Diário da Região

09/05/2016 - 19h07min

Terceira Idade

Quem vai cuidar de mim?

Terceira Idade

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O mundo está envelhecendo, e pensar que podemos viver uma catástrofe na sociedade por não estarmos preparados para o que já está acontecendo assusta. Segundo o geriatra Toshio Chiba, coordenador do Programa de Cuidados Paliativos do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, que esteve em Rio Preto a convite da Unimed, o alerta vermelho já foi dado faz tempo. "A humanidade, antropologicamente falando, está vivendo pela primeira vez esse 'boom' da terceira idade. Não é uma coisa que já acontecia e desaprendemos a lidar. Então, não podemos pensar que é necessário reeducar a população. Não temos educação ou registro sobre o assunto", diz.

Para o especialista, estamos atrasados. "Precisamos explorar e descobrir um meio de cuidar das pessoas idosas acima de 60 anos. Elas serão 1/4, 1/5 da população. A tecnologia e a ciência correram mais na frente do que a nossa arte de cuidar. A arte de ser cuidado também não evoluiu. Não temos tempo para pensar e tomar uma decisão pensando em algo que irá acontecer. Já está acontecendo. E o que iremos viver é algo preocupante", avalia. Na visão de Chiba, precisamos começar olhar para o envelhecimento com outros olhos. O envelhecer de hoje não é o mesmo envelhecer do século 20. "Vamos voltar um pouquinho mais. Um século antes de Cristo tínhamos uma expectativa de vida de 27 anos. 

Isso acontecia por causa de guerras, doenças, escravidão. Somente a elite da sociedade vivia mais tempo", observa. O avanço da medicina também contribuiu para o aumento da expectativa de vida da população. "O que matava antes em meses, como o câncer, dura anos para a pessoa vir a falecer. Doença crônica como diabetes, que demorava anos, está demorando décadas. A visão em relação ao que termina com nossa vida hoje é muito diferente da do passado. Ao mesmo tempo que é possível se viver mais, também na fase final da vida acabamos sofrendo mais. Dá mesma forma que uma doença nos levava a óbito em meses e hoje pode nos dar anos de vida, ela também pode nos dar anos de sofrimento", avalia.

'Depende de nós e não da melhor medicina'

Como seria bom se existisse um pílula capaz de retardar o envelhecimento. Uma pílula capaz de fazer tudo aquilo que já sabemos que devemos fazer. Como manter uma alimentação saudável, praticar exercício físico, ter uma boa noite de sono e, com isso, garantir um envelhecimento saudável. "As pessoas sabem o que fazem de errado. Errado não é comer a 'porcaria', desde que não a coma todos os dias. Por exemplo, os Estados Unidos, considerado um país com a melhor medicina do mundo, também é o que mais tem gente doente, por conta de coisas ruins da indústria.

Então, comer demais, comer errado, não praticar exercício depende só de nós e não da melhor medicina. Temos recursos que amenizam o efeito do envelhecimento, mas o envelhecimento é imensurável, vai acontecer com todo mundo. Não tem como fugir", afirma. Existem inúmeros estudos que apontam que o maior medo da população acima dos 60 anos é ficar dependente de um terceiro, seja filho, parente próximo ou cuidador. "O maior medo de envelhecer é ficar dependente.

A forma de vir a finitude mudou. Mudou tanto que 50, 60 anos atrás tinha muito menos tempo de dependência, agora a dependência é de anos, ou dependendo da doença, de décadas", destaque o geriatra, que ainda explica: "Modelo de sustentabilidade para cuidar do idosos é a tarefa e lição de casa de todos os administradores de saúde, mas em termos financeiros o sistema de saúde está falido. As pessoas precisam entender que cuidar é diferente de tratar", argumenta.

Segundo Chiba, quando se fala em cuidar, é no sentido de dar atenção suficiente. "Como tem grau de dependência ou necessidade de permanência maior ao lado dessa pessoa, não tem um sistema de saúde que comporte essa situação. Então, o cuidado tem de ser feito no lar, e essa situação faz com que a pessoa desloque alguém mais jovem, que está dentro da casa, o que pode vir a desestruturar socialmente ou financeiramente a família", explica. 

"Sabemos que nenhum país tem uma solução definitiva, mesmo os países que já estão vivendo essa situação, onde a maioria são idosos, não tem uma solução definitiva que possa ser copiada ou aprendida. É a primeira vez que o mundo se depara com uma população tão grande de idosos e não sabe o que fazer. É algo preocupante", garante. 

Envelhecimento em debate

De 8 a 11 de junho, acontece em Fortaleza o 20º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia - Como estamos envelhecendo: o indivíduo, a sociedade e o Brasil? "Nesse congresso, existem várias temáticas. Uma das que iremos debater é: Quem irá empurrar minha cadeira de roda? Pessoas que não quiseram ter filho ou não puderam ter filhos, que não tem familiares a mais e que chegaram aos seus 55, 60 se veem em uma situação em que começam a se preocupar. Quem vai cuidar de mim? O Estado? Ainda não sabemos responder", diz o geriatra Toshio Chiba.

 

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