Diário da Região

09/05/2016 - 00h00min

Saúde

Problemas de gente grande

Saúde

Stock Images/Divulgação É importante que os pais consigam construir uma rotina em que se estabeleça um tempo de qualidade para a interação com os filhos: efeito emocional se reflete no físico
É importante que os pais consigam construir uma rotina em que se estabeleça um tempo de qualidade para a interação com os filhos: efeito emocional se reflete no físico

Dificilmente uma criança vai passar a infância livre de dores de garganta e de ouvido, crises alérgicas, refluxo e outras doenças comuns da idade, como conjuntivite, estomatite, roséola. Mas existe um problema muito maior hoje. Nos últimos anos, cada vez mais crianças e adolescentes enfrentam doenças típicas da fase adulta, como colesterol alto, hipertensão, ansiedade, diabetes e até depressão. Não há números que comprovem quantas crianças são afetadas por doenças de adultos no Brasil, mas as instituições médicas constatam diariamente um aumento na incidência destas doenças diagnosticadas já na infância.

O estilo de vida com poucas atividades físicas, brincadeiras e elevado consumo de 'fast food' fez com que a obesidade e outros males atingissem números altíssimos junto ao público infantil. A vida corrida dos pais, as refeições com poucos nutrientes, excesso de gorduras e açúcar e sedentarismo também trouxeram várias consequências ruins para a saúde das crianças. "O estilo de vida moderno faz com que as pessoas prefiram refeições fast food, que são pobres em nutrientes", lembra Isabella De Lalibera, pediatra geral e especialista em pneumologia pediátrica. Geralmente, as refeições não são feitas em família, com todos sentados à mesa, mas em frente à TV ou tablet.

O estresse na escola, atividades extracurriculares, noites mal dormidas e horas de jejum podem causar danos como dores de cabeça nas crianças. Com o acúmulo de atividades, algumas começam a apresentar sinais de estresse, e o maior problema, segundo a Academia Americana de Pediatria, é que os danos persistem na adolescência e na idade adulta, causando doenças cardíacas, diabetes, depressão e uso de drogas. As crianças têm risco de desenvolver doença renal, por exemplo, que é silenciosa e assintomática. Tanto nos casos de crianças sem histórico como naquelas com fatores de risco, o importante é garantir hábitos saudáveis para que eles se tornem adultos com mais qualidade de vida. 

Neste caso, os pais devem ficar atentos a uma lista de prioridades, como alimentação equilibrada, evitar o excesso de sal, praticar atividades físicas com controle de peso, bem como controle da pressão arterial, segundo Leda Lotaif, nefrologista do HCor (Hospital do Coração). Uma avaliação de como foi o início da vida da criança também pode explicar os altos índices de obesidade e hipertensão na infância. Isabella De Lalibera afirma que a principal proteção é o leite materno sob livre demanda, ou seja, o bebê mama quando e quanto precisa. A pediatra afirma que, na fase de introdução de alimentos complementares, por volta dos 6 meses de vida, a fome e saciedade devem ser respeitadas.

"Nesta idade, o bebê já não tem mais o mesmo apetite de quando era menor, se interessa mais pelo meio que o cerca, aprende a negar e não precisa ganhar tanto peso. É comum que os pais e familiares passem a usar todo tipo de artifício para que o bebê se alimente cada vez mais, por exemplo, substituindo uma refeição saudável por outros alimentos prontos e de fácil ingestão, que são ricos em carboidratos, sódio e corantes, o que é um erro", exemplifica. A ansiedade e a depressão são reflexos de uma sociedade cada vez mais competitiva, na qual o indivíduo tem de ser sempre o melhor em todos os aspectos. Não existe uma receita para manter as doenças comuns dos adultos longe das crianças. No entanto, há caminhos muito simples. Isabella De Lalibera explica que a criança precisa ter tempo para brincar, dormir bem e ter uma alimentação saudável, em horários regulares.

Estresse crônico e ansiedade patológica

Crianças e adolescentes podem apresentar sintomas severos de estresse crônico e ansiedade patológica desde idade muito precoce. Tanto a predisposição genética (fator biológico) quanto as experiências traumáticas da infância (fatores psicossociais) podem tornar as crianças mais vulneráveis à ocorrência dos transtornos mentais e do comportamento. E cada vez mais crianças são levadas aos consultórios dos pediatras por queixas relacionadas ao estresse crônico.

São crianças com sobrecarga de atividades curriculares e extracurriculares, pressão excessiva por resultados, bullying, falta de tempo com qualidade com os pais, excesso de horas em tablets e smartphones, entre outros. São crianças que estão refletindo a correria dos pais e o clima de instabilidade no cenário político, econômico e social. "Quando os pais perdem o emprego ou discutem por problemas financeiros, as crianças podem sofrer caladas e sem conseguir digerir de forma adequada a situação presente, muitos até se sentem responsáveis pelo aumento de brigas no lar", explica o psicoterapeuta e coach Armando Ribeiro. 

A psicoterapia é um dos melhores caminhos para ajudar as crianças que apresentam sintomas do estresse crônico ou da ansiedade patológica e deveria ser a primeira escolha antes dos medicamentos, segundo Ribeiro. "Existem programas especializados no desenvolvimento de competências socioafetivas e da resiliência para crianças a partir dos 4 anos de idade." Segundo o especialista, a terapia infantil é diferente da terapia aplicada ao adulto. "Ela pode consistir em um conjunto de procedimentos terapêuticos que envolvem atividades psicoeducacionais, terapias expressivas e até técnicas de atenção plena, como por exemplo a consciência da respiração." 

Vacinas emocionais

  • As vacinas emocionais que protegerão contra o estresse excessivo e a ansiedade patológica devem começar no seio familiar. É preciso que os pais construam uma rotina em que haja tempo de qualidade para interagirem com seus filhos. A obsessão de alguns pais pelo futuro sucesso dos filhos pode colocar em risco sua saúde física e emocional no presente. Os pais precisam cultivar um ambiente familiar amoroso. Pais que se queixam da falta de tempo com os filhos no presente podem ter de arrumar tempo num futuro próximo para lidar com outros problemas
  • A escola também tem papel fundamental na educação das competências cognitivas (matemática e português), mas principalmente no desenvolvimento das competências socioemocionais (ética, empatia, compaixão, trabalho em equipe, resolução de problemas, resiliência e assertividade). As escolas não podem mais virar as costas para a necessidade de uma educação integral, que será a melhor vacina para uma sociedade cada vez mais doente e com uma epidemia de estressores crônicos  ao longo da vida

 Fonte: Armando Ribeiro, psicoterapeuta e coach

 

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