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São José do Rio Preto, 10 de Março, 2010 - 3:03
Rio Preto registra um acidente por hora no trabalho em 2009

Hélton Souza e Allan de Abreu

 

Edvaldo Santos
R.L.C., teve problemas na coluna porque carregou peso em excesso: longe do trabalho
A cada hora, uma pessoa sofre acidente de trabalho em Rio Preto. No ano passado, 8.450 trabalhadores ficaram feridos, tiveram membros amputados e foram afastados do serviço. Nos últimos três anos, 14 pessoas morreram. A última morte foi registrada na quinta-feira, dia 4. Os dados são do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) e aponta que as atividades mais perigosas estão nas áreas da metalúrgica, hospitais, clínicas e laboratórios e construção civil.

Os números do Cerest apontam que mais de 10% dos acidentes são considerados graves, quando envolve amputação e mais de 30 dias de afastamento. Outros 10% dos feridos são menores de 18 anos. De janeiro de 2007 a dezembro de 2009, 29.989 pessoas foram vítimas de acidentes de trabalho. Para Iara Lúcia de Lima, coordenadora do centro, o índice é preocupante. “Isso significa falta de proteção nas máquinas, desorganização no trabalho, falta de espaço, barulho e despreocupação de atendimento adequado ao trabalhador.”

A coordenadora diz que as ocorrências mais comuns são de amputação de membros como as mãos, dedos e braços, além de ferimentos com objetos cortantes, corpo estranho na pele e olho e afastamento por carregamento de peso. O metalúrgico R.L.C., 28 anos, está afastado do trabalho desde 2007, quando foi constatada uma hérnia nas costas, resultado do esforço repetitivo e má postura durante carregamento de peso na empresa em que trabalha. Segundo ele, a indústria não fornecia nenhum tipo de orientação ou alongamento durante o expediente de trabalho.

Na última quinta-feira, o auxiliar de serviços gerais Lucas Henrique Padovan, 24 anos, morreu após ser atingido por uma peça de concreto pesando aproximadamente três toneladas. O funcionário operava uma máquina usada para movimentar vigas de concreto na empresa Protendit Pré-Moldados, no Distrito Industrial. Ao acionar o equipamento, atingiu uma peça que estava em pé, atrás dele. Iara não acredita em negligência quando se fala em acidente de trabalho. “Se a pessoa conhece o risco, ela nunca vai querer se machucar. Acontece é que muitos funcionários recebem os equipamentos de segurança, mas não são treinados. É impossível alguém querer ter um membro amputado.”

Para evitar que mais pessoas sejam vítimas de acidente de trabalho, Iara conta que o Cerest tem visitado as empresas e orientado os empresários a adequar equipamentos e oferecer melhores condições de trabalho. De acordo com ela, em 2008, quando houve um crescimento dos acidentes envolvendo máquinas de prensas e similares, foi oferecido curso de capacitação aos funcionários. “Nosso objetivo não é autuar as empresas, mas conscientizar sobre a importância de oferecer equipamentos, segurança e qualidade no local de trabalho.”

Estatística é subnotificada

O gerente regional do Trabalho em Rio Preto, Robério Caffagni, diz que é possível que haja subnotificação nas estatísticas. “Muitos casos nem chegam à rede pública de saúde, são resolvidos na própria empresa. E também não se pode desconsiderar os empregados que, temendo retaliação, sonegam o local do acidente, dizendo que se machucaram fora do ambiente de trabalho.”

Mesmo assim, Caffagni diz que o grande número de acidentes se deve à falta de maior conscientização dos patrões sobre os riscos a que os empregados estão expostos. “Recentemente, interditamos uma prensa de uma indústria que processa alumínio, mas no dia seguinte o dono ordenou que o operário continuasse a operar a máquina. O empregado acabou perdendo quatro dedos de uma mão”, diz. A empresa recebeu 47 autos de infração - os valores das multas não foram informados.

A Gerência Regional do Trabalho conta com cinco auditores para fiscalizar as condições de trabalho na região. “Em casos de acidentes mais graves ou que resultem em morte, fazemos uma varredura na empresa para detectar problemas nas condições de segurança”, afirma o gerente. O promotor do Trabalho Élisson Santos disse que não poderia comentar os dados por estar há pouco tempo na Procuradoria do Trabalho em Rio Preto. O Diário não conseguiu contato com representantes dos sindicatos dos metalúrgicos e dos trabalhadores da construção civil no município.



 
     
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