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São José do Rio Preto, 28 de Maio, 2010 - 1:50
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Até hoje, brasileiro só fez para pagar imposto
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Belisário/Editoria de Arte
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São necessários, em média, 148 dias de trabalho para arcar com tributos
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O que o brasileiro trabalhou de janeiro deste ano até hoje foi apenas para pagar tributos, o que significa 148 dias, ou quatro meses e 28 dias. É o que revela estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Em relação à década de 1970, é o dobro de tempo trabalhado. Em dinheiro, os 148 dias significam que o trabalhador rio-pretense destinou R$ 6.421,72 dos seus rendimentos para o governo até hoje. O cálculo é feito a partir dos dados da última Relação Anual das Relações Sociais (Rais) disponível, de 2008. O salário médio do rio-pretense foi R$ 1.301,58 naquele ano.
O levantamento mostra ainda que a carga tributária aumenta a cada ano, exceto em 2009, quando houve redução do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e diminuição dos impostos sobre o consumo. Com isso, o brasileiro trabalhou um dia a menos para o fisco, marca atingida em 27 de maio. O diretor do IBPT Fernando Steinbruch explica que o trabalho do instituto considera a renda do contribuinte brasileiro e identifica, a partir do seu rendimento, quanto em média é destinado aos pagamentos de tributos que incidem sobre a renda, patrimônio e consumo. “A carga tributária média é de 40,54%, o que, em 365 dias do ano, representa 148 dias de trabalho.”
Segundo Steinbruch, quanto menor o rendimento do contribuinte, maior é o peso da incidência de tributos sobre o consumo, já que ele gasta quase tudo o que recebe em produtos de consumo. Já quanto maior for a renda, menor é o peso porque sobra dinheiro é que utilizado em aplicações financeiras. “Essas aplicações têm a tributação inferior à do consumo, que está numa faixa entre 25% e 45%.” Um exemplo é para a população que ganha até R$ 3 mil. Do orçamento, 12,75% vão para o pagamento de tributos que incidem sobre a renda. Os tributos que incidem sobre o patrimônio ficam com 2,95% do total e os tributos com consumo ficam com 22,78%. Ao todo, 38,48% vão para pagar impostos, tributos e taxas. “Só o que é destinado ao consumo representa quase 50% do total de tributos.”
Tributação
A tributação incidente sobre os rendimentos (salários, honorários, etc.) é formada principalmente pelo Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), contribuição previdenciária (INSS, previdências oficiais) e contribuições sindicais. O cidadão também paga a tributação sobre o consumo - já inclusa no preço dos produtos e serviços (PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS, etc) - e sobre o patrimônio (IPTU, IPVA, ITCMD, ITBI, ITR). Arca ainda com outras despesas, como taxas (limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos) e contribuições (iluminação pública).
Histórico
A medição do IBPT começou em 2003. Naquele ano, em média, o contribuinte brasileiro destinou 36,98% de seu rendimento bruto aos governos federal, estadual e municipal, em impostos, taxas e contribuições. Neste ano, vai destinar 40,54% do rendimento. Desde o início da pesquisa, houve uma evolução na curva de comprometimento da renda. Em 2004, o índice foi para 37,81%; em 2005, 38,35%; em 2006 pagou 39,72%; em 2007, 40,01%; em 2008, 40,51% e, no ano passado, foram comprometidos 40,15%. “O que nos preocupa é que a cada ano vem crescendo a dedicação do trabalho ao governo.”
Assalariado sofre
Segundo o advogado tributarista Paulo Roberto Brunetti, o trabalhador que mais sofre é o assalariado. “Isso porque o Imposto de Renda Retido na Fonte já vem descontado na folha de pagamento”, afirmou. Além disso, há também os impostos já embutidos nos preços de produtos consumidos. “Estamos vivendo a época do Robin Hood, com alta carga tributária. O governo precisa analisar essa situação e fazer a reforma tributária, engavetada há nove anos.”
Para o consultor empresarial Valdecir Buosi, o grande problema que é o brasileiro paga tributos de países desenvolvidos, mas não tem o retorno desses serviços, como educação, saúde e segurança de qualidade. “A administração pública precisa ser mais eficiente, otimizar os recursos e aplicá-los melhor.” Segundo Buosi, a elevada carga tributária também dificulta a competição entre os empresários brasileiros com outros de países próximos, da América Latina, como o Chile, por exemplo, o que também barra a geração de emprego e renda. “Acredito que a equação correta seria em torno de 29% de comprometimento com tributos. No Chile, o índice chega a 21%”, disse.
Para o advogado do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Rio Preto (Sincomerciários), Ailton Bertoni, o tema “reforma tributária” precisa ser discutido com seriedade pelas autoridades políticas brasileiras. Ele defende que haja uma desoneração sobre a produção, redução da cobrança e equalização de pagamento. “Cada um precisa pagar os impostos na proporção correta, os ricos e os mais pobres”, disse.
Balanço
Em 2009, de acordo com o IBPT, a carga tributária brasileira correspondeu a 35,02% do Produto Interno Bruto (PIB). A arrecadação chegou a R$ 1,09 trilhão, contra R$ 1,05 trilhão do mesmo período de 2008. Cada brasileiro pagou R$ 5.706,36 de tributos no ano passado, enquanto no ano anterior o volume foi de R$ 5.572,66. Para 2010, a projeção do IBPT é que a arrecadação total do governo brasileiro chegue a R$ 1,2 trilhão. O crescimento é explicado por duas razões. A primeira é o fim das desonerações orquestradas pelo governo no ano passado para aplacar os efeitos da crise e manter os postos de trabalho. A outra é o crescimento da economia, o que é considerado positivo.
“O que podemos observar com a redução da alíquota, como foi com o IPI, é que ela não necessariamente significa queda na arrecadação”, diz Fernando Steinbruch. Até às 18 horas de ontem, segundo dados do Impostômetro (www.impostometro.org.br), os brasileiros haviam pago R$ 468.646 milhões, dos quais R$ 67,618 milhões foram desembolsados pelos rio-pretenses.
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COMENTÁRIOS
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Alessandro Freitas
postado em
28/05/2010
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O salario no Brasil é vergonhoso muitos sobrevivem com salario minimo, em compensação a carga tributaria é uma das maiores do mundo, assim como a corrupção, gostaria que o retorno por parte do governo fosse melhor, que tivessemos escolar, hospitais e atendimentos publicos melhores, afinal se queremos uma estrada boa temos que pagar pedagio, se queremos um atendimento médico digno temos que pagar convenio, se precisarmos ter uma aposentadoria suficiente para se alimentar temos que pagar previdencia privada, se quisermos ter o direito de ser enterrados com dignidade temos que comprar um terreno no cemiterio e pagar uma mutuaria, portanto os impostos que pagamos não retornam como deveria para a sociedade, além de não termos segurança alguma, estou certo ou errado nessa opinião?
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