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Excesso de animais
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São José do Rio Preto, 9 de Junho, 2010 - 1:50
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MP investiga superpopulação de capivaras na Represa
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Sérgio Menezes
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Em dois anos, a população de capivaras nas margens da Represa saltou de 90 para 150 animais
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A superpopulação de capivaras na Represa Municipal em Rio Preto virou alvo de investigação do Ministério Público. O promotor do Meio Ambiente, Sérgio Clementino, solicitou à Prefeitura um estudo técnico sobre os animais para buscar um saída para o problema. Em dois anos, a população de capivaras nas margens da Represa aumentou 66%. Eram 90 animais em 2008, que agora somam cerca de 150, estima a Secretaria de Meio Ambiente do município. O problema é o que fazer com as capivaras, que não podem ser mortas nem transportadas para outro habitat. “Não sabemos o que fazer com os bichos”, diz o gerente operacional da Represa, Caio Urbinati, que anteontem se reuniu com o promotor.
Clementino pediu um levantamento detalhado da população de capivaras no espelho um da Represa, incluindo número de machos e fêmeas, taxa de fecundidade e quantidade de grupos dos animais, além de verificar a presença do carrapato-estrela nos pelos das capivaras, que transmitem a febre maculosa, doença que pode matar. “A situação é preocupante porque envolve riscos à saúde pública”, afirma Clementino.
Além disso, devido à falta de alimento, principalmente no inverno, quando a grama seca naturalmente, as capivaras começaram a migrar para os espelhos dois e três da Represa, passando pela rodovia BR-153. Um risco para os animais e o trânsito - maior roedor do mundo, uma capivara adulta pode chegar a 100 quilos. No feriadão de Corpus Christi, três animais morreram atropelados, dois na BR-153 e um na linha férrea, vizinha à Represa.
“Os animais estão espremidos no espelho um, e acabam saindo em busca de alimentos, já que a grama está baixa nas margens”, diz o zoólogo da Unirp Fabiano Tadei, autor de estudo sobre as capivaras no local. Urbinati chegou a pensar em alimentar as capivaras com ração para suínos distribuída em cochos, durante o inverno. Mas foi desaconselhado por veterinários. “Elas poderiam se acostumar com a ração e abandonar a grama.” Além do risco de atropelamento e transmissão de doenças, as capivaras podem atacar caso alguém se aproxime muito dos seus filhotes.
De acordo com o zoólogo Dino Vizotto, a mordida do animal pode decepar a mão de um adulto. “A pressão da mandíbula é muito forte”, explica. “É um risco grande para quem vai à Represa, principalmente as crianças.” Amanhã, Tadei e Urbinati se reúnem para iniciar o estudo solicitado pelo Ministério Público. Não há prazo para a conclusão da pesquisa. No último levantamento, o zoólogo da Unirp constatou 90 animais na Represa, divididos em dois grupos bem definidos.
Sem saída
O diagnóstico da situação das capivaras é relativamente simples. “Atualmente cada macho tem 16 fêmeas. O ideal era baixar esse número para cinco”, diz Vizotto. Difícil é encontrar uma solução para o imbróglio. O extermínio de parte da população é crime ambiental, e não está nos planos da Prefeitura. Vizotto sugere transferir parte das capivaras para habitats semelhantes, como as margens dos rios Turvo ou Grande.
No entanto, segundo Tadei, o Ibama proíbe o deslocamento de animais silvestres devido a possíveis interferências no ecossistema. A transferência para parques e zoológicos também é vista com ceticismo pelos especialistas. “Nenhum desses locais quer mais capivaras, porque todos já contam com os seus exemplares”, afirma Vizotto. Com o estudo em mãos, o promotor vai levar o caso à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Plano é fazer paisagismo
O gerente operacional da Represa Municipal, Caio Urbinati, quer transformar as margens do espelho um em uma réplica do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. “Nesta semana me reúno com um botânico para discutirmos as espécies de árvores e plantas mais indicadas para o local”, diz. O plano, segundo ele, é fazer o paisagismo com custo zero para a Prefeitura. “Penso em fazer um concurso entre os viveiros particulares com canteiros de 50 metros quadrados cada. Além disso, entidades como o Lions Clube já se mostraram dispostas a colaborar com o projeto.”
Urbinati também pretende fazer mudanças nos 20 permissionários das barracas às margens da Represa. “Muitos abrem as portas quando querem e vendem o que querem. Não pode ser assim, precisa de mais organização”, critica. Ele solicitou à Vigilância Sanitária que intensifique a fiscalização nas barracas. Enquanto isso, estuda substituir parte dos atuais permissionários, “com o devido pagamento de indenizações” por redes do ramo de alimentação, como o Pé de Açaí e o McDonald’s. “Recentemente, conversei com o gerente desses dois locais. Precisamos oferecer a quem frequenta a Represa opções de qualidade”, alega.
Monitores
Outro projeto é disponibilizar monitores de atividades físicas na Represa em dois horários, das 6h às 8h e das 17h às 19h. “Já enviei ofício à Secretaria Municipal de Esportes solicitando monitores. As pessoas precisam fazer alongamentos e exercícios físicos com acompanhamento.”
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COMENTÁRIOS
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sergio ney bergantini filho
postado em
10/06/2010
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Porque não levam um pouco dessas capivaras para a represa do IPA ou até mesmo para o Bosque Municipal?
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Jorge Gerônimo Hipólito
postado em
09/06/2010
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O desenvolvimento das cidades ocorre às avessas em face da má qualidade da educação que se dispôs ao longo dos tempos, principalmente, quando se trata da educação ambiental. Tempos atrás, vocês se lembram que a imprensa focava o excesso da população de pombos e alertava sobre os riscos a saúde. Mais adiante, noticiava a morte de dezenas de macacos, esses encontrados pela cidade afora. As capivaras também já foram noticiadas com um risco a saúde humana por conta febre maculosa, essa transmitida pelos carrapatos que se hospedam nelas. As capivaras, macacos e pombos não têm culpa de nada, haja vista, que o homem foi quem destruiu o habitat deles. Por isso, eu complemento a sugestão do professor VIzotto de que os animais devem ser transferidos para locais apropriados. Muitas pessoas consideram a represa municipal como sendo um cartão de visita de São José do Rio Preto. Eu também considero, porém, nesse cartão fica demonstrada a nossa falta de educação, bem como de amor aos recursos hídricos, fauna, flora e a nós mesmos, pois se não protegemos esses fatores significa que não nos protegemos. A urbanização incorreta transformou a represa municipal num grande caixa d’água e assim, ela deve ser tratada. O paisagismo proposto contribuirá ainda mais para a agressão dessa caixa d’água, pois, a intervenção humana aumenta o assoreamento e reduz o volume de água. Em tempo: o Jardim Botânico no Rio de Janeiro tem área de 54 hectares e abriga em torno de 6.500 árvores e se constitui numa Reserva da Biosfera, ou seja, muito distante da represa municipal que abriga uma passarela fincada no leito assoreado. Concluindo, as capivaras se constituem nos primeiros refugiados ambientais da nossa região.
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