|
|
|
|
|
›
Amor à primeira vista
|
|
São José do Rio Preto, 5 de Fevereiro, 2012 - 1:50
|
|
Bairro mais antigo de Rio Preto, Boa Vista tem um pé no passado
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Hamilton Pavam
|
|
|
O primeiro nome do bairro foi Santo Antônio, mas logo foi mudado por conta da beleza do local
|
Apesar de existir há mais de um século e ser o bairro mais antigo de Rio Preto, a Boa Vista não parou no tempo e se destaca pelo dinamismo, espírito empreendedor e vocação de se reinventar de forma constante. É lugar para morar, comprar, se divertir, acessar serviços essenciais e estudar. O bairro nasceu na esteira da fundação da vila que originou a cidade. No início, abrigava chácaras. Depois foi invadida por casarões e construções imponentes. Com o correr dos anos, no entanto, transformou-se em importante rede de serviços. Hoje, abriga 2,5 mil empresas, segundo a Prefeitura.
São raras as ruas da região administrativa da Boa Vista que não contam com lojas, pequenos estabelecimentos ou escritórios. Destaca-se também pela forte presença de instituições nas áreas educacional, médica e de segurança. Como se fosse uma cidade dentro de Rio Preto. O bairro cresceu de forma vertical e tem prédios para todos os bolsos, inclusive de luxo, com apartamentos avaliados em até R$ 1 milhão. É endereço de 14.800 pessoas, ou seja, população superior a 76 cidades do Noroeste paulista.
“Com a expansão do Centro, o comércio foi se descentralizando na direção aos bairros. Com a Boa Vista, aconteceu assim”, afirma Maurício Bellodi, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp). Bellodi destaca duas características importantes do lugar. “Aluguéis mais baratos, que são alternativa para empresas em começo de atividade e que não contam com grande clientela, e maior facilidade para estacionar, com trânsito menos congestionado.”
A frequência de visitantes é intensa diariamente também por outros motivos. O bairro sedia hospitais como Santa Casa de Misericórdia, Ielar e Bezerra de Menezes, que prestam a maioria dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também é sede, entre outros órgãos, do Centro Universitário de Rio Preto (Unirp), sete escolas públicas e creches, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, bispado e Basílica. A Boa Vista tem noite agitada, com barzinhos, restaurantes e os tradicionais botecos, que servem de ponto de encontro.
A historiadora Nilce Lodi explica que, no início, Rio Preto era formada por uma vila, onde fica o Centro, e a Boa Vista. “Como os terrenos do bairro eram maiores, as pessoas mantinham hortas e vendiam a produção aos outros moradores.”Segundo Nilce, a Boa Vista primeiro foi chamada de Santo Antônio. “O nome foi mudado em razão de sua beleza.” Para a historiadora, o prédio da Basílica Menor de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, na avenida Constituição, é um dos mais importantes não só do bairro, mas de Rio Preto.
A Basílica foi construída por motivos políticos. O bispo da época, dom Lafayette Libânio, fez a promessa de que, se Rio Preto fosse protegida de qualquer invasão da Revolução Constitucionalista de 1932, construiria uma igreja em honra a Nossa Senhora Aparecida. A promessa foi atendida e a igreja erguida. As obras acabaram concluídas em 1943, com inauguração em sete de setembro. O rio-pretense reconheceu a sua importância. Em 2007, a Basílica foi eleita a principal maravilha de Rio Preto em votação promovida pelo Diário.
|
Hamilton Pavam
|
|
|
O Palácio Episcopal é sede da Diocese de Rio Preto
|
Bairro será lar de 60 novos seminaristas
Um bairro com vocação religiosa. Além de ser sede da Diocese e Sé Catedral, a Boa Vista tem o único centro regional de formação de padres. Neste ano, o Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus vai abrigar 60 seminaristas. Vinte e um são oriundos de Rio Preto, e moram no próprio seminário. O restante faz parte das dioceses de Jales, Barretos e Catanduva. Estudam pelo menos sete anos para ter a formação completa - três de filosofia e quatro de teologia. Após esse período, podem ser ordenados padres pela diocese. O seminário foi criado em 1943. No início, oferecia aulas nos ensinos básico e fundamental. Passou a ser um centro acadêmico em 1975.
Segundo o reitor do seminário, o padre Leonel Brabo, a diocese tem um sacerdote responsável por realizar testes vocacionais aos interessados em dedicar a vida à Deus. O acompanhamento dura um ano. “Depois, entra no seminário.” A formação é gratuita. Rivaldo Celson Alves, 34 anos, formou-se recentemente após uma década de estudo. Ele é de Poloni e decidiu ser padre por influência dos pais. “Minha família é muito religiosa. Meu despertar ocorreu em 1998. Devido às necessidades da Igreja, comecei a fazer trabalhos na comunidade.” Alves será ordenado diácono em cerimônia especial na Sé Catedral no dia 24 de fevereiro, junto com Rafael Dalben Ferraresi e Sérgio Antônio Venturelli. “Vou passar seis meses ajudando o padre Rafael Henrique, em Riolândia. Estou muito feliz.”
Curso para leigos
Os interessados em fazer o curso teológico pastoral, com duração de três anos, deve se inscrever até o dia 24 de fevereiro. A mensalidade custa R$ 70 mensais. As aulas são ministradas na terças, quartas e quintas-feiras, das 20h às 21h30. O curso começa em 6 de março. O objetivo é desenvolver saber nas áreas humana e religiosa, proporcionar aprofundamento nas razões da fé por meio de uma reflexão filosófica e teológica e oferecer formação bíblico-teológico-pastoral para pessoas engajadas nas comunidades e movimentos. Informações: (17) 3231-1224.
|
Hamilton Pavam
|
|
|
Se não chover, os amigos batem ponto para um baralho na praça Gandhi
|
Velha guarda gosta do carteado
A velha guarda da Boa Vista tem um ponto de encontro tradicional no bairro: a praça Gandhi. O lugar é usado diariamente para a troca de ideias e dezenas de rodadas de caixeta, o clássico jogo de baralho. Embora frequentada por crianças, a presença mais comum é de usuários acima de 60 anos. Os jogos são realizados embaixo da majestosa figueira de mais de dez metros. A árvore empresta sombra e chama a atenção. A rotina se repete há pelo menos duas décadas. “É o ponto de encontro de uma rapaziada de certa idade, que mora no setor mais antigo”, afirma Arlindo Filho, 60 anos, sem tirar os olhos do jogo. Ele era o mais “jovem” na mesa forrada com toalha.
“É o nosso único divertimento”, completa Paulo Shimada, 77 anos, outro morador conhecido da Boa Vista. A turma só não aparece se chover. A praça só tem poucos bancos e espaço vazio para a criança correr e brincar. Os usuários da pracinha não perdem a oportunidade e chamam a atenção para a necessidade de melhorias no espaço público. “Tem muito lixo espalhado pelos cantos e falta um banheiro,” afirma Filho. O secretário municipal de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, afirma que não há possibilidade de fazer o banheiro. “Estamos tirando os que existem. Só dá certo em locais que têm funcionário. A manutenção na praça é feita periodicamente.”
|
Hamilton Pavam
|
|
|
Cleide e Neide no bar Sampa, que fica na Ipiranga com a São João
|
Sampa também é aqui!
A tradicional esquina da rua Ipiranga com a avenida São João, eternizada por Caetano Veloso, tem uma homônima no bairro Boa Vista. Fica no coração da localidade, e abriga pequenos estabelecimentos comerciais e moradias antigas. Justamente no encontro das ruas, funciona o bar Sampa, há 24 anos.
O nome, é claro, foi escolhido em homenagem à canção. “Quando cheguei, a música já era famosa. Foi a melhor opção”, afirma Neusa da Silva Zanetti, 69 anos. Administra o bar sozinha, há nove anos, quando o marido faleceu. “Eu e Deus.” Neusa tem apoio da irmã, a professora Cleide da Silva. De vez em quando, ela faz serviços de banco e compra mercadorias.
A comerciante não enfrenta dificuldade para tocar o bar, frequentado em sua maioria por homens. “O pessoal respeita. Ninguém fala palavrão”, afirma Neusa, que gosta do ambiente familiar e da calma do bairro. Mas há algo que reprova. “A presença dos nóias.” O bar funciona de domingo a domingo, às vezes fecha meia-noite. É frequentado por uma clientela mais velha, conhecida, das próprias redondezas.
|
Hamilton Pavam
|
|
|
A direção da escola Monsenhor Gonçalves preserva fachada original
|
Monsenhor foi sala de aula de famosos
Os apresentadores Ana Maria Braga, Clodovil Hernandez e Amaury Júnior, o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho e o senador Aloysio Nunes Ferreira Filho são personalidades que estudaram na escola Monsenhor Gonçalves, segundo a direção. É uma das mais antigas e tradicionais escolas de Rio Preto. Idealizada pelo padre Joaquim Manoel Gonçalves, foi criada em 1929 e funcionou até 1937 como instituição de ensino ginasial (equivalente do 6º ao 9º ano do ensino fundamental). Era uma instituição de ensino católica, particular e em regime de internato.
O prédio, então, foi cedido ao Estado. “Padre Joaquim era visionário e acreditava que, com essa atitude, a escola seria mais acessível para a população”, afirma o coordenador Ben-Hur Ulisses da Silva. Com o passar dos anos, a escola foi direcionada ao ensino médio. A maioria dos alunos é da região norte. O prédio também passou a abrigar o Centro de Línguas, que oferece aos alunos do Estado, a partir do sexto ano, aulas de inglês, espanhol, italiano e francês gratuitamente. São 1,2 mil estudantes regulares e 900 de idiomas.
A diretora Alite Baida afirma que a escola sempre teve papel importante na educação pública da cidade. E agora não é diferente. Para conquistar bons resultados, várias atividades extra curriculares são desenvolvidas. “Temos como meta preparar o aluno para o vestibular e o mercado de trabalho.” Neste ano, estudantes do Monsenhor Gonçalves ingressaram, sem cursinho, em universidades federais do Rio de Janeiro, Tocantins, Vale do Jequitinhonha e Mato Grosso, além da Unesp e Fatec. A direção faz questão de manter características originais do prédio. Fachada, piso, forro são exemplos de pontos preservados.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
|
|
|
|
|
|
|
OPINE SOBRE ESTA MATÉRIA
|
|
|
|
Não sou cadastrado |
Clique aqui
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
COMENTÁRIOS
|
|
|
|
|
|
Nenhum comentário cadastrado.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ENVIE PARA UM AMIGO
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|