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São José do Rio Preto, 8 de Janeiro, 2012 - 1:50
"Radar policial" flagra 40 crimes na região

Raul Marques

Hamilton Pavam
Equipamento está instalado no km 443 da rodovia Washington Luís, em Rio Preto
O sargento Paulo Afonso Ingá, 49 anos, teve uma surpresa desagradável ao deixar a casa da filha, no bairro Boa Vista. A sua Parati, ano 94, havia sido furtada. Ele acionou os colegas da Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência. Doze horas após constatar o furto, teve uma feliz surpresa: o carro foi recuperado pela Polícia Rodoviária Estadual graças ao radar “dedo-duro” localizado no quilômetro 443 da rodovia Washington Luís, em Rio Preto. O aparelho acusou o crime.

O caso não foi exceção no primeiro ano de funcionamento do equipamento, completado em dezembro de 2011. O radar-policial foi responsável por ajudar na recuperação de mais 39 veículos, com débitos judiciais ou criminais, entre os quais acusação de furto, roubo ou estelionato. Pelo menos 40 pessoas, que conduziam os carros, foram detidas e conduzidas para a delegacia. Não há o número de prisões.

No mesmo período, o radar instalado no km 410 da rodovia Brigadeiro Faria Lima, em Barretos, flagrou dois carros em situação criminal. Já o aparelho que fica no km 385 da Washington Luís, em Catanduva, foi responsável pela parada de dez motoristas cujos veículos apresentavam reclamações de furto ou roubo. Todos os condutores foram liberados. Os casos estavam solucionados, mas as queixas continuavam no sistema.

Ingá ficou satisfeito em recuperar o carro, furtado em 28 de dezembro. “Graças a Deus o radar ajudou. Tudo aconteceu rápido. Por sorte, a Parati voltou inteira. Só estava com bastante lama.” O pedreiro João Lucas da Cruz, 19 anos, flagrado na direção do carro, foi preso em flagrante. Uma mulher e dois menores, que estavam na companhia de Cruz, foram ouvidos e liberados.

Na última sexta-feira, o químico Hermes Luís Olidório, 36 anos, foi parado na base da polícia rodoviária, em Rio Preto, por influência do radar. O seu veículo, um Vectra 2008 comprado há um mês, apresentou queixa de estelionato. Ele mora em Santa Fé do Sul e seguia para Rio Claro com objetivo de participar do velório de uma prima. Acabou obrigado a prestar esclarecimentos na delegacia. “Só não fiquei preso porque comprovei que Rsou uma pessoa idônea, com endereço fixo e emprego.”

Olidório comprou o Vectra em uma garagem de Santa Fé. Pagou R$ 35 mil. Diogo Bernal, que fez a venda, disse que o veículo foi adquirido de uma empresa da Capital, contratada por bancos para fazer busca e apreensão de bens por falta de pagamento. “Foi um mal-entendido.” O químico afirma que não sabe ainda de quem foi o erro, mas vai buscar reparação moral na Justiça.

O capitão Fabiano Ferreira do Nascimento, comandante da 3ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, afirma que o radar dedo-duro otimizou o trabalho policial e trouxe maior eficiência à fiscalização. “Permite abordagem direcionada, identifica rapidamente veículos com pendências ou restrições administrativas ou judiciais e amplia a capacidade da fiscalização.”

O sargento Rinaldo Frabi, de Barretos, acrescenta que o aviso de irregularidade fornecido pelo equipamento é o pontapé inicial da ação policial. “Também observamos documentação do condutor, se existem outras pendências e as condições do veículo.” Para o delegado-seccional de Rio Preto, Joseli Donizete Curti, o radar dedo-duro é arma importante para o ofício policial. “Nos ajuda a identificar crimes rapidamente. É um avanço para o trabalho. O policial age com informação certa. E isso faz toda a diferença.”

Embriaguez aumenta 63%

A Lei Seca, criada em 2008 para coibir a violência no trânsito, não assusta o motorista que trafega nas rodovias estaduais do Noroeste paulista. O número de pessoas flagradas dirigindo embriagadas aumentou 63%. Os flagrantes saltaram de 669 (2010) para 1.087 (ano passado). A região de Rio Preto, com 1,5 mil quilômetros de estradas, contabilizou no ano passado 694 motoristas alcoolizados - contra 572 de 2010. Na área de Catanduva, subiu de 64 para 216 no período. Já em Barretos, de 63 para 177.

A maioria dos motoristas apresentou embriaguez superior a 0,30 miligramas de álcool por litro de sangue. Foram multados em R$ 955, tiveram o carro retido e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por uma ano e respondem a processo na Justiça. Em caso de condenação, podem pegar de a seis meses a três anos de cadeia. Quando a concentração de álcool é inferior à 0,30 miligramas, o motorista recebe somente as punições administrativas.

Para evitar a irregularidade, o capitão Fabiano Ferreira do Nascimento, comandante da 3ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, diz que são realizadas operações e ações contumazes nos dias, locais e horários com maior incidência e probabilidade de passagem de motoristas embriagados. As Polícias Rodoviárias de Rio Preto, Votuporanga, Fernandópolis, Jales, General Salgado e Sud Menucci estão testando, neste mês, o chamado bafômetro passivo. Ele ajuda o policial a saber se o motorista está alcoolizado, mesmo sem o condutor soprá-lo.

Durante a abordagem, detecta o nível de álcool presente na corrente sanguínea do motorista. Para fazer a aferição, basta que o aparelho seja aproximado da boca do suspeito enquanto fala. O aparelho possui um sensor que capta o nível de alcoolemia através do hálito. Segundo Nascimento, a polícia indica que o motorista não conduza o veículo após ingerir bebida alcóolica, independentemente da quantidade e teor. “É necessário providenciar que outra pessoa habilitada, que não tenha bebido, dirija. Ou descansar até restabelecer as condições para dirigir de forma segura. Outra dica é usar táxi ou ônibus.”

Hamilton Pavam
Ângelo Presotto gastou R$ 379 para tirar o veículo do pátio
Aparelho causa apreensão de 3 mil veículos

Os três radares “dedo-duro” instalados no Noroeste paulista foram responsáveis pela apreensão de 3.099 veículos no primeiro ano de funcionamento. A quantidade é similar à frota de um município do porte de Jaci. Além da despesa com guincho e pátio, os motoristas receberam juntos 8.958 multas, a maioria por falta de pagamento de licenciamento. É o principal motivo de retenção.

O equipamento instalado no quilômetro 443 da rodovia Washington Luís, em Rio Preto, é o dedo-duro campeão na região. O aparelho sozinho foi responsável por 56% (1.755) das apreensões de veículo. E também foi o que mais registrou multas - 3.702. Assim como as queixas de crime - 39. O equipamento está instalado na pista que liga Mirassol a Rio Preto, a 800 metros da base.

O radar de Catanduva, no km 385 da Washington Luís, causou a retenção de 692 carros e motos. Já em Barretos, foram 652 ocorrências assim, registradas no km 410 da Faria Lima. O radar catanduvense fez 3.263 multas, enquanto que o barretense 1.993. Para o capitão Fabiano Ferreira do Nascimento, comandante da 3ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, não existe uma explicação sobre o motivo do radar rio-pretense liderar o flagrante de infrações, mas dá uma pista. “O fluxo de veículo registrado entre Mirassol e Rio Preto é consideravelmente elevado.”

O cabeleireiro Ângelo Presotto, 35 anos, de Nipoã, foi flagrado pelo equipamento de Rio Preto na última quinta-feira, pelo principal motivo de retenção do veículo: atraso no pagamento do licenciamento. “Sempre deixava para quitar depois. Saí de casa às 23h30. Pensei que não teria problema.” Ele desembolsou R$ 1,7 mil para pagar o licenciamento e IPVA vencidos, duas multas e R$ 379,42 de taxa do pátio, que considerou abusiva. “Meu carro (Uno) ficou 12h apreendido. É muito caro. Os outros débitos estão certos.”

No pátio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a estadia de um veículo automotor custa R$ 41,30. O motorista ainda gasta R$ 126,12 de taxa de resgate e paga R$ 4,24 por quilômetro rodado. Ao todo, 25 km separam a base da Polícia Rodoviária Estadual de Rio Preto do pátio, instalado na BR-153. “É uma forma de ganhar dinheiro. Acredito que nenhum motorista deixaria para de pagar o imposto se tivesse o dinheiro na mão. O pior é que a gente não vê benfeitoria”, afirma o representante comercial Gerson da Silva, 37 anos. Ele viaja por toda a região.

Já o encarregado Benício Honório, 60 anos, é de Santo André e afirma que no Interior paulista tem muita fiscalização eletrônica, principalmente no Noroeste paulista. “Esse radar moderno é ainda mais perigoso para quem dirige. Por um lado, é uma fábrica de dinheiro. Já por outro, o motorista tem que andar em dia com suas obrigações. É necessário ficar atento para não estragar a viagem.”







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