Diário da Região

22/06/2017 - 17h03min

Saúde

Medicação sem limites

Saúde

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A regulamentação, no início do mês, do Rozerem (ramelteona), medicamento de combate à insônia, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal de alerta entre os médicos que atuam em reequilíbrio corporal de pacientes. 

Segundo o médico Theo Webert, especialista em nutrologia e qualidade de vida, a aprovação da nova droga precisa ser avaliada com cautela. "As pessoas estão negligenciando o sono, porque cada vez se dorme menos, e pior: tudo isso devido à nossa vida agitada, por causa do alto nível de estresse, à cobrança, e o sono não se torna uma prioridade", analisa. 

Segundo ele, a liberação do novo medicamento sem dúvidas será benéfica para algumas pessoas, que voltarão a dormir e terão a qualidade do sono retornando às suas vidas. 

"No entanto, há o risco de pacientes também acabarem mascarando as causas do problema e ainda postergarem o tratamento ideal", explica Webert, que continua: "A possibilidade de se recorrer a uma nova forma de indução ao sono faz com que os pacientes se distanciem da perspectiva de conhecer o real motivo daquele distúrbio." 

A preocupação de Webert não é sem fundamento, principalmente se pararmos para analisar o atual quadro do Brasil. Segundo dados divulgados pela Anvisa, atualmente, a insônia afeta entre 10% e 25% da população geral adulta. "Moramos num país que liberou recentemente a melatonina, mas que já é um dos maiores consumidores de Rivotril do mundo. Temos que ficar alertas", afirma. 

Mas não são só os medicamentos voltados ao universo do sono que o uso indiscriminado assusta, alguns especialistas garantem que, com a proximidade do frio, outros remédios são usados sem qualquer orientação médica, e as consequências podem ser graves. 

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas, o inverno nem começou, mas as baixa temperaturas já estão aumentando os casos de conjuntivite viral por causa das aglomerações em ambientes fechados. "Isso aumenta a síndrome do olho seco e a conjuntivite alérgica em quem já tem predisposição à alergia. O problema é que a maioria das pessoas pensa que colírio é uma aguinha refrescante. Por isso, quando sente ardência, vermelhidão, dor nos olhos e sensação de corpo estranho, usa qualquer colírio indicado pelo amigo, familiar ou vizinho e até uma sobra guardada em casa", diz Queiroz Neto.

Combinações arriscadas

Doenças respiratórias como gripe, resfriado, asma, rinite e sinusite chegam a triplicar nos meses mais frios, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Resultado: um levantamento feito por Queiroz Neto nos prontuários do hospital mostra que no outono/inverno as interações perigosas entre colírios e medicamentos indicados para tratar essas doenças chegam a dobrar e atingem 20% dos pacientes. 

"O uso de descongestionante nasal com colírio betabloqueador para controlar a pressão interna do olho em portadores de glaucoma é considerada uma combinação perigosa, porque o descongestionante nasal pode cortar o efeito do colírio e levar à piora do glaucoma", destaca o especialista, que continua: "Mulheres devem estar atentas ao uso de colírio antibiótico para conjuntivite bacteriana com pílula anticoncepcional. Isso porque os antibióticos cortam o efeito da pílula. Um caso considerado grave é o uso de medicamentos broncodilatadores para aumentar a entrada de ar nos pulmões e de colírio betabloqueador para glaucoma, que leva à falta de ar e pode causar asma", reforça. 

Para o coordenador clínico do Pronto Atendimento Adulto da Unimed Rio Preto, André Luciano Baitello, o uso indiscriminado e desnecessário de qualquer medicação pode ocasionar efeitos colaterais e deve ser desencorajado. "Ter prescrição médica, conhecer as indicações dos medicamentos e seus principais efeitos colaterais são fundamentais. Pois misturar, por exemplo, sinvastatina com fibratos aumenta o riso de lesão muscular, nifedipina com claritromicina pode provocar hipotensão e insuficiência renal, bactrim e agentes anti-hipertensivos podem provocar hiperpotassemia com risco de morte para os pacientes", alerta o especialista.    

Segundo Baitello, se algum sintoma inesperado aparecer durante o uso de medicamentos, este pode ser devido ao uso ou interações entre eles. "Assim, múltiplos efeitos podem ocorrer: dor muscular, dor abdominal, diarreia, entre outros. Por isso, nunca deve-se fazer uso de medicamentos sem prescrição médica."

 

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