são os responsáveis por alimentar e manter limpos os recintos que abrigam 500 animais. O trabalho não é fácil.
|
Guilherme Baffi
|
|
|
Paulo Rodrigues serve refeição de 25 quilos de capim para o hipopótamo
|
Cada bicho tem um temperamento diferente, mesmo dentro da mesma espécie.
A leoa Sabrina, por exemplo, é mais mansa que o macho Sultão. Funcionário do Bosque há quatro anos, José Jesus dos Santos, 50 anos, levou um tempo para se acostumar com os rugidos dos felinos. “No começo eu assustava. Agora já acostumei.” Santos é apaixonado pelos felinos. Fala de cada um deles com carinho de pai. O mais bravo é o tigre Danjo. “Ele não gosta dos tratadores porque invadimos o território dele.”
Para limpar e alimentar as feras, é preciso ter cuidado. No fundo de cada jaula, há um compartimento separado e seguro para prendê-los, chamado cambiamento. Quando fechados, o tratador entra no recinto, faz a limpeza e deixa o alimento. Atrair os bichos para o cambiamento, porém, não é tarefa fácil. “Para o tigre entrar, é preciso jogar pelo menos um pacote de pescoço de frango”, afirma Santos. No caso dos pumas, basta jogar um pouco de capim.
Alguns animais, no entanto, já aprenderam o truque. A macaca-aranha Tambinha sabe que se for buscar sua refeição no fundo da jaula pode acabar presa por alguns minutos. “Antes de entrar no cambiamento para comer, ela fica procurando a gente. Ela só entra quando tem certeza de que não tem ninguém”, diz Belisário. Como é mansa, os tratadores podem fazer a limpeza da jaula com ela dentro. Mas o companheiro dela, Simão, precisa ser preso. “Ele é muito ciumento.”
|
Guilherme Baffi
|
|
|
José de Jesus Santos brinca com os leões
|
Surpresa
Pesando quatro toneladas, o casal de hipopótamos é de responsabilidade de Paulo Rodrigues de Oliveira, 56 anos. Pela manhã, ele alimenta os bichos com 25 quilos de capim cada um. À tarde, ele leva a mesma quantidade de abóbora, pepino e cenoura. Em quatro anos de trabalho, ele nunca vai se esquecer do dia em que viu o filhote do casal pela primeira vez, em março deste ano. “Cheguei para alimentá-los e vi o filhote na água, com a mãe. O pai estava comendo a placenta. Fiquei desesperado, porque corria o risco de ele matar o filhote em seguida.” Só no Bosque de Rio Preto, três filhotes de hipopótamos foram mortos após o nascimento.
Os que permitem mais aproximação dos tratadores são as aves. As mais carinhosas são os papagaios. “A gente entra no recinto com as frutas e eles ficam alegres. Pousam no nosso ombro para comer e brincar”, diz Pedro Paulo dos Santos Maldonado, 49 anos. O carinho deixa os tratadores satisfeitos. “É um trabalho prazeroso”, afirma Pedro Matos, 49 anos. Os tucanos são os mais comilões. No recinto com seis exemplares, os tratadores deixam três quilos de frutas (banana, mamão e pepino) picados, em duas bandejas.
|
Guilherme Baffi
|
|
|
Fabíola Alessandra dá mamadeira para veado
|
Clínica atende animais apreendidos
Animais apreendidos pela Polícia Ambiental na região de Rio Preto são levados para a clínica do Bosque. No local, recebem tratamento especializado para ser reintegrados à natureza ou levados para o recinto de exposição. Atualmente, a clínica abriga filhotes de onça parda, lobo-guará, veado, tucano, tamanduá e uma capivara. A maioria é vítima de contrabando ou queimadas. Chegam maltratados e debilitados.
Durante os cuidados, a equipe de veterinários e estudantes de biologia se apega aos animais como se fossem de estimação. A estagiária Tássia Tamoda Dourado, 21 anos, desenvolveu técnica especial para amamentar um filhote de tamanduá-bandeira, de 3 meses, encontrado pela Polícia sem a mãe. “Ele não tem dentes, mas pode machucar com as unhas. É preciso oferecer a mamadeira aos poucos.”
Entre os filhotes de veado, a mamadeira é disputada. “Estamos tentanto desmamar os maiores”, afirma Fabíola Alessandra Rahim, 36 anos. Ela é uma das únicas pessoas que alimentam a filhote de onça parda. “Ela é mansa, mas às vezes estranha as pessoas.” Há apenas uma semana na equipe, o estudante de biologia Márcio Renan Batista, 19 anos, já se familiarizou com os filhotes. “É bom estar em contato com eles.”
O único membro da equipe que inspira “medo” em alguns animais é o veterinário responsável pelo Bosque, Bernhard Von Shimonsky. A macaca Chiquinha, que vive em uma área da clínica, se esconde sempre que ele se aproxima. “Na maioria das vezes em que entro nos recintos, é para medicar os animais, dar injeções. Por isso eles fogem de mim.”
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
|
|
|
|
|
|
|
OPINE SOBRE ESTA MATÉRIA
|
|
|
|
Não sou cadastrado |
Clique aqui
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
COMENTÁRIOS
|
|
|
|
|
|
Nenhum comentário cadastrado.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ENVIE PARA UM AMIGO
|
|
|
|
|
|
|
|
|