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São José do Rio Preto, 20 de Janeiro, 2010 - 1:28
Defesa Civil avalia estrago e entrega relatório para Serra

Allan de Abreu, Bruno Xavier e Graziela Delalibera

Carlos Chimba
Canteiro central da avenida Alberto Andaló destruído: Defesa Civil faz relatório sobre prejuízos
A Defesa Civil do Estado esteve ontem em Rio Preto para avaliar os estragos provocados pela enchente de segunda-feira. O objetivo é produzir um laudo que será encaminhado ainda hoje ao governador José Serra, a quem caberá decidir se homologa ou não o estado de calamidade decretado anteontem pelo prefeito Valdomiro Lopes.

Se acatar o decreto, Serra e Valdomiro devem iniciar negociações para a liberação de verbas do governo estadual. O documento, não finalizado até as 20h de ontem, deve trazer uma estimativa oficial do custo para reparar os danos causados pela chuva. Anteontem, Valdomiro estimou o prejuízo em R$ 40 milhões.

Além da contabilidade dos prejuízos, o documento deve trazer um laudo detalhado dos estragos causados pela chuva na cidade. Ontem pela manhã o capitão Tony Sakay, da Defesa Civil estadual, esteve nos locais mais afetados pela força das águas, como o cruzamento da avenida José Munia com a Abrão Thomé. “Ele fotografou cada ponto”, disse Cláudio Furlaneto, presidente da Defesa Civil de Rio Preto.

Se o estado de calamidade, válido por 180 dias, for homologado por Serra, a Prefeitura também poderá pleitear recursos no Ministério da Integração Nacional, segundo Valdomiro. Outra vantagem do decreto é a contratação de empreiteiras para as obras de recuperação da cidade sem a necessidade de licitação.

Conjunto de ações

O alargamento da calha do rio Preto, obra antienchente alardeada há seis meses pelo prefeito Valdomiro Lopes e que ainda não saiu do papel, não basta para resolver o problema dos alagamentos na área central da cidade. “É necessário um conjunto de ações ambientais e de engenharia”, diz o engenheiro Nelson Sansão, que tem discutido o tema em palestras com representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Turvo/Grande.

O alargamento do rio Preto, em uma extensão de 900 metros no bairro Anchieta, vai custar R$ 32,7 milhões aos cofres públicos. 95% do valor será repassado pelo governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - a verba restante será do município. Seis meses após o anúncio da obra, porém, o dinheiro ainda não foi liberado.

Para Sansão, além do alargamento da calha será necessário construir piscinões nos córregos Canela e Borá, aumentar o diâmetro da tubulação desses dois córregos que passam sob as avenidas Alberto Andaló e Bady Bassitt e construir bocas de lobo.

De acordo com o engenheiro Paulo Romera, do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), que estudou o problema durante três anos, a falta de redes coletoras nas vias transversais à Bady e Andaló são os principais problemas. Isso porque, sem elas, a água escorre em grande velocidade até as avenidas, o que agrava as enxurradas. As bocas de lobo captariam essa árua e mandariam direto para o córrego canalizado, evitando acúmulo sobre as vias. Segundo ele, seria necessária a construção de cerca de 18 mil bueiros na área central.

Quando ao meio ambiente, Sansão diz ser necessário recuperar parte da mata ciliar degrada ao longo do Borá, Canela e rio Preto. Além disso, seria preciso intensificar a construção de curvas de nível na área rural, para segurar a água da chuva nesses locais.

“Rio Preto convive com enchentes desde 1910. Com o crescimento da cidade e o descaso do poder público, evoluiu para o que vimos na segunda-feira”, afirma o engenheiro Sansão. O prefeito Valdomiro admite a necessidade de mais obras além da intervenção no rio Preto, como o alargamento dos canais nas avenidas. Essas obras, segundo ele, custariam R$ 100 milhões.

Sérgio Menezes
Funcionários da Prefeitura e de usina fazem limpeza em conjunto
Prefeitura tira 500 t de entulho da rua

A secretaria de Serviços Gerais retirou cerca de 500 toneladas de entulho das ruas entre segunda-feira e ontem. O volume equivale a 35 caminhões-caçamba carregados de lama, pedras, galhos e grama.

Os trabalhos de limpeza estão concentrados inicialmente nas avenidas Bady Bassitt e Alberto Andaló. Segundo o secretário da pasta, Paulo Pauléra, nessas duas vias os trabalhos deverão ser concluídos até sábado. Após a retirada do entulho, as avenidas serão lavadas com a ajuda de caminhões-pipa.

Os trabalhos são realizados por 500 trabalhadores da Secretaria de Serviços Gerais e outros cem d a Usina Guarani, que disponibilizou funcionários para ajudar a Prefeitura. De acordo comPauléra, o entulho retirado é encaminhado à usina de reciclagem, e a grama e galhos a uma área da Prefeitura dentro do IPA (Instituto Penal Agrícola).

Na Bady Bassitt, mais afetada, o trabalho é mais complexo. O trabalho de limpeza começou no sentido baixo-centro e é feito em etapas, de quatro em quatro quarteirões. Para facilitar o trabalho, cada trecho é interditado durante a limpeza. A Secretaria conta com oreforço de cerca de 30 homens da Guarda Municipal para fechar as ruas e orientar o trânsito. Segundo o secretário de Serviços Gerais, o ideal é que os motoristas evitem esses corredores durante o trabalho para facilitar a limpeza.

 
     
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