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Papai Noel: o negociador
São José do Rio Preto, 17 de Dezembro, 2011 - 1:44
Saiba qual a forma correta de barganhar os presentes com as crianças

Daniela Fenti e Vívian Lima

Lézio Júnior/Editoria de Arte
“Você se comportou bem neste ano?” A pergunta, tipicamente atribuída ao Papai Noel antes de distribuir seus presentes, é uma faca de dois gumes para a educação infantil. Segundo a psicóloga especializada em psicopedagogia Cristiane Bertucci Nicoleti, a negociação entre pais e filhos pode ser negativa se usada como chantagem. “As crianças precisam ser corrigidas para saber o que é certo e errado. Muita gente não tem paciência e começa a fazer ameaças. Se a criança não come em um restaurante, por exemplo, o pai ou a mãe logo diz que vai contar para o Papai Noel. Isso não é saudável”, alerta.

Por outro lado, é possível estimular conquistas. Uma criança que melhorou suas notas na escola ou que abandonou a mamadeira merece recompensa. “A negociação é válida se a criança consegue perceber a necessidade de se esforçar para alcançar o que deseja.” Uma boa dica é não combinar nada de última hora. As concessões devem ser feitas com, no mínimo, seis meses de antecedência, para que haja tempo de assimilar o acordo.

“Se do dia para a noite a criança tiver de entregar a chupeta para o Papai Noel, vai ficar com ódio dele.” Outro cuidado importante é prestar atenção às próprias palavras. Em geral, os adultos se esquecem das promessas, mas os pequenos, não. Por isso, os pais se tornam mentirosos e a tática perde o efeito. “Caso o filho não cumpra a parte dele, o pedido não deve ser acatado, de jeito nenhum. O ideal é comprar só uma lembrancinha e explicar o motivo da substituição.”

Já se a vontade extrapola as condições financeiras da família, é fundamental uma conversa franca e direta. “Não faça dívidas para comprar coisas caras. Explique que o Papai Noel tem de presentear muita gente e, por isso, é preciso economizar. As frustrações fazem parte da vida. Não é sempre que seu chefe vai poder lhe dar um aumento.”

Entre as formas de ajudar o bom velhinho a incrementar sua sacola, a molecada pode ser incentivada a guardar moedas durante todo o ano e abrir mão de pequenos mimos quando se vai ao shopping, por exemplo, longe de datas festivas. Lembre-se: levar herdeiros às compras pode transformá-los em pessoas consumistas. Em vez disso, use a fórmula da vovó: preserve a surpresa na noite de Natal.

Pacote de amor

Lúcia Helena Moriel Romero Costa, psicóloga que segue a linha psicanalítica, acrescenta que, diante da vida profissional agitada, a maioria da população se sente culpada e tem medo de colocar limites para os filhos. Assim, a obediência, que deveria ser algo natural, torna-se interesseira. “A dupla tem de assumir a mesma postura. Não é não. Os limites traçam o contorno da personalidade de cada um.”

Lúcia afirma que, independentemente do que o amigo ou o vizinho vão ganhar, o pai e a mãe devem avaliar o que é realmente necessário para o seu filho. Além disso, eles devem ensinar a esperar o momento certo para desembrulhá-los. “Hoje em dia, os sonhos são escassos. Se a menina pensa em uma boneca, logo a ganha. Tudo o que é muito fácil perde o valor.”

É importante destacar que brinquedos e roupas bonitos não suprem a ausência das figuras paterna e materna, criando uma “falsa” felicidade. “As crianças estão carentes de amor. Meia hora de colo, de histórias e de bola valem mais do que um videogame moderno. Esses gestos serão uma herança afetiva para sempre.”

Formas de ‘negociação’ variam

Sem ter em mãos a receita exata de como agir quando o assunto é o presente de Natal para a garotada, cada pai e cada mãe encontra sua maneira de resolver a questão. A fisioterapeuta Graziela Luminatti Santili, de 31 anos, explica que nesta época reforça ensinamentos que são passados durante todo o ano ao filho Rafael, de 3. O menino sabe que seu bom comportamento pode garantir o bom convívio com todos ao longo dos meses e também a visita do bom velhinho. “Peço para ele não falar palavrões, para me obedecer, e funciona.”

“Será que o Papai Noel tá vendo?” Isso é o que diz Felipe Ponsil, de 5 anos, quando não está tendo um atitude correta, conta a mãe do garoto, a gerente de vendas Mônica Ponsil, 31. Ela destaca que é preciso ter bom senso para que a relação do bom comportamento da criança à oferta de presentes não se transforme em pressão, chantagem. “Eu explico que ele tem de ser bom filho, bom aluno, ter respeito com as pessoas sempre. O ano todo eu prego isso. Acontece que, quando chega o Natal, a relação disso com o presente fica mais forte.”

Já o consultor de vendas João Carlos Giusti, 39 anos, diz que não precisa “negociar” com a filha Letícia, de 7, para o presente chegar. Este ano, Letícia ia pedir uma bicicleta ao bom velhinho, mas optou por “um presente mais que caro”, como ela mesma escreveu em sua cartinha. Quer um tablet - tela multifuncional sensível ao toque, que permite, entre outras ações, o acesso à internet. E há grandes chances de a garotinha ganhar o objeto.

O professor Luciano Rodrigues Bruttin, 40 anos, diz que não se sente obrigado a presentear as filhas de 4 anos em datas comemorativas. “Meus pais me criaram mostrando que o Natal é mais do que dar e receber presentes.” Ele conta que prefere presenteá-las no dia a dia, sempre que encontra algo especial. Separado da mãe das meninas, Bruttin diz que quando as filhas passam o Natal com ele encaram de maneira tranquila a possibilidade de não ganhar um presente. “Elas se envolvem em brincadeiras que criamos no momento.”

Chloe, 5, filha da empresária Fabíola Zanetti, 36, é flexível quanto ao que vai receber no dia 25. “Eu a ajudo a escrever para o Papai Noel, pedindo o que quer ganhar. O desejo pode ser atendido ou não.”

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