Diário da Região

22/06/2017 - 17h18min

Holanda

Além de Amsterdã

Holanda

Agência O Globo Moinhos em Zaanse Schans, a paisagem mais típica da Holanda
Moinhos em Zaanse Schans, a paisagem mais típica da Holanda

Amsterdã abriga ao menos três museus de importância expressiva - Rijksmuseum, Van Gogh Museum e Casa de Anne Frank. O apelo ao consumo dos seus coffee shops é indiscutível e não se pode negar o fascínio pelas luzes vermelhas na visita ao Red Light District. Mas o turismo na Holanda não se resume a isso. Tampouco a Amsterdã.

A capital pulsante e cosmopolita oferece ao visitante uma sólida, moderna e muito eficiente infraestrutura de transporte para destinos ao norte e ao sul do país. Cidades medievais, vilarejos, paisagens rurais e bucólicas, arquitetura futurista e até praia formam um cardápio variado.

Com Amsterdã como base, há roteiros de bate-volta usando a rápida e pontualíssima malha ferroviária, linhas de ônibus ou, ainda, para os mais adeptos à vida saudável, ciclovias longas e bem marcadas. O clima nesta época também ajuda. E muito. Na Holanda, as temperaturas ficam mais amenas; raramente abaixo de 15°C ou acima dos 25°C. Chove (bem) menos e, o melhor, até o fim do verão europeu, a noite só aparece depois das 21h.

Os dias longos favorecem as escapadas. Com planejamento, dá para sair do hotel de Amsterdã logo cedo, pegar um trem na Central Station, passar a manhã e almoçar em Haia; no meio da tarde, Roterdã e, antes do anoitecer, um jantar na volta à capital. Esse roteiro de um dia - acredite! - inclui pelo menos uma dúzia de atrações que valem a viagem.

Moinhos de ventos, flores, queijos e bicicletas

A adorável e pequenina Haarlem fica a 15 minutos de trem a oeste de Amsterdã. "Deixar-se perder" por ruