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São José do Rio Preto, 26 de Janeiro, 2010 - 1:32
Marido mata mulher e filhas a marretadas

Hélton Souza e Graziela Delalibera

Rubens Cardia
Os corpos da mulher Lucelena Justino, 40 anos, e das filhas, Tatiana, 23, e Mariana, 18, foram enterrados ontem à tarde
O aposentado Nilson de Andrade Justino, 47 anos, foi preso na noite de anteontem acusado de matar a mulher e as duas filhas a marretadas e, em seguida, decapitá-las. Exame necroscópico apontou que as mortes foram causadas por traumatismo craniano entre 36 e 48 horas antes de os corpos serem achados na casa da família, no Solo Sagrado, zona norte de Rio Preto. Durante todo esse período, Justino teria ficado trancado em casa junto com os corpos.


O triplo homicídio, cometido entre o fim da manhã e a tarde de sábado, segundo estimativa dos peritos do Instituto Médico Legal (IML), só foi descoberto na noite de domingo, quando uma vizinha conseguiu entrar na casa. Ela encontrou Lucelena de Sousa Pinheiro Andrade Justino, 40 anos, e as filhas Tatiana Pinheiro Justino, 23, e Mariana Pinheiro Justino, 18, mortas.

A família frequentava a Congregação Cristã do Brasil, na avenida Mirassolândia. Mariana era auxiliar do culto de jovens e Tatiana tinha paralisia cerebral, não andava e nem falava, por isso eram conhecidas. Desde sábado os amigos e familiares tentavam contato com as três, mas os celulares estavam desligados e Justino não deixava ninguém entrar na casa.

Portador de esquizofrenia, já havia ameaçado a mulher. Em razão da doença, os membros da igreja suspeitaram que algo poderia ter acontecido. “Ele perguntou para um desconhecido qual crime daria mais tempo de cadeia: estupro ou homicídio. Essa pessoa estranhou a pergunta e procurou o porteiro da igreja para contar. Uma turma da igreja então se reuniu e foi à casa dele na noite de domingo”, contou Jhonatas Garcia, amigo das vítimas.

O grupo tentou entrar na casa, mas Justino se negou a atender os fiéis. Rosangela Flausino Corrêa, que mora na mesma rua da família, disse que ela e o filho conseguiram abrir o portão e, ao entrar na casa, encontraram o aposentado sentado. “Perguntei onde estava a Lucelena e ele respondeu: ‘aí dentro’. Quando vi as meninas e ela mortas, saí correndo e meu filho ligou para a polícia e o pessoal segurou ele para não fugir.”

Lucelena e Mariana estavam mortas no quarto da menina, enquanto Tatiana foi encontrada deitada num colchão da sala. “Tinha sangue para todo lado do quarto e estava um mau cheiro insuportável”, disse Leonardo dos Santos. Quando os policiais chegaram na casa, Justino estava sentado na varanda. Ele não reagiu à prisão e foi levado para uma cela isolada na carceragem da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

A delegada Margarete Franco, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) abriu inquérito para investigar o crime. “O perito do Instituto Médico Legal (IML) informou que elas morreram de tramatismo craniano, então a suspeita é que ela tenha matado as três usando uma marreta e depois separado as cabeças usando uma serra de pedreiro”, contou a delegada.

Ao ser ouvido, logo após a prisão, apresentou versões desconexas. Ora dizia que havia cometido o crime na quarta-feira, ora dizia que não havia matado ninguém e que todas estavam vivas. Os corpos de mãe e filhas foram enterrados às 15h de ontem no Cemitério São João Batista.





Reprodução
Nilson de Andrade Justino sofria de distúrbios mentais
Primeira crise foi há seis anos

Segundo parentes e amigos ouvidos pelo Diário, Nilson de Andrade Justino sofria de distúrbios mentais desde que foi vítima de um assalto a ônibus, quando trabalhava como cobrador na Santa Luzia. Justino, que praticava capoeira e gostava de artes marciais quando era jovem, teve uma de suas primeiras crises há cerca de seis anos. Ficou internado no Hospital Bezerra de Menezes por cerca de dez dias.

Ele teria tido um outro surto cerca de três anos depois. “Nessa época ele vestiu o quimono e começou a esmurrar árvores. Também passava a noite em cima do telhado”, disse uma amiga da família que preferiu não se identificar. “Como ele foi preparado para o combate, com o assalto tudo isso desmoronou porque ele não pôde reagir, provocando uma desorganização em sua identidade”, avalia o professor de psicologia social da Unesp Luiz Carlos da Rocha.

Justino pode ir para casa de custódia

O psiquiatra forense Júlio César Fontana Rosa, da USP, disse que, se comprovada a insanidade mental de Nilson Andrade Justino, ele não ficará preso, mas internado em uma casa de custódia do Estado ou manicômio judiciário. De acordo com ele, a delegada ou o advogado do acusado podem pedir a instauração de investigação de insanidade mental e, com isso, requisitar que dois peritos judiciais façam uma avaliação no aposentado.

“Quando é instaurada esse tipo de apuração, o inquérito policial é suspenso e aguarda-se o laudo. Se comprovar que o acusado é plenamente inimputável, ele vai para uma casa de custódia”, disse. Na casa de custódia, Justino será avaliado uma vez por ano por um médico. Enquanto ele for considerado um risco para a sociedade, ficará internado. No entanto, se o laudo constatar que Justino é semi-imputável (quando sofre de um distúrbio, mas tem consciência de seus atos), ele será julgado em júri popular, mas poderá ter a pena reduzida, segundo entendimento do juiz. A pena para homicídio é de 12 a 30 anos de cadeia.

 
     
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