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Calamidade pública
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São José do Rio Preto, 19 de Janeiro, 2010 - 1:28
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Temporal deixa 120 mil sem água
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Hélton Souza, Allan de Abreu e Graziela Delalibera
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Carlos Chimba
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Cena da Represa Municipal, que transbordou com o excesso de chuva: mau tempo deixou pelo menos 120 mil pessoas com problemas de abastecimento de água
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Pelo menos 120 mil moradores ficaram sem água depois que a Estação de Tratamento de Água (ETA) foi inundada durante o temporal de ontem. Sete bombas que distribuem a água para Rio Preto foram queimadas. Bairros como Boa Vista, Redentora, Jardim Alto Rio Preto, Vila Ercília, Jardim Maracanã, área central, entre outros, foram afetados.
A assessoria de imprensa da prefeitura acredita, porém, que o número de pessoas sem água pode ser maior, já que o 0800 do Semae não funcionou durante todo o dia de ontem. Segundo o superintendente do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), Antônio Tavares Ranzani, o abastecimento só deve começar a ser normalizado amanhã. “Nossos técnicos estão trabalhando 24 horas para normalizar a situação.” Cerca de 60 funcionários trabalham para restabelecer o sistema.
A água invadiu a estação por volta das 4h, e atingiu mais de dois metros de altura. Além das sete bombas, o painel de controle também parou de funcionar. De acordo com o gerente de operações do Semae, Alessandro Toscano, serão necessários cerca de R$ 2 milhões para consertar os equipamentos.
Clique aqui e assista na TV Diário cenas da destruição causada pela chuva
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Sérgio Menezes
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Mulher olha caminhões no Serviço Municipal de Água: lama
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Lama
O prejuízo, no entanto, não se resumiu ao poder público. “Nem dá para tirar a lama de frente da loja. O jeito vai ser contratar um caminhão-pipa para ver se consigo pelo menos voltar a abrir as portas da lanchonete”, conta o comerciante Maurílio Campos Marques, 32 anos, que estava com as torneiras secas na manhã de ontem. Além dos funcionários da autarquia, a Prefeitura contratou uma empresa terceirizada para trabalhar nas ruas de Rio Preto e dar suporte nos pontos mais críticos. Ao todo, 17 equipes estão nas ruas e avenidas para recuperar os pontos de retorno de esgoto.
Outras duas equipes do Semae, que trabalharam durante a madrugada e manhã de ontem, estão em estado de alerta e podem retornar às atividades a qualquer possibilidade de chuva. Por conta dos prejuízos, a prefeitura efetuou uma compra emergencial de sopradores. O equipamento será usado para secar as bombas das caixas- d’água e tentar identificar se os motores foram queimados para depois ser efetuada a troca.
Jamile Nassib Balduíno, proprietária da Oficial Informática, que fica na avenida Bady Bassitt, precisou interromper a limpeza da loja por volta das 14h por causa da falta de água. “Deu tempo de limpar só duas salas, e o resto ficou no barro. Agora o negócio vai ser esperar até amanhã.” A empresária contou que a água e a lama trouxeram para o interior do estabelecimento baratas e ratos, além do mau cheiro. “Com a água que teve de manhã conseguimos tirar somente o grosso. Além do prejuízo material, não conseguimos fazer a limpeza como deveria, e agora tenho medo de doenças.”
Energia
Devido ao temporal, 18 bairros ficaram cinco horas e quarenta minutos sem energia elétrica ontem, segundo a CPFL Paulista. Oitos postes e cinco transformadores da empresa foram atingidos.
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Carlos Chimba
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Banca de revista que foi arrastada pela força das águas: prejuízo
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Dono de banca tem dano de R$ 60 mil
Trinta anos de trabalho e parte de uma vida que se foram junto com a enchente. Esse é o estrago estimado pelo jornaleiro Rui Fernando Roberti, dono da banca do Pastorinho, na avenida Bady Bassitt. Sua banca foi arrastada pela força da água na madrugada de ontem e ficou presa na linha férrea, a cerca de 200 metros do local. Roberti calcula que o prejuízo gira em torno de R$ 60 mil.
Ele soube do fato pela sua mulher, Maria Luiza, que, como todos os dias, chegou para abrir a banca por volta das 7h30. “Ela me ligou contando que não tinha sobrado nada. Vim aqui de teimoso”, disse, enquanto via o caos em que se encontrava a avenida na manhã de ontem. Toda a mercadoria foi destruída e a banca ficou completamente retorcida.
