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Núcleos da Esperança
São José do Rio Preto, 5 de Fevereiro, 2012 - 1:50
Modelo ‘revolucionário’ começa no improviso

Raul Marques

Guilherme Baffi
Novas unidades educacionais vão oferecer juntas 5.960 mil vagas
Os quatro Núcleos da Esperança de Rio Preto começam a funcionar amanhã de forma improvisada e parcialmente. Apenas as aulas estão previstas. A infraestrutura, sobretudo das áreas de esporte, não foi concluída totalmente, o que só deve acontecer perto de setembro, às vésperas das eleições municipais. O prefeito Valdomiro Lopes, no entanto, diz que será antes. A partir de abril, estima ele, todas as atividades esportivas, lúdicas e educacionais serão oferecidas. Enquanto isso, os alunos vão conviver com obras e deverão ter paciência até usufruir dos complexos em sua totalidade.

Os núcleos foram criados, segundo o prefeito, para oferecer um novo conceito de educação no município e atender moradores de loteamentos clandestinos e da periferia. A ideia é deixar o aluno na unidade em período integral. Vai cursar o ano letivo normal e participar de diversas atividades no horário inverso ao da aula. O município garante que, nos primeiros dias, as crianças não serão dispensadas mais cedo. Terão reforço escolar. A Prefeitura investiu R$ 80 milhões (R$ 20 milhões em cada), oriundos de recursos próprios, para construir os núcleos Engenheiro Schmitt/Santa Catarina, Vila Azul/Navarrete, Santa Clara/Bosque Verde e Alvorada/Bela Vista.

Cada núcleo terá capacidade para atender mil crianças. Segundo a secretária municipal de Educação, Telma Vieira, vão funcionar duas escolas em cada lugar: infantil (300 vagas, de zero a 5 anos e 11 meses) e fundamental (700, do primeiro ao quinto ano). A estrutura também conta com duas piscinas, salas mais espaçosas, quadra poliesportiva, campo de areia, salas de multiuso para estudo, reforço escolar e aulas de informática. O Poder Público corre contra o tempo para deixar tudo pronto. As áreas de convivência dos núcleos, por exemplo, não foram totalmente finalizadas. No final da semana passada, faltavam pintura e aros de basquete, construção de paredes e acabamento. A unidade que se encontra mais “crua” é a da Vila Azul/Navarrete - as salas de multiuso e quadra não estavam concluídas.

Não há previsão de abertura dos núcleos no período noturno e aos finais de semana, que é outra meta do projeto. A Secretaria de Educação não definiu a quantidade de lousas digitais e computadores que serão destinados a cada unidade. Uma força tarefa foi criada para concluir o acabamento da escola fundamental da Santa Clara/Bosque Verde. Na Vila Azul, o problema é a rua de acesso ao núcleo. A Constroeste, responsável pela obra, desdobrava-se em vários turnos para terminá-la.

No Alvorada/Bela Vista, a escola de ensino fundamental ficará pronta em abril ou maio, segundo o prefeito. Além do piso, faltam telhado no pátio e acabamento. A construtora que iniciou a obra foi substituída, o que ocasionou o atraso. “Tomara que comece no prazo. Já devia estar pronta”, afirma Nadir Dan, 59 anos, avó de Mateus Lúcio dos Santos, 8 anos. O marido de Nadir, Aparecido Dan, 64 anos, acrescenta que a vida da família vai melhorar. “O meu neto pode ir a pé.” O menino estuda na escola Wilson Romano Calil, Solo Sagrado. Quando a obra terminar, será transferido para o núcleo. “Será bom”, diz o menino.

O aposentado Aparecido Pedro Miguel, 61 anos, está ansioso para colocar os netos, os irmãos gêmeos Luana e Lucas, 2 anos, nesse núcleo. “A expectativa é boa. Até porque estarão ao lado de casa.” O prefeito reconhece que nem tudo foi concluído a tempo de começar os núcleos de forma adequada. “Pode ser que tenha alguma coisa não ficou pronta. O que é importante: a estrutura está terminada. A aula começa na segunda. Os detalhes nós vamos terminando.”

Sergio Isso
Eva Ribeiro comemora a transferência do filho Cristian para unidade do Núcleo da Esperança
Ano letivo começa com onze novas escolas

Além das sete escolas dos Núcleos da Esperança, mais quatro entrarão em funcionamento amanhã em Rio Preto, nos bairros Parque da Liberdade e Nova Esperança, todas contando com uma unidade infantil e outra fundamental. A escola infantil Adelaide Kahuan Medina, no Aroeira 2, foi entregue no ano passado e teve a capacidade aumentada de 150 para 250 vagas. As novas escolas oferecem juntas 5.960 mil vagas, sendo 1.620 para educação infantil, que atende crianças até 5 anos e 11 meses, e 4.340 para o ensino fundamental, do primeiro ano quinto ano.

