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São José do Rio Preto, 3 de Fevereiro, 2012 - 1:50
Advogado pega 11 anos de prisão por tráfico

Allan de Abreu

Divulgação
Justiça condena advogado Massao Matuda, que morouem Rio Preto, acusado de gerenciar, no Brasil, um megaesquema de tráfico de cocaína para a Europa
A Justiça Federal condenou o advogado de Rio Preto Massao Ribeiro Matuda a 11 anos e 8 meses de prisão por tráfico internacional de drogas. Ele é acusado de ser o gerente, no Brasil, de um megaesquema de tráfico de cocaína para a Europa, alvo da Polícia Federal na Operação Deserto, em novembro de 2010, que prendeu 22 pessoas, cinco no Noroeste paulista.

Na época, a PF apontou o grupo liderado por Massao como a principal organização criminosa em atuação no País. O bando exportava, de cada vez, cerca de meia tonelada de cocaína, prensada com selo de pureza. Cada um desses carregamentos rendia ao grupo uma média de R$ 35 milhões. Devido à complexidade do esquema, a Justiça desmembrou os denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em vários processos distintos.

Massao é réu em três dessas ações, todas por tráfico, na 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo. A que foi sentenciada agora pela juíza substituta Adriana Freisleben de Zanetti, e obtida com exclusividade pelo Diário, se refere à prisão em flagrante do nigeriano Ugwu Charles Anayo no terminal de ônibus da Barra Funda, em São Paulo, com 15 quilos de cocaína.

A droga, segundo o MPF, seria parte da remessa de 200 quilos entregues pelo colombiano radicado na Bolívia José Isauro Andrade Pardo ao também nigeriano Christopher Izebkale, o Tony - ambos são réus em outro processo, ainda não julgado. A droga seria distribuída na Europa pelo croata Vidomir Jovicic, e a divisão em várias remessas menores buscava minimizar o risco de perda em caso de apreensão.

Massao foi quem determinou a entrega do entorpecente, conforme diálogos captados pela PF. “Entreguei 220 (quilos). 200 do Negrito (Christopher)”, diz o advogado a Pardo cinco dias antes da prisão, conforme consta no inquérito policial. Dois dias após o flagrante, Massao telefona novamente ao colombiano e comenta o caso. Diz que “fez um serviço (entregou droga, segundo a PF) para ele e ele se enrolou todo”. Afirma ainda que “eles (o croata e o nigeriano Christopher) não sabem trabalhar”.

“Há indícios concretos e concatenados no sentido de que Massao tinha papel importante na Orcrim (organização criminosa), promovendo a entrada e o armazenamento de droga no País, fazendo o acerto financeiro e repassando a pecúnia ao estrangeiro José Isauro Pardo”, escreve a juíza Adriana. Para a magistrada, “Massao agiu com dolo intenso em prejuízo da sociedade”. E completa: “O motivo do crime não foi outro que a obtenção de lucro fácil. A atividade de tráfico foi ampla e complexa, incluindo a utilização de bases no exterior e logística de transporte no Brasil”.

Além de Massao, também foram condenados Jovicic (9 anos e 4 meses de prisão) e Antonio Clébio Duarte de Carvalho (7 anos de reclusão), “mula” que entregou os 15 quilos de cocaína a Anayo. Esse último é réu em ação por tráfico na Justiça Estadual - na ação da 5ª Vara Federal, acabou absolvido da acusação de associação para o tráfico.

Prisão domiciliar

Massao, chegou a ser preso preventivamente na Penitenciária 2 de Tremembé em novembro de 2010, quando foi desencadeada a Operação Deserto - na época, era assessor jurídico da Câmara de Vereadores de Pereira Barreto. Mas, em abril do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a ele prisão domiciliar, em caráter liminar. A defesa de Massao argumentou que, por ser advogado, ele teria direito a transferência para sala de Estado-Maior e, na falta dessa, a prisão domiciliar.

A advogada de Massao, Thaís Pires de Camargo Rego Monteiro, disse anteontem que ainda não havia sido citada oficialmente sobre a decisão judicial, mas adiantou que irá recorrer. Graças à liminar do STF, Massao permanecerá em prisão domiciliar. Os advogados dos demais réus, todos presos, não foram localizados ontem.





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