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São José do Rio Preto, 29 de Maio, 2010 - 4:35
Rússia veta produtos de frigoríficos da região

Carlos Eduardo de Souza

Guilherme Baffi
A unidade frigorífica do Marfrig em Promissão está entre as impedidas de exportar para a Rússia
Duas plantas frigoríficas da região de Rio Preto tiveram a exportação de carne para a Rússia suspensa temporariamente pelo Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário da Rússia.
O Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou ontem que recebeu comunicado das autoridades russas sobre a interrupção das exportações de oito plantas, entre elas uma do Marfrig, situado em Promissão, e o Tatuibi, instalado em Santa Fé do Sul.

De acordo com o Mapa, as plantas do frigorífico JBS localizadas nos municípios de Andradina (SP), Maringá (PR) e Pedra Preta (MT) também tiveram a exportação de carne para a Rússia suspensa. A assessoria de imprensa do Friboi informou que a empresa está em período de silêncio, conforme estabelece a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e não poderia fazer qualquer comunicação ao mercado por hora.

Também integram a lista de frigoríficos com exportação de carne bovina para a Rússia suspensa as unidades de Capão Leão (RS), Paranatinga (MT) do Marfrig, Riosulense, em Rio Sul (SC). Em nota divulgada ontem, o diretor de Planejamento e de Relações com Investidores da Marfrig Alimentos, Ricardo Florence confirmou que o Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário da Rússia irá introduzir, a partir de ontem, restrições temporárias ao fornecimento de produtos de origem animal provenientes de alguns frigoríficos brasileiros para aquele país, dentre os quais estariam três das 22 plantas de abate bovino operadas pelo Marfrig no Brasil.

A Companhia informa que até o momento não recebeu qualquer comunicação oficial sobre o assunto e que, caso esta seja confirmada, a exportação para a Rússia será plenamente atendida por meio das outras unidades do grupo e que a exportação a partir dessas plantas prosseguirá normalmente para outros destinos. Maurício Misutsu, do setor de Relações Institucionais do Tatuibi, informou que a empresa aguarda a notificação oficial para verificar quais problemas foram apontados e, caso seja necessário, efetuar a correção para poder voltar a exportar para aquele País.

O Ministério da Agricultura afirmou que os frigoríficos vão receber informações sobre os problemas que teriam justificado a suspensão de exportação. As unidades vão ter prazo para corrigir eventuais problemas e vão precisar aguardar nova inspeção do Serviço Federal Veterinário da Rússia para pleitear o fim da suspensão.

Mozzaquatro volta a abater

O presidente do Sindicato Rural de Fernandópolis, Marcos Mazeti, informou que deve entrar em funcionamento na próxima semana a unidade do Frigorífico Mozzaquatro naquele município. A unidade foi arrendada para três um grupo de investidores formado por três empresários iranianos e uma executiva brasileira. A expectativa é de que a unidade frigorífica retome às atividades com um quadro de aproximadamente 60 pessoas. Posteriormente, a indústria vai ampliar o quadro em 150 vagas assim que a produção atinja maiores patamares de processamento de carne.

O frigorífico obteve na semana passada a licença da Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) para entrar em funcionamento e durante um curto período vai trabalhar com capacidade mínima (cerca de 50 animais por dia) de abate para que os técnicos do Serviço de Inspeção Federal (SIF) avaliem o funcionamento da planta antes de conceder autorização para a comercialização no mercado interno e exportação. (CES)

Abrafrigo critica o BNDES

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafigo), Péricles Salazar, divulgou nota criticando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) em relação à política de financiamento, alegando que falta recursos para o setor de pequenos e médios frigoríficos. “Continua deixando o setor fragilizado e pessimista sobre o seu futuro.” Salazar cita como exemplo de como o BNDES se mostra insensível para as necessidades das pequenas e médias empresas, o pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Frialto, empresa com unidades em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia que empregam 2,5 mil pessoas.

O problema do Frialto, segundo Salazar, estende a desconfiança para os produtores e o sistema financeiro, levando mais dificuldades para toda a cadeia produtiva. “Ainda há os casos dos frigoríficos Quatro Marcos e o Independência que estão em processo de recuperação judicial porque não conseguiram crédito no BNDES para continuar atuando normalmente.” O Diário entrou em contato com a assessoria do BNDES, mas não obteve resposta.

Empresário espera decisão

O empresário e ex-prefeito de Guapiaçu Alcides Bega confirmou ontem que está apenas aguardando descisão da Justiça sobre o pedido de reintegração de posse do frigorífico Guapiassuínos para reativar a planta que tem capacidade de processamento de 100 toneladas por dia. “Quando voltar a funcionar com plena capacidade vai gerar 150 empregos”, afirmou. O frigorífico Guapiassuínos foi arrendado para o Grupo Arantes, que está em processo de recuperação judicial.

O contrato de arrendamento venceu em 1º de março e o empresário, que já foi um dos proprietários do Frango Sertanejo, disse que os prazos establecidos pela Justiça estão vencidos. Segundo Bega, o Grupo Arantes atrasou em seis meses o pagamento do arrendamento num total de R$ 120 mil. O empresário disse que, assim que voltar às atividades a empresa, pretende retomar a produção de salsichas, linguiças, salames, mortadelas e outros produtos embutidos de origem animal. Apesar do nome, Bega afirmou que o frigorífico não limita a produção à carne suína.


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