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Luiza (Helena) Trajano é certamente uma mulher que dispensa apresentação. Apontada pela revista Forbes como uma das três mulheres mais poderosas do Brasil, é formada pela Faculdade de Direito de Franca, cidade onde nasceu. Hoje, aos 65 anos, e uma vitalidade de dar inveja a muitos jovens, ocupa o cargo de presidente do conselho de administração de uma das maiores redes varejistas do Brasil, o Magazine Luiza, com 800 lojas e oito centros de distribuição em 16 estados e 22 mil funcionários.

A executiva começou sua carreira na área de vendas aos 12 anos, quando resolveu abrir mão das férias escolares para trabalhar e poder comprar presentes de Natal para conhecidos. Foi aí que começou uma longa trajetória de sucesso dentro da rede. Aliás, se engana quem pensa que foi ela quem deu nome à rede de lojas que foi fundada por sua tia - também Luiza - e foi um grande exemplo para sua única sobrinha. Em entrevista à revista Vida&Arte, Luiza fala sobre sua trajetória no varejo, desafios na carreira e liderança feminina.

V&A - O que determinou a escolha da sua carreira?
Luiza Trajano -
O Magazine Luiza foi fundado por meus tios Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato há 60 anos. Tudo começou com uma pequena loja, em Franca. Eu comecei aos 12 anos, trabalhando nas férias escolares, pois gostava de dar presentes para meus amigos e minha mãe me orientou a trabalhar para conseguir o dinheiro. Talvez tenha sido aí que eu realmente peguei gosto pelo varejo. Mais tarde, fazia faculdade à noite e trabalhava durante o dia. Em todo esse meu tempo de casa ocupei diversos cargos na empresa, até que, em 1991, assumi a superintendência do Magazine Luiza. Meu principal trabalho, desde então, foi conduzir a equipe a pensar diferente e quebrar paradigmas. Essa postura nos fez responsáveis por muitas inovações no varejo brasileiro, como as “lojas virtuais”, a “liquidação fantástica” e, principalmente, o modo de gerir a equipe.                                                          

V&A - O que aprendeu em sua trajetória no Magazine Luiza?
Luiza -
Como comecei a trabalhar bem cedo no Magazine Luiza e passei por todas as áreas antes de assumir a presidência - e agora a Presidência do Conselho de Administração - pude conhecer profundamente as diversas atividades da empresa e todas foram importantes para ter a visão global que é necessária para um líder. Aprendi que uma coisa que não se pode perder de foco nunca é escutar a equipe, especialmente a da ponta, que mantém contato direto e diário com o cliente. Qualquer CEO, independentemente da empresa ou segmento que estiver, precisa manter um contato direto com sua equipe e seus clientes e precisa incentivar a todos a falar sem filtros, pois o normal quando se chega a uma posição destas é as pessoas falarem somente o que ele quer ouvir, o que nem sempre é a verdade.

V&A - De que forma se mantém perto dos funcionários e dos clientes?
Luiza -
Mantemos até hoje um canal 100% aberto com os clientes e a área de atendimento responde diretamente para a presidência. Com isto temos diariamente um termômetro da operação e podemos cobrar um profundo alinhamento de todas as áreas. Acreditamos que a importância que damos para cada um de nossos clientes nos faz visualizar situações que precisamos melhorar constantemente. Quando falamos de pessoas em primeiro lugar, temos que ficar atentos 24 horas. Um exemplo deste lema é que na recepção do nosso escritório ninguém aguarda mais do que cinco minutos para ser atendido, desde fornecedores, presidentes até o mais simples entregador. Isso é respeito às pessoas, pois elas também são divulgadores da nossa empresa. Penso que um líder só consegue conhecer a realidade quando ele ouve, principalmente, a sua equipe de base. Só existem aspectos positivos ao ouvir a equipe. Eu estou sempre aprendendo e me renovando e, acima de tudo, conhecendo os erros e acertos de todos os processos da nossa empresa.

V&A - Vocês valorizam seus funcionários que são tratados como empreendedores. Qual o resultado disso?
Luiza -
Creio que uma empresa deve tratar o funcionário com o coração, mas deixá-lo também participar da empresa com a cabeça e permitir que se beneficie disso no próprio bolso. É preciso manter as pessoas motivadas, fazer o funcionário se sentir parte imprescindível na empresa, como numa família. No Magazine Luiza tratamos todos de forma respeitosa e justa, garantindo o bem-estar comum e dando oportunidade para a realização de sonhos.

V&A - Como profissionalizar uma empresa familiar e reforçar sua cultura?
Luiza -
Somos uma família pequena e sempre investimos na profissionalização da empresa. No final da década de 1990, já começamos a auditar nosso balanço por uma empresa internacional. Desde 2005 vendemos 10% da empresa para um fundo para entendermos como seria uma possível abertura de capital e reforçar nossa governança corporativa, e em 2011 abrimos nosso capital. Ao mesmo tempo, o mercado está valorizando cada vez mais a “cultura do dono” e saber lidar com essas duas coisas não tem uma fórmula, exige muito cuidado e dedicação, e é extremamente necessário para crescimento de qualquer empresa.

V&A - Hoje vivemos um momento de crise e cautela, de que maneira a senhora, como empresária, vê a situação do País hoje?
Luiza -
Já vivemos dezenas de crises nos últimos anos, o problema dessa é que ela é motivada pela política e está levando um tempo excessivo, acredito que será mais um aprendizado para nosso País, que precisa descolar a política da economia, temos instituições fortes e o povo não pode sofrer com uma prolongada situação de crise, que sempre pune mais fortemente as classes mais necessitadas.

V&A - Com o País enfrentando uma recessão econômica, que caminho a senhora aponta para superar a crise?
Luiza -
Estávamos começando a reconquistar a confiança do consumidor, que é o principal índice para avaliarmos a retomada de crescimento. É necessário que a política deixe de atrapalhar a economia e que sejam feitas ações emergências para o crescimento do emprego, que é o principal fator de confiança.

V&A - Como a mulher pode ser líder no setor empresarial ainda dominado por homens?
Luiza -
Costumo falar que o preconceito está mais em nossas mentes do que na mente das outras pessoas. Posso afirmar que nunca me senti discriminada porque nunca me permiti ter esse tipo de sentimento. As mulheres, ao longo dos anos, conquistaram seu espaço no mercado e, hoje, temos grandes líderes mulheres em todos os segmentos. Graças a essa evolução, a sociedade se tornou menos conservadora, e características como sensibilidade, intuição e espírito de servir, tão comuns entre as mulheres, passaram a ser atributos indispensáveis para o sucesso dos negócios.

V&A - O que é necessário para ser um empreendedor?
Luiza -
Penso que, quanto mais o empreendedor estiver alinhado com a sua profissão, conhecimento e, principalmente, vocação, maior a chance de dar certo. Percebemos que, hoje, tudo virou commoditie. Ter velocidade, qualidade e rentabilidade é obrigação para todas as empresas. O que vai diferenciar uma da outra são o atendimento e a inovação. Além desses fatores citados, existem outros que também devem ficar em nosso radar, como cuidar do fluxo de caixa, perceber o momento da empresa e mudá-la de ciclo para que ela não envelheça, ter foco no cliente, atendendo às suas necessidades, e cumprir o que se promete para ter credibilidade.  

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