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Chuvas
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São José do Rio Preto, 27 de Dezembro, 2009 - 0:08
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Chuva estraga 240 km de estrada na região
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Thomaz Vita Neto
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Asfalto esfarelou na beira da pista da rodovia Roberto Mário Perosa (SP-379)
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As chuvas e a falta de conservação comprometeram a qualidade do asfalto de 240 quilômetros de estradas na região de Rio Preto, segundo a assessoria do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A extensão, que não contabiliza as vicinais, equivale a 15% dos 1,6 mil quilômetros de rodovias que cortam o Noroeste Paulista. É como se a rodovia Euclides da Cunha (SP-320) inteira precisasse ser refeita. A lista de problemas nas estradas vai de buracos a falhas na sinalização, passando por pavimento irregular e falta de acostamento.
O asfalto ruim potencializa o risco de acidentes. De janeiro a setembro, dado mais recente disponibilizado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, foram 287 mortes nas rodovias da região, número 22,6% maior do que as 234 ocorrências registradas no mesmo período do ano passado nos 139 municípios do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-5).
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Thomaz Vita Neto
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Matagal que cresce ao lado da Armando Salles Oliveira (SP-322) esconde placa
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“A má condição da pista não é o fator que mais causa colisões nas estradas. Mas se há um buraco na estrada, o veículo pode capotar, ou o motorista é obrigado a invadir a pista contrária, o que aumenta o risco de acidentes”, afirma Edson Varanda, inspetor da Polícia Rodoviária Federal.
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Thomaz Vita Neto
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Em trecho da Armando Salles Oliveira, placa está caída no acostamento
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No último dia 17, a reportagem do Diário percorreu 376 quilômetros de estradas na região. A primeira delas, BR-153, antes conhecida pelo asfalto esburacado, ganhou pavimento novo depois da privatização, em 2007, mas peca pela falta de terceira faixa. Como a rodovia tem tráfego pesado, é comum a formação de filas de até 300 metros ao longo da pista, principalmente no trecho entre Nova Granada e Icém.
Já a rodovia Armando Salles Oliveira (SP-322), que liga as regiões de Rio Preto e Ribeirão Preto, é o exemplo do abandono. No trecho entre Icém e Olímpia, administrado pelo DER, há sete trechos com buracos, alguns deles com mais de um metro de diâmetro. Para desviar das “crateras”, carros e caminhões invadem a pista contrária em alta velocidade. “Faz muito tempo que eu não vejo um serviço de tapa-buraco por aqui. Meu carro está com o amortecedor ruim de tanto passar nesse asfalto irregular. O que revolta é que a gente paga imposto para ter um serviço de péssima qualidade”, diz o vendedor Israel Feitosa de Lima.
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Thomaz Vita Neto
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Buraco na SP-322, em Altair: com período de chuvas, asfalto piorou
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Mesmo rodovias recapeadas há pouco mais de um ano, caso da Euclides da Cunha, já apresentam buracos. Na noite do dia 11 de dezembro, quatro veículos formavam fila no acostamento da pista, entre Tanabi e Bálsamo. Todos tiveram ao menos um dos pneus furados depois de passar por uma “cratera” de um metro e meio de diâmetro.
Na Roberto Mário Perosa (SP-379), que liga Sales a Uchoa e é tradicional rota de fuga dos pedágios da Washington Luís (SP-310), o asfalto esfarelou em pelo menos quatro longos trechos. “Fica perigoso andar em um asfalto desses. Meu caminhão ficou com problema na suspensão de tanto solavanco”, afirma o caminhoneiro Osni Reis.
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Thomaz Vita Neto
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“Crateras” obrigam motorista a invadir pista contrária na SP-322
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Desinformação
Os problemas nas rodovias estaduais não se limitam ao asfalto. O mato alto encobre boa parte das placas, algumas delas tombadas. Mesmo as mais novas se tornam alvos de vandalismo - ou são pichadas ou viram alvo de atiradores. Muitas delas, em vez de informar o motorista, desinformam. No trevo da SP-322 com a Assis Chateaubriand (SP-425), o motorista que vem de Bebedouro para Rio Preto é orientado pelas placas a seguir até Icém, quando deveria entrar na SP-425. Assim, alonga o percurso em mais de 30 quilômetros.
O Diário solicitou entrevista com diretor do DER em Rio Preto, Natal Takashi Arakawa, mas a assessoria do órgão informou que ele “não está disponível para entrevistas, devido ao cumprimento de compromissos previamente agendados”. Em nota, a assessoria afirmou que as chuvas e o tráfego pesado contribuíram para o desgaste das rodovias regionais. Mas disse que o departamento deve iniciar “em breve” melhorias nas estradas que cortam a região, e que já começou trabalhos de recuperação na SP-425, em Olímpia, SP-310, em Monte Aprazível, e SP-461, em Votuporanga. A Transbrasiliana, concessionária que administra a BR-153, informou que está prevista a construção de terceiras faixas em todo o trecho paulista da rodovia.
