Diário da Região

12/02/2016 - 00h00min

A casa está caindo

Cultura precária e abandonada

A casa está caindo

Sergio Isso Infiltrações e piso de madeira podre estão entre os principais problemas da Casa de Cultura Dinorath do Valle. Cimento foi usado para tapar os buracos
Infiltrações e piso de madeira podre estão entre os principais problemas da Casa de Cultura Dinorath do Valle. Cimento foi usado para tapar os buracos

Separadas por 16 quilômetros, as Casas de Cultura Dinorath do Valle, de Rio Preto, e Doutor Ariovaldo Correia, de Mirassol, têm muita coisa em comum. Não só pela imponência dos prédios e pela idade de construção, mas pelo abandono em que se encontram. A primeira, inaugurada em 1968, está funcionando com vários problemas estruturais; a segunda, concluída em 1929, está fechada desde 2007. Piso de madeira estragado, goteiras e infiltrações são alguns dos problemas da Casa de Cultura de Rio Preto. 

“Nenhuma das salas disponíveis para os grupos de teatro está com o piso inteiro. Já nos machucamos algumas vezes por causa do piso totalmente desregular”, conta uma atriz de Rio Preto, que ensaia no local e pediu para não ter o nome divulgado. A sala 7 é um dos espaços mais prejudicados, segundo artistas que frequentam o local. O espaço tem dois buracos no teto, por onde escorre água quando chove. O vazamento danifica o piso, que é de madeira. Na sala 3, os buracos desse piso de madeira foram tapados com cimento. Há cadeiras e vidros quebrados.

“Compreendemos que Rio Preto tem a vantagem de ter um espaço para que os artistas possam ensaiar sem pagar aluguel. Mas é preciso oferecer manutenção ao espaço”, destaca a mesma atriz. A situação da Casa de Cultura Dinorath do Valle chamou a atenção do ator, palhaço e diretor Ricardo Puccetti. Ele participou do festival Janeiro Brasileiro da Comédia (JBC) e ministrou oficinas na Casa. “Precisa de manutenção. Se não cuidar, chegará ao ponto de ter de fechar para uma grande reforma, e o prejuízo será maior”, diz Puccetti, que é de Campinas.

Ele defende que “população e classe artística têm de cobrar das autoridades melhorias para o espaço”: “No momento que tudo está sendo cortado por causa da falta de dinheiro, tudo relacionado à cultura acaba deixado de lado. Assim como tem de valorizar os festivais, tem de cuidar dos espaços culturais.” O secretário de Cultura, Alexandre Costa, reconhece que o espaço precisa passar por uma reforma completa, mas adianta que “a Secretaria não dispõe de verba própria para realização de tais reformas”. O uso do cimento no piso de madeira é citado como um dos pequenos reparos feitos para resolver provisoriamente o problema. 

“Dentro de nossas possibilidades, todos os reparos emergenciais foram realizados, mas dentro do orçamento disponível. A pasta não possui valor disponível para esse fim”, disse Costa. Uma salvação poderia vir da Oficina Cultural Fred Navarro, que se mudou para o prédio em 2015. Quando ocorreu a mudança, foi anunciado que a Oficina realizaria algumas reformas, como pintura e adaptação. “Eles também estão com dificuldades no orçamento”, explica o secretário de Cultura. Apesar dos problemas estruturais, os cursos e as atividades na Casa de Cultura não foram interrompidos. 

No total, 1,5 mil crianças são atendidas. “Em 2009, foi realizado um projeto com vistas à reforma completa do espaço, mas por inúmeros motivos não foi possível sua realização”, destaca Costa. Segundo Mara Lima, coordenadora da Fred Navarro, o Instituto Poiesis, que administra as Oficinas Culturais, contratou um arquiteto para fazer um levantamento de todas as adequações necessárias do prédio. Só depois disso será elaborado um orçamento e apresentado à Secretaria de Cultura.

 

Casa de Cultura Doutor Ariovaldo Correia - 12022016 A casa está caindo: Casa de Cultura Doutor Ariovaldo Correia, fundada em 1929, está interditada desde 2077. O prédio encontra-se destruído.

Fechada

Com quase 87 anos de construção, a Casa de Cultura Doutor Ariovaldo Correia, de Mirassol, está fechada desde 2007. Em 1929, a obra foi na época um marco para a região, sendo o primeiro prédio de três andares da Alta Araraquarense. Ali, sediava um importante centro cultural, abrigando hotel, restaurante, cinema, teatro e mirante, que proporcionavam uma vista e uma experiência única aos visitantes. O prédio foi idealizado pelo empresário Cândido Brasil Estrela e o projeto, elaborado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, famoso por obras como o Teatro Municipal de São Paulo.

Mas se o passado é cheio de orgulho, o presente da Casa de Cultura de Mirassol é pura tristeza. O prédio está interditado e totalmente destruído. Janelas quebradas, paredes pichadas e descascadas, e estrutura do telhado à mostra são marcas do descaso com a obra. O espaço que abrigava o Cine-Theatro Hotel São Pedro hoje serve de hospedagem para pombos. Em maio do ano passado, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania (SJDC), ligada ao governo do Estado, aprovou o projeto da Prefeitura de Mirassol para restauração da Casa de Cultura. 

O município deve receber R$ 2,7 milhões para o início da recuperação do edifício. Em contrapartida, teria de apresentar o projeto de restauração e investir mais R$ 300 mil. Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que já encaminhou toda a documentação exigida e aguarda a assinatura do convênio. A Prefeitura depende do repasse para realizar a obra. A SJDC informou que a reforma foi aprovada juntamente com outros 67 projetos, e que se encontra em análise da planilha orçamentária. O órgão não soube informar quando termina o trâmite jurídico para a assinatura do convênio.

 

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