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São José do Rio Preto, 8 de Julho, 2010 - 8:00
Em uma semana, queimadas geraram R$ 1,1 mi em multas

Michelle Berti

Rubens Cardia
Desde o início deste mês, fogo consumiu cerca de mil hectares de área em 13 cidades da região, e rendeu 20 boletins de ocorrência
Em uma semana, a Polícia Ambiental de Rio Preto aplicou R$ 1,1 milhão em multas em decorrência das queimadas de cana, pastagens e mata nativa. Desde o dia 1º de julho, o fogo consumiu cerca de mil hectares de área em 13 cidades da região, o que corresponde a 1.161 campos de futebol como o Teixeirão. Os números, porém, podem ser ainda maiores. A Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) apura outras três ocorrências de fogo, mas ainda não processou os dados ou elaborou as multas.

Para o gerente da Cetesb, José Benites de Oliveira, o tempo seco favorece as queimadas. “O fogo se alastra muito rápido, pois as áreas de pastagens e os canaviais estão secos. Qualquer foco de incêndio pequeno pode se alastrar rapidamente”, diz. Em Rio Preto, a média da umidade relativa do ar registrada na primeira semana de julho ficou em 29%, o que é considerado baixo.

Além de facilitar as queimadas, a falta de vapor d’água na atmosfera prejudicou a qualidade do ar (veja ao lado). Por causa da baixa umidade, as queimadas estão proibidas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente entre as 6h e 20h, até novembro. A proibição pode se estender no período da noite se a umidade estiver abaixo de 20%.

Queimadas

No domingo, a Polícia registrou o maior incêndio do ano, em Uchoa. Foram destruídos 427 hectares de cana e 37 hectares de mata nativa. Isso representa 562 campos de futebol como o Teixeirão. O fogo começou no início da tarde, e as causas ainda estão sendo apuradas pelos policiais.

Em Ibiporanga, distrito de Tanabi, outra grande área foi destruída na tarde de anteontem. Cerca de 300 hectares de cana-de-açúcar foram queimados, o que equivale a 363 campos de futebol. Segundo o tenente Luis Antônio Vaserino, o fogo teria começado por volta das 14h de terça-feira, em um canavial. “A cana estava no ponto para a corte, e por isso colocam fogo. Provavelmente, as chamas se descontrolaram por causa do vento forte.”

O tenente afirma que os policiais ainda estão apurando como e onde o fogo começou. No entanto, independente da identificação do responsável, todos os proprietários das áreas atingidas serão autuados. Além da multa, o proprietário responde por crime ambiental na Justiça.

Cana

De acordo com o levantamento da Polícia, 75% de toda área queimada na primeira semana de julho foi em plantações de cana (866 hectares). No período, foram atingidas áreas das usinas Guarani, Colombo e Cerradinho, além de proprietários particulares que arrendam as terras para as empresas. Os outros 25% dividem-se entre pastagens e vegetação nativa.

A Polícia fiscalizou, ainda, 175 hectares de área queimada que não renderam autuação porque estavam dentro do horário permitido ou porque o proprietário da área não foi identificado. As queimadas geraram 20 boletins de ocorrência e 19 autos de infração. De acordo com o tenente, a autuação é encaminhada ao Ministério Público, que comanda a investigação e determina a execução das multas, caso ele seja condenado. O dinheiro pago pelos infratores fica com o Estado.

Outro lado

A usina Cerradinho informou que foram queimados 27 hectares de sua propriedade em Uchoa. A empresa afirma que o fogo não originou em sua área, e que mantém uma brigada de incêndio preparada para conter focos de queimada. A usina Guarani afirmou que aguarda a apuração dos fatos e notificação de órgãos competentes para tomar as medidas cabíveis. A usina Colombo não quis se manifestou sobre o assunto.

Umidade do ar fica em 25%

A umidade relativa do ar em Rio Preto ficou em 25% na tarde de ontem. O índice coloca a cidade em estado de atenção, segundo classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Na primeira semana de julho, a média registrada no município foi de 29%, de acordo com medição da Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb). A umidade ideal é acima de 55%.

A pouca quantidade de água na atmosfera derrubou a qualidade do ar na cidade, passando de boa para regular. Segundo o gerente da Cetesb, José Benites de Oliveira, a falta de chuvas faz com que resíduos de poeira, queimadas e gases emitidos pelos veículos ficam acumulados no ar. “A chuva lava essa sujeira, e com isso a qualidade do ar fica boa. Em Rio Preto, a qualidade é boa na maioria do ano. Mas temos picos de seca, como agora.”

O risco, segundo Oliveira, é para crianças e idosos, que são mais suscetíveis a doenças respiratórias. A pequena quantidade de vapor no ar provoca a desidratação das mucosas nasais e da faringe. Ressecadas, elas trincam mais facilmente, o que facilita a entrada de bactérias, vírus e fungos.


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