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Economia brasileira
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São José do Rio Preto, 22 de Julho, 2010 - 3:40
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Banco Central eleva juros básicos a 10,75%
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O presidente do BC, Henrique Meirelles, deu sinais de que o ritmo dos juros poderia mudar
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O Banco Central anunciou ontem o aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,50 ponto percentual, que agora passa para 10,75% ao ano, abaixo do 0,75 ponto que esperado pelas lideranças empresariais e economistas de Rio Preto. Com a decisão anunciada ontem, o BC reduziu o ritmo do aperto na economia brasileira. Nas duas decisões anteriores, as altas haviam sido de 0,75 ponto. Com o entendimento de que o cenário inflacionário evoluiu positivamente desde junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) viu espaço para diminuir a magnitude do aumento de juro. Nas últimas semanas, diversos indicadores de inflação e atividade econômica mostraram desaceleração.
Em comunicado divulgado após o encontro, os diretores do BC afirmam que a decisão levou em conta “o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom”. Essa melhora, segundo o texto, “se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos”. “O Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo (de redução de riscos)”, completa o texto distribuído após a decisão tomada por unanimidade.
Os argumentos para a redução de ritmo no aperto monetário vieram à tona nas últimas semanas e especialmente no cenário doméstico. Indicadores como a inflação mais baixa que o esperado e a atividade econômica em desaceleração surpreenderam positivamente o mercado financeiro. Para analistas, o quadro diminui o risco de descontrole da inflação e abre espaço para um BC mais moderado.
O próprio presidente Henrique Meirelles deu sinais de que o ritmo dos juros poderia mudar. Normalmente avesso à imprensa, especialmente em dias que antecedem o Copom, ele falou dois dias seguidos com a imprensa na semana passada para reafirmar que as decisões são tomadas “levando em conta todos os dados existentes” até o dia da reunião.
Lideranças locais
Representantes do comércio, indústria e economistas de Rio Preto aprovaram a decisão do Copom em elevar os juros em 0,5 ponto percentual. Embora não vejam com bons olhos o aumento na taxa básica de juros da economia brasileira, eles tinham expectativa de que a Selic seria reajustada em 0,75 ponto percentual, na reunião de ontem. Para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Rio Preto, José Luiz Franzotti, os membros do Copom perceberam o recuo no crescimento da economia, por isso tomaram uma decisão correta. “Não se pode inibir tanto o crescimento”, afirmou.
Segundo o vice-presidente de Serviços aos Associados da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), Valdecir Buosi, o aumento é ruim para o empresário que tem mais dificuldades em captar recursos para investir, mas para conter a inflação, a medida é correta. “É uma tentativa de segurar a inflação, embora o desaquecimento econômico tenha começado no último mês.”
O delegado municipal do Conselho Regional de Economia (Corecon) de Rio Preto, Edgard Antonio Sbró-gio, gostou da decisão do Copom, já que se esperava uma alta de 0,75 ponto percentual. “Em ano de eleição é complicado porque corre muito dinheiro na economia e aumenta o risco da inflação”, disse. Ele preferiu não arriscar projeções para a próxima reunião porque a decisão será tomada com base nos indicadores da economia, mas acredita que, se a inflação estiver sob controle, a alta dos juros deve ser de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.
O economista Hipólito Martins Filho, delegado regional do Corecon, reforça que os juros só serão reduzidos quando houver uma distribuição dos empréstimos entre várias instituições financeiras, quando não houver mais necessidade de financiamento do déficit público, quando houver ajuste fiscal e quando a capacidade produtiva estiver adequada ao consumo. “Até lá, esse é o único instrumento do governo para conter a inflação”, disse. Martins Filho acredita que até o fim deste ano a taxa básica de juros deve ficar entre 11,5% e 12% ao ano.
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Selic maior tem efeito reduzido no crédito
A alta de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juros da economia (Selic), anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), terá um efeito reduzido nas operações de crédito. A avaliação é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que projetou o impacto da elevação da Selic, de 10,25% para 10,75% ao ano, sobre as taxas cobradas de consumidores e empresas.
De acordo com a Anefac, o efeito será pequeno porque “existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que, na média da pessoa física, atingem 122,71% ao ano”. A diferença entre a Selic e o que é efetivamente cobrado das empresas também é grande. Pelas projeções da Anefac, a alta da Selic para 10,75% ao ano fará os juros cobrados no comércio subirem de 98,50% para 99,40% ao ano. A taxa média do cartão de crédito passará de 238,30% para 239,77% ao ano. No caso do cheque especial, a alta da Selic fará a taxa de juros subir de 138,18% para 139,24% ao ano.
As operações de crédito em bancos e financeiras também ficarão um pouco mais caras para o consumidor. A taxa de juros média do crédito direto ao consumidor (CDC) oferecido por bancos para a compra de automóveis subirá de 34,17% para 34,80% ao ano. Já o empréstimo pessoal realizado em bancos passará de 76,94% para 77,75% ao ano. Nas financeiras, os juros médios dos empréstimos pessoais passarão de 213,16% para 214,53% ao ano.
Na prática, as altas projetadas indicam pequenos aumentos, em reais, para o consumidor. De acordo com Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, com a Selic em 10,75% ao ano, o consumidor que for financiar a compra de uma geladeira em 12 vezes (zero de entrada mais 12 prestações) pagará parcelas mensais de R$ 178,13 (juros de 5,92% ao mês ou 99,40% ao ano). Antes da mudança, com a Selic em 10,25% ao ano, as prestações eram de R$ 177,74 (5,88% ao mês ou 98,50% ao ano).
Entre as pessoas jurídicas, o impacto do aumento da Selic também será pequeno. Nos cálculos da Anefac, a taxa média de juros em operações de capital de giro subirá de 46,10% para 46,78% ao ano. Os juros das linhas de desconto de duplicatas passarão de 46,27% para 46,96% ao ano. Em operações de desconto de cheques, a taxa média irá de 47,47% para 48,16% ao ano. No caso da conta garantida, a taxa subirá de 82,90% para 83,73% ao ano. Em uma operação de capital de giro no valor de R$ 50 mil com prazo de 90 dias, exemplifica a Anefac, uma empresa pagará, após o aumento da Selic, R$ 5.035,15 de juros (taxa de 3,25% ao mês ou 46,78% ao ano).
Fonte: AE
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