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Sérgio Menezes
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Motocicletas atingidas pela lama na loja Dafra: prejuízo estimado em R$ 400 mil
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Dafra estima R$ 420 mil de prejuízo
Quando a gerente da Dafra Motos, Juliana Batista, foi acionada pela empresa de segurança por volta das 5h30 de ontem, imaginava que a queda de um semáforo tinha quebrado uma vidraça da loja, que fica na avenida Bady Basssit. “Cheguei aqui mas não conseguia atravessar a avenida por causa da enxurrada. A loja estava toda destruída, e as motos tinham sido arrastadas para fora. Foi um desespero total.”
A água atingiu cerca de 70 motos da concessionária, das quais 11 foram arrastadas até a linha férrea. “Recuperamos apenas nove, e outras duas sumiram. Todas são os modelos mais caros”, disse Juliana. Cada moto da marca custa de R$ 3 mil a R$ 6 mil. O prejuízo pode chegar a R$ 420 mil. Juliana disse ainda não conseguiu estimar o prejuízo. O seguro foi acionado e deve fazer um levantamento hoje. A loja foi isolada e contratou segurança para passar a noite. Os clientes que precisarem de atendimentos serão orientados a procurar a loja de Catanduva, já que não é possível estimar quando o funcionamento será normalizado. Também houve estrago em computadores, além de sumiço de armários, capacetes e acessórios.
Na São Geraldo Tintas, os funcionários passaram a manhã inteira trabalhando para retirar a lama e a água, que subiu até a altura do balcão. O gerente da loja, Paulo de Jesus, mora em outra cidade e nem tinha idéia do estrago quando chegou para trabalhar. “Nunca tinha visto um negócio desses. Nosso prejuízo só foi material, poderia ter sido pior.”
Mutirão
Por causa da chuva, o supermercado Pastorinho não abriu pela manhã. Todos os funcionários fizeram mutirão para limpar a água e a lama, que invadiu inclusive o estacionamento. A água subiu cerca de 40 centímetros. Na loja Bebê Fujão, a proprietária Kelly da Cunha estima que perdeu 70% das mercadorias, entre roupas, carrinhos e móveis para quarto de bebê.
A calçada que fica em frente ao estabelecimento foi totalmente arrancada. “Acionei o seguro e não pude mexer em nada. Do jeito que encontrei vai ficar.” O telhado da loja também foi destruído. “A água nunca tinha subido os degraus da loja. Em dez anos que estou aqui, foi a primeira vez que vi um negócio desses, mas graças a Deus que estamos todos vivos”, afirmou.
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Carlos Chimba
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Ponte da Abrão Thomé com a José Munia foi arrastada pelas águas
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Cenário na cidade é de caos e destruição
Para quem circulou pelas vias de Rio Preto ontem pela manhã, o cenário foi de caos. A força e a intensidade das águas da madrugada abriram pelo menos quatro crateras nas principais avenidas da cidade. Na avenida Juscelino Kubitschek com a rua Xingu, um buraco de cerca 30 metros de diâmetro chamava a atenção dos motoristas que vinham da região central.
“Aproveitei o horário de almoço para dar uma circulada e tirar fotos dos buracos”, contou o analista de sistemas Cézar Benedito de Oliveira Júnior, 21, que passava de motocicleta pela Juscelino e parou para fotografar, por volta das 13h. O asfalto também afundou no outro sentido da avenida, na altura do número 3.000. Neste local, já havia uma cratera, ampliada agora pela força das enxurradas.
Um dos pontos mais críticos provocados pela correnteza foi na avenida José Munia com a rua Abrão Thomé, em frente ao Centro de Eventos, onde o asfalto cedeu. Uma equipe da CPFL fez reparos no local, e a Telefônica informou que mantém funcionários fazendo monitoramento 24 horas para evitar a suspensão dos serviços, já que há risco de ocorrer problemas nos cabos, que alimentam cerca de 30 mil assinantes.
O asfalto também cedeu na José Munia com a rua Emília Joaquina Castro, na altura do Hotel Saint Paul. “Ainda não estou acreditando no que vejo. Por todo lado eu vejo estrago, nem parece a Rio Preto que eu conheço, uma pena”, disse a dona de casa Priscila Pereira, 28, que passava pela região.
Tristeza
No entroncamento da avenida Bady Bassit com a Pedro Amaral, a lama e a destruição despertavam tanta curiosidade quanto o número de homens trabalhando e o ruído das máquinas. “Eu cheguei ao Centro de madrugada. Entro no serviço às 5h. Nunca tinha visto uma coisa dessas. É muito triste”, disse o porteiro José dos Santos, 54.
O terminal de ônibus da Bady Bassit virou um amontoado de barro e os usuários mais desavisados também foram pegos de surpresa.Outros que precisaram atravessar a pé a avenida Philadelpho Gouvêa Neto ficaram impressionados com a quantidade de água na via, interditada na região próxima à Represa Municipal.
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