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São José do Rio Preto, 3 de Setembro, 2010 - 11:30
‘Miral’ debate conflito árabe-israelense

Núcleo multimídia

Divulgação
Cena de ‘Miral’, filme de Julian Schnabel exibido em Veneza
Com “Miral”, de Julian Schnabel, surgiu em Veneza o filme obrigatório sobre o conflito árabe-israelense. “Obrigatório” porque os festivais internacionais montam suas seleções muito em função dos temas contemporâneos, aqueles que, pela urgência internacional, se veem refletidos pela arte cinematográfica.

Desse modo, assuntos como a crise sem-fim no Oriente Médio, a guerra no Iraque, a fome na África, etc., são presenças certas nas mostras do Primeiro Mundo. Quem acha que os filmes são selecionados apenas por sua qualidade estética dá provas de uma ingenuidade sem tamanho. Dito isso, deve-se reconhecer que “Miral” é um filme simpático, cheio de boas intenções, embora seja, ele próprio, um bocado inocente também.

Schnabel (“Antes Que Anoiteça”, “Basquiat”, “O Escafandro e a Borboleta”) é chegado às nobres causas, embora nem sempre consiga colocá-las em roupagem cinematográfica conveniente. Mas sabe narrar. E, desse modo, consegue contar essa história exemplar de modo correto. “Miral”, o filme se incumbe de esclarecer, é uma daquelas florzinhas simpáticas que brotam à beira das estradas.

Qualquer um já as viu. Existem em toda a parte e, portanto (esta é a metáfora) todos as conhecemos, embora prestemos pouca atenção a elas. Misral é o nome de uma garota palestina, a protagonista da história, que começa por contá-la em voz off. Ela própria nasceu nos anos 1970, mas, para contar sua vida, deve retroceder a 1948, ano da criação do Estado de Israel.

O filme é adaptado do romance homônimo escrito por Rula Jebreal, palestina radicada na Itália. Narra a história da jovem palestina, dividida entre a Intifada e o ensino de crianças, ao qual se dedica. Tudo toma a forma de um romance histórico, que atravessa várias épocas, da fundação de Israel ao acordo de Oslo (1993), jamais posto em prática.

Há toques de aventura e idealismo e o diretor (assim como, se supõe, o livro) toma partido em favor dos palestinos, embora fique no muro ao homenagear aqueles que lutam pela paz, de ambos os lados. Tem qualidades, embora não seja de molde a empolgar. Como é politicamente correto, deve bombar na sessão oficial.


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Fonte: AE
 
     
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