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Livro
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São José do Rio Preto, 1 de Fevereiro, 2012 - 1:45
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Victor Ferraz demonstra maturidade em “O Melhor Divã”
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Guilherme Baffi
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Victor Ferraz, de Olímpia, demonstra, aos 17anos, maturidade acima da média em seu livro
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Transformar inquietudes cotidianas em imagens que provoquem sensações, estranhamentos, reflexões. Dedicar-se a essa tarefa por meio da poesia não é tarefa fácil, mas parece não ter intimidado um adolescente de 17 anos da cidade de Olímpia. Enquanto meninos e meninas da idade dele são mais facilmente identificados como leitores vorazes de best-sellers vampirescos, Victor Ferraz descobriu prazer e alívio fazendo poemas.
Apesar de ser bastante envolvido com leitura desde a infância, período em que também arriscou alguns escritos, foi em 2010 que ele começou a se dedicar de maneira mais intensa à produção literária. Seu trabalho já rendeu o recém-lançado livro “O Melhor Divã” (Editora Vitrine Literária, 126 páginas). Na obra, Ferraz fala das questões que o provocam. “O tema é a nossa existência, um sentido para isso. É sobre o que mais falo e o que mais me incomoda.
É sobre o que vai ser daqui para frente, a expectativa da minha vida, se ela vai tomar conta de mim ou se eu vou segurá-la.” Ou como bem resume Daniela Soares Portela, doutora em teoria literária e professora de Ferraz no ensino médio: “ele adora a experiência fragmentada do homem contemporâneo”. E segue com um elogio: “ele não é convencional, é ousado.”
Para o jovem, escrever é um desabafo. “É um alívio. É como se tivesse um problema, algo que te incomoda muito, e você conseguisse resolver. É até uma fuga.” As questões próprias da adolescência ajudaram a transformar o menino em poeta. “Não saber o que se vai fazer exatamente da vida, ser adolescente numa manhã e no outro dia tomar uma decisão que vai influenciar a vida toda ajudou bastante na inspiração.” Contudo, apesar de bastante amparada em suas experiências pessoais, a obra de Ferraz tem traços maduros para um garoto de 17 anos.
O adolescente já leu Franz Kafka e Charles Bukowski. Atualmente, devora também poetas nacionais como Carlos Drummond de Andrade. Mas quando fala em poetas, não se esquece de citar Arthur Rimbaud (1854 -1891), autor que escreveu obras importantes entre os 15 e 18 anos, lembrado, muitas vezes, por um estilo agressivo. O poeta de Olímpia usa frases do escritor francês para abrir as quatro partes de “O Melhor Divã”.
Na opinião de Ferraz, as “comparações” entre ele e Rimbaud não ultrapassam a vida literária iniciada na adolescência e o fato de os dois não serem originários de grandes centros - Rimbaud nasceu em Charleville-Mézières. “Não tento fazer algo parecido com o dele. Leio, absorvo, digiro e faço da minha maneira.”Os primeiros poemas que fez ele mostrou para a avó, de 80 anos, que também escreve alguns. Fazia tudo sem pretensões de reunir seus textos em livro.
A professora Daniela foi forte incentivadora para que isso pudesse ocorrer. Mas como se dá agora a relação dele com uma gama maior de leitores? “Eu escrevo o que estou sentindo, o que me aflige, mas não passo isso de forma direta, o que abre o campo para interpretação. Cada poema vai atingir uma pessoa de uma maneira, diferente de quando eu escrevi. E essas interpretações são válidas.”
Outras facetas
Para completar-se enquanto poeta, como ele mesmo define, Victor Ferraz assina alguns textos com pseudônimos - André, Gina e Vic Ferraz. “André e Gina eu tirei do mito grego da androginia, do corpo com dois sexos que, dividido, foi transformado em andros, masculino, viril, e gina, feminina, sensível. Quando essas partes se encontram, seria o ser completo. Vic Ferraz seria esse ser.”
Ferraz continua se dedicando à produção de poemas, mas também já tem algumas ideias para o primeiro romance. A história é de um garoto que foge das relações pessoais e uma colega de classe dele que fica intrigada com isso. Ela repense essa situação,vivida aos 17, 18 anos, quatro décadas mais tarde.
Mesmo com o prazer de aos 17 anos já ter o próprio livro em mãos, Ferraz não vê a literatura como um futuro caminho profissional. Ele deseja fazer faculdade de arquitetura. “Mas não penso em parar de escrever.” Afinal, “literatura não é só livro, é a vida”.
Serviço
O Melhor Divã, de Victor Ferraz. Pedidos do livro podem ser feitos pelo email . Cada exemplar custa R$20,00.
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