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Thomaz Vita Neto
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Claudinei Crispim de Oliveira troca pneu do caminhão depois de passar por buraco
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Recapeadas, vicinais voltam a ter buracos
Apenas um ano depois de recapeadas pelo governo estadual, parte das estradas vicinais da região de Rio Preto voltou a ficar esburacada devido ao tráfego pesado e à falta de manutenção.
Nos últimos três anos, o governo de José Serra investiu R$ 279,1 milhões para recapear 166 vicinais em 137 cidades do Noroeste Paulista, o que totaliza 1,98 mil quilômetros de extensão.
Na vicinal Tabapuã/Olímpia, parte desse investimento foi para o ralo depois que a pista passou a ser usada como desvio da rodovia Assis Chateaubriand (SP-425) nos dois meses em que a ponte entre Olímpia e Guapiaçu ficou interditada. Há três trechos da pista com vários buracos. Um deles estragou o lazer do aposentado Antonio Biribili. “Estava indo pescar quando o carro passou em um buraco e estourou o pneu”, diz.
Mesmo problema enfrentado pelo caminhoneiro Claudinei Crispim de Oliveira, que perdeu um dos pneus do caminhão em uma “cratera” da vicinal que liga Urupês a Novo Horizonte. “Gastei 40 minutos para trocar o pneu. Eles arrumaram tudo, mas colocam uma casquinha de asfalto que não aguenta nada”, reclama.
A vicinal é usada tanto por treminhões carregados com cana-de-açúcar quanto por caminhoneiros que desviam dos pedágios ao longo da Washington Luís (SP-310). Foi entregue oficialmente no segundo semestre do ano passado com o asfalto todo refeito, sinalização horizontal e placas novas. O recape, porém, não demorou a “derreter” em vários trechos. “Não há asfalto que suporte o tráfego intenso de caminhões da pista, alguns deles com mais de 100 toneladas”, afirma Paulo Sérgio Delbello, diretor de Obras da Prefeitura de Novo Horizonte.
A buraqueira se repete na vicinal que liga Ibirá a Potirendaba. Há pelo menos cinco trechos com buracos em série. Além disso, no quilômetro cinco, próximo a Potirendaba, o motorista que precisar do acostamento vai se dar mal - o desnível, de 30 centímetros, pode provocar um capotamento com consequências graves.
Mesmo trechos concedidos à iniciativa privada apresentam falhas. Entre Tabapuã e Uchoa, o motorista paga R$ 2 para ter apenas nove quilômetros de rodovia conservada - mesmo assim sem acostamento. O restante, no trecho que pertence a Uchoa, apresenta vários buracos. “É um absurdo pagar por um trecho tão pequeno de pista boa. Como se todo o imposto que a gente paga não bastasse para manter a estrada boa”, diz o caminhoneiro Clodoaldo Pimentel Júnior.
A assessoria da Prefeitura de Tabapuã informou que questiona a cobrança do pedágio na Justiça. O Diário não conseguiu contato com a empresa Via Tabapuã, que administra o trecho.
Outro lado
A assessoria do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que o órgão recuperou as vicinais por meio de convênios assinados com os municípios desde 2006, e que, após a entrega oficial das vicinais, a manutenção da pista cabe às prefeituras.
O DER garantiu que o asfalto empregado é de boa qualidade. “Todas essas estradas foram aprovadas pela junta técnica do departamento”, afirma a assessoria do órgão.
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Thomaz Vita Neto
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Buraco em vicinal de Potirendaba obriga motorista a ir pela contramão
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Falta verba, dizem cidades
A ressurreição dos buracos nas vicinais criou um jogo de empurra entre as prefeituras e o governo estadual. Enquanto o DER afirma que a manutenção cabe aos municípios, as prefeituras alegam não ter dinheiro suficiente para operações de tapa-buraco.
“Cada metro quadrado de asfalto recuperado custa em torno de R$ 20. Não temos verba nem maquinário suficiente para esse serviço. Por isso nosso tapa-buraco é todo voltado para as ruas e avenidas”, diz o diretor de Obras da Prefeitura de Novo Horizonte, Paulo Sérgio Delbello.
Em fevereiro deste ano, as prefeituras de Novo Horizonte, Irapuã e Urupês encaminharam um ofício ao DER informando o estado precário da vicinal. Segundo Delbello, o departamento se comprometeu a fazer um estudo técnico sobre o asfalto no local.
O prefeito de Ibirá, Nivaldo Negrão, reclama da qualidade do recape da vicinal que liga a cidade a Potirendaba. “Em alguns trechos de mina d’água não foi feita a drenagem correta, e o asfalto acaba esfarelando”, diz. Segundo ele, a empreiteira responsável por recuperar a pista se comprometeu a tapar os buracos a custo zero.
A Prefeitura de Tabapuã também solicitou ao DER reparo total da vicinal até Olímpia, mas ainda não obteve resposta. (AA)
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Reprodução/vídeo Diarioweb
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