Diário da Região

22/03/2015 - 02h22min

'Nada doce'

Pesquisa coloca o uso de adoçantes na berlinda

'Nada doce'

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Os adoçantes costumam ser consumidos por pessoas com diabetes ou em dieta com restrição de calorias. Acredita-se que eles ajudem a controlar os níveis de açúcar (glicose) no sangue. No entanto, essas formulações podem ter um efeito oposto. Seu uso estaria relacionado a um risco maior de desenvolver intolerância à glicose - quando o organismo não produz insulina suficiente -, o primeiro estágio do diabetes. Pelo menos é o que parece ter descoberto um grupo coordenado pelo imunologista Eran Elinav, do Instituto Weizmann, em Israel. A conclusão é polêmica: em vez de combater, os adoçantes podem contribuir com a epidemia da doença. 

Os resultados do estudo foram publicados na revista "Nature". A pesquisa envolveu testes em roedores e humanos. "Não queremos dar nenhuma recomendação sobre o uso ou não dos adoçantes. Mas o consumo massivo dessas substâncias precisa ser debatido, porque, em nossos estudos, não observamos nenhum efeito benéfico", diz Eran Segal, pesquisador do grupo.

A Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano responsável pela regulação de drogas e alimentos nos Estados Unidos, aprova cinco adoçantes: acessulfame de potássio, aspartame, neotame, sacarina e sucralose. Todos foram submetidos a rigorosos estudos e mostraram ser seguros quando consumidos inclusive por pessoas com diabetes e gestantes.

Teste insuficiente em humanos

Os testes com humanos também são alvo de críticas. A equipe de Eran Elinav fez duas avaliações: primeiro, analisou dados de 381 voluntários que já participavam de uma pesquisa do grupo sobre nutrição e micro-organismos no intestino, considerada a maior em andamento. Aqui, encontrou-se uma associação importante entre o consumo de adoçantes, a composição da flora e a propensão a ter intolerância à glicose. Na sequência, os cientistas pediram a sete voluntários para consumir a dose máxima de sacarina por uma semana. No final do período, quatro tinham começado a desenvolver intolerância à glicose. "Mas os testes em humanos envolveram uma quantidade muito pequena de pessoas (sete) perto do número que utiliza o adoçante no mundo", critica Marcos Tambascia, endocrinologista da Unicamp.

"Associado a outras mudanças na nutrição humana, o consumo de adoçantes coincide com o aumento na epidemia de obesidade e diabetes", rebatem os pesquisadores. "Nossos resultados sugerem que os adoçantes podem ter contribuído diretamente para aumentar a epidemia que deveriam combater", completam. "O que é alegado é que não existe estudo científico suficiente que comprove a relação entre aspartame e as doenças causadas pelo seu consumo", diz a nutricionista Marina Alexandre, do setor de Medicina Preventiva do Bensaúde.

"O FDA recomenda que o consumo diário de adoçantes dietéticos seja de quatro a seis pacotinhos de um grama quando em pó, e de nove a dez gotas para os líquidos. Para o consumo superior a essas doses, não se encontra, na literatura científica, nada que possa sugerir alguma anomalia metabólica ou orgânica, mas nas indicações do FDA o excesso não deve ser estimulado", explica a nutricionista da Onodedra, Daiana Menegotto Kato. Essa discussão ainda vai longe. 

Absolvido, por enquanto

A Especialistas garantem que o estudo é insuficiente para atestar o risco em humanos, e que o uso contínuo do adoçante continua seguro. "Não existe motivo para alarme", diz o endocrinologiasta Marcos Tambascia, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. O uso no Brasil é regulado pela Anvisa e o Ministério da Saúde e, por enquanto, não existe nenhuma recomendação ou restrição quanto ao uso tanto por pacientes diabéticos, quanto pelos que querem manter o peso, nem à quantidade. Na opinião de Tambascia, transferir dados de estudos com animais para humanos tem uma longa distância. 

O mesmo afirma o endocrinologista Henrique de Lacerda Suplicy, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). "O estudo com ratos não deve ser usado como referência para humanos." Por isso, segundo o médico, ao menos por enquanto, o adoçante deve ser absolvido. 

Estudo enfrenta críticas

O trabalho israelense teve repercussão mundial e estimulou o debate. Um dos motivos é o fato de ser baseado em muitos experimentos, o que dificulta a visualização de um padrão. Na etapa inicial, os roedores receberam água misturada à sacarina, à sucralose, ao aspartame e ao açúcar. Outros, apenas água. Todos que usaram adoçantes desenvolveram intolerância à glicose, mas os que tomaram sacarina tiveram reação mais intensa do que os outros. Em outra fase do trabalho, as cobaias foram tratadas com antibióticos para erradicar muitas das suas bactérias intestinais, o que normalizou as taxas de açúcar do sangue. Em seguida, a flora intestinal das cobaias que tomaram sacarina foi transferida para animais que não tinham bactérias nem resistência à insulina.

O Calorie Control Council, associação internacional das indústrias de alimentos com baixas calorias, condenou publicamente a metodologia do trabalho e disse que a pesquisa depende, em grande parte, dos resultados com roedores. Diante da polêmica, o pesquisador Eran Elinav disse que seu trabalho não pretende dar recomendações sobre o uso de adoçantes. "Mas não constatamos nenhum benefício no uso dessas substâncias. Por isso, seu uso massivo nos dias atuais deve ser reavaliado", disse o pesquisador.

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