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Temperinho novo
São José do Rio Preto, 22 de Janeiro, 2012 - 1:44
No território do sexo, vale a pena experimentar para reacender a chama

Vívian Lima

Lézio Jr.
Você conhece alguém e, sem compreender racionalmente o que ocorre, passa a considerar essa pessoa capaz de resolver suas necessidades emocionais, amorosas e sexuais. Complicado? Não. A essa emoção, que não sabemos identificar a origem, chamamos de “química”, uma espécie de palavrinha mágica que explica o fato de um casal se dar tão bem em diversas esferas e, claro, na vida sexual. Mas nos relacionamentos longos, duradouros, a chama que promoveu o encontro do casal pode, por vezes, ficar um pouco apagadinha e tornar o sexo morno.

Para reacendê-la, é preciso empenho. “Inovar-se, reinventar-se, mas sem necessidade de copiar os outros.É mais uma questão de descobertas do que de receitas prontas”, diz a psicóloga especialista em terapia de casal Tina Zampieri. E ela complementa: “Se um temperinho novo atiça o apetite, também no território do sexo vale experimentar. Um gesto novo, um lugar diferente, um som, um sabor.” E segue: “comece com um olho no olho, faça um elogio, cultive segredos mútuos, descubra onde o toque é mais agradável, vá a um sexshop, ataque, ame.”

O clima quente do início do relacionamento pode ganhar novos moldes com o passar dos anos. “O fervor sexual pode se modificar em novos modos de se fazer mais que sexo. Até o brilho dos olhos pode acender a chama. Mas se deixarem que as dificuldades da vida suplantem o prazer, tudo pode estar perdido sob escombros, sem química que segure”, afirma Tina. Querer que o ardor sexual inicial volte, sem entender que ele se modificou com o passar do tempo, pode ser danoso.

“Vários casais querem que aquele fervor volte, ficam esperando por isso e acabam não valorizando o que acontece na sequência do relacionamento”, diz a psicóloga Cláudia Longhi. “Isso (a modificação do fervor sexual) não é sinônimo de que a relação não é boa e que não se possa resgatar a intimidade e o prazer.” A psicóloga Débora Dumbra Bonini afirma que a química sexual se dá desde o olhar ao primeiro toque. Por isso, a necessidade de estar atento a todas as situações de casal e não somente à relação sexual.

Ela afirma que muito da química sexual tem relação com a forma como o casal se relaciona fora da cama. “O que deixa a cama quente é a afinidade fora dela.” Para Débora, fazer algo para agradar o outro é um ingrediente interessante, desde que você não se desagrade com isso. Forçar uma situação - como, por exemplo, fazer algo que o deixe descontente só para realizar a fantasia sexual do parceiro - é prejudicial. “Só vai ser prazeroso se for algo bom para os dois.”

Desinteresse

O desinteresse pelo sexo não está obrigatoriamente ligado ao desinteresse pelo parceiro. Estresse, depressão, perdas e decepções dentro e fora do relacionamento podem acabar com o desejo. Para reverter essa situação, uma conversa franca favorece as providências mais adequadas. O psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), diz que algumas crenças acerca do sexo podem impedir que algumas situações desfavoráveis sejam modificadas.

“Um fator ‘simples’ é a crença de que sexo é natural, não precisa ser aprendido e basta ‘fazer’. Mas não é assim que ocorre. Com a crença do sexo ser um comportamento natural, as pessoas ficam no aguardo de que o problema se resolva, passe e deixe de existir.”Para ele, os casais precisam aprender a utilizar o compromisso do relacionamento a seu favor, para vivenciar emoções e sentir desejo sexual. “O desejo sexual é um elemento que precisar ser constantemente produzido.

Quando um dos cônjuges deixa de investir nesta produção, o desejo sexual diminuirá e sumirá.”Por isso, é importante encontrar espaço na agenda, na vida, para alimentar o desejo sexual. “Nesse ritmo frenético que a rotina proporciona, cada um tem de encontrar aquilo que gosta e buscar estratégias para que o desejo apareça com mais frequência”, diz Cláudia.


O sexo como espaço de descobertas

Um gosta de meiguice, o outro de pegadas vigorosas. Um valoriza as preliminares, enquanto o outro gosta de ir direto ao ponto. Como as preferências nem sempre são iguais na hora do sexo, encare o relacionamento com o parceiro como um espaço de descobertas. “Esse é um jogo de perde-ganha, em que ceder pode significar ganhar, tanto em intimidade como em prazer. Em se tratando de sexo, nunca se acaba de aprender sobre si e sobre o outro”, diz Tina Zampieri.

Conversar sobre as preferências sexuais com o parceiro é um passo importante para que os dois se realizem. Para a psicóloga Cláudia Longhi, é preciso se dar a oportunidade de vivenciar a proposta do parceiro para confirmar se a aprova ou não. “Sinta, descubra se gosta. Se não gostar, posicione-se na relação, respeite-se. Busquem outras possibilidades juntos, em um rearranjo.”

Muitas vezes, surge a dúvida sobre qual “postura” assumir na relação sexual. Ser “moderninho”, apostando em novidades, brincadeiras mirabolantes, ou ser tradicional? Não há uma receita.“Existem casais que não farão bom uso de novidades. Para estes casais, tentar novidades será uma situação de constrangimento e mal-estar”, diz o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr.

Segundo ele, a maioria das pessoas desenvolve padrões de comportamentos sexuais entre os 15 e 20 anos e, após essa idade, podem apresentar dificuldade em mudá-los. Mas quando se fala em casal, não se pode esquecer de que são necessários ajustes. “Manter os padrões não é errado. Errado é sofrer para manter um padrão que não seja funcional para um casal.”



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