O ano letivo começa amanhã para os 36 mil estudantes da rede pública, de escolas infantil, fundamental e Educação Para Jovens e Adultos (EJA). A população, no entanto, reclama da dificuldade para transferir os filhos e a falta de informação. “A gente avisou a escola (de origem) sobre a mudança para o Núcleo da Esperança. Agora, temos que retornar nas duas unidades para levar a documentação. Perde-se um dia de trabalho com isso”, afirma Poliana de Souza, 25 anos. Ela é mãe de Marcos Segantine, 8 anos.

A doméstica Silvana Barbosa de Oliveira, 30 anos, afirma que está preocupada se a aula vai começar mesmo amanhã no Núcleo da Esperança Santa Clara/Bosque Verde. “A escola ainda não está pronta.” O filho dela, Admilson Cardoso, 7 anos, estava matriculado na escola Rui Nazareth, no Parque Jaguaré. Gastava 40 minutos no deslocamento de ônibus entre a casa e a instituição de ensino. “A minha irmã não quis matricular os filhos (no Núcleo Vila Azul/Navarrete). Só ia conseguir colocar a menina, de 4 anos. O menino tem 12. Por isso, vai deixar os dois em uma escola só do Centro. Aqui, no Navarrete, tem muito adolescente”, afirma Débora Rodrigues.

Por outro lado, a camareira Eva Eliani Ribeiro, 41 anos, comemora o fato de transferir o filho Cristian, 5 anos, para a unidade. “Tudo vai ficar melhor.” A auxiliar Gislaine Nunes Costa, 30 anos, aproveitou a manhã da última quinta-feira para conhecer o Núcleo Engenheiro Schmitt/Santa Catarina, na companhia dos filhos, Mariele, 7 anos, e Vitor, 12 anos. Outras 70 mães fizeram o mesmo. O prefeito Valdomiro Lopes as recepcionou. “Achei interessante. Gostei. Mas seria melhor se os dois ficassem na unidade.” “Quero que entendam e compreendam tudo o que está sendo feito. Os detalhes nós vamos fazendo. A obrigação da Prefeitura é oferecer ensino até o quinto ano. Do sexto ao nono ano é com o Estado”, afirmou o prefeito.

Núcleo terá posto de saúde

Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) serão construídas ao lado dos Núcleos da Esperança de Rio Preto. É o que prometeu o prefeito Valdomiro Lopes ao Diário, em entrevista na última quinta-feira. As unidades serão instaladas em terrenos já reservados pelo Poder Público. A Prefeitura já elaborou o projeto de construção das UBSF. “O próximo passo é licitar. Vamos atender uma demanda localizada. Cada núcleo será formado por mil alunos. É importante ter a unidade de saúde nas proximidades”, afirma o prefeito. Valdomiro, no entanto, não sabe se as obras das quatro unidades de saúde sairão do papel ainda em 2012. “Vai depender dos recursos. Mas será um ganho. Essas regiões (dos núcleos) estão crescendo muito.”

Guilherme Baffi
Prefeito Valdomiro Lopes no núcleo do Santa Catarina, que a exemplo dos outros tem predominância das cores da sua administração: é só “coincidência”, diz ele
Falta ‘alguma coisa’, admite prefeito

O improviso, a falta de acabamento e o risco de manter crianças nas proximidades de obras em andamento são questões minimizadas pelo prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes. “Pode ser que tenha alguma coisa que não ficou pronta. O que é importante: a estrutura está terminada. A aula começa. Os detalhes nós vamos terminando”, diz Valdomiro. Para o prefeito, a criação dos quatro Núcleos da Esperança vai causar impacto importante na educação de Rio Preto. Primeiro, explica, em razão do novo modelo educacional que está sendo implantado: integrado entre várias secretarias do Executivo, com estrutura próxima e em período integral.

Com a mudança da escola para os núcleos, as crianças vão estudar mais perto de casa. Por fim, as vagas que elas ocupavam serão disponibilizadas para outras pessoas. “A educação vem em um momento importantíssimo, e vai demandar muita energia nossa. Acabou a construção. Agora, vamos colocar para funcionar bem”, afirmou o prefeito, em entrevista concedida ao Diário juntamente com a secretária municipal de Educação, Telma Vieira. O prefeito e a secretária de Educação explicam na entrevista abaixo como vão funcionar os núcleos e a diferença entre eles e a escola comum.

Diário da Região - Os quatro Núcleos da Esperança de Rio Preto começam a funcionar de forma total a partir de amanhã?
Valdomiro Lopes - Não. Pode ser que tenha alguma coisa que não ficou pronta. O que é importante: a estrutura está terminada. A aula começa. Os detalhes nós vamos terminando.

Diário - O que será oferecido, então?
Prefeito - Na segunda, começam as aulas. São 12 escolas novas na cidade, sendo sete nos núcleos. Apenas uma escola (Núcleo Alvorada/Bela Vista) está atrasada. Tivemos problema com a construtora. Para nós será até uma coisa assim chata. Esse núcleo também vai servir o Nova Esperança, que estamos começando duas escolas novas (dos ensinos fundamental e infantil).

Diário - Em que patamar de prioridades está a educação no governo?
Prefeito - Junto com saúde, é prioridade. A educação vai demandar muita energia nossa. Doze escolas começando a funcionar de uma vez não é brincadeira. Novos professores, diretores, coordenadores, funcionários e alunos. É muita coisa. Esse é um desafio. Acabou a construção. Agora, vamos colocar para funcionar bem.

Diário - A população reclama da falta de informação sobre a estrutura e serviços que serão oferecidos nos Núcleos da Esperança. Muita gente pergunta, por exemplo, por qual motivo somente aulas até o quinto ano do ensino fundamental serão oferecidas?
Prefeito - A obrigação da Prefeitura é oferecer ensino até o quinto ano. Do sexto ao nono ano é com o Estado. Fizemos pedido ao Estado para construir sete novas escolas em Rio Preto. Doamos áreas no Nova Esperança e Aroeira. Nunca se abriu tanta escola na cidade. Foram 8.175 novas vagas no meu governo.

Diário - Qual é diferença do Núcleo da Esperança para uma escola comum?
Prefeito - Núcleo é um conceito novo. Um complexo educacional. São escolas que vão funcionar em tempo integral. Cada núcleo tem capacidade para mil alunos (300 de infantil e 700 de fundamental). São 350 vagas em sala de aula. As crianças trocam. Quem não está na aula vai fazer reforço escolar, música, computação, teatro, judô, natação e futebol.
Telma Vieira, secretária de Educação - Os núcleos terão salas de multiuso. Para as atividades complementares, já temos o local. Mas é preciso ter participação intensa da comunidade, professores e alunos para definir quais atividades serão feitas e a distribuição. A escola começa a funcionar agora.

Diário - Os estudantes vão fazer as mesmas atividades?
Prefeito - Os próprios alunos vão opinar se preferem judô ou teatro, entre outras atividades. Pais e professores vão criar o projeto pedagógico. O núcleo terá educação integrada. O desafio será somar a participação de várias secretarias, como Assistência Social, Fundo Social de Solidariedade, Esporte, Cultura, Educação e Saúde. Todas vão atuar de forma conjunta.
Secretária - Vamos buscar essa integração já no começo. A gente vai fazer diversas parcerias com Esporte e a Cultura. As classes estão sendo formadas. Em cada sala vou ter um professor e um auxiliar. Já temos quantidade de professores para começar em todos os núcleos . A criança tem que ficar sempre com um profissional.

Diário - Todas as vagas oferecidas nos núcleos foram preenchidas?
Prefeito - Na verdade, ainda terá um rearranjo. Para não criar transtorno, vamos perguntar nas escolas do perímetro urbano quem quer estudar perto da sua casa, nos núcleos. Queremos diminuir a viagem. Tem pai que não fez ainda a inscrição. Todos que aparecerem serão acolhidos. Sabe por que vai melhorar muito? Tira uma criança da Vila Toninho e manda para o núcleo. Vai abrir uma vaga lá (na Vila Toninho). É uma fase de adaptação, que vai durar 30 ou 60 dias.

Diário - A Secretaria Municipal de Educação vai colocar professores concursados ou temporários nos núcleos?
Secretária - Tem o pessoal concursado sendo chamado na medida do necessário. Se tiver efetivo afastado, é substituído por um temporário durante o seu afastamento. Diretores e coordenadores já assumiram. Professores estão chegando. Não estou com problema de pessoal.

Diário - As escolas infantis dos núcleos ficaram prontas com antecedência (as unidades da Engenheiro Schmitt/Santa Catarina e Vila Azul/Navarrete foram concluídas em meados de 2011). Por que não foram disponibilizadas para a população antes?
Prefeito - Você começar com uma perna só não adianta. Tem poeira, máquinas. A creche é extremamente segura. Está integrada e ao mesmo tempo separada. A creche, na verdade, são três (alunos são divididos por faixa etária). É muito interessante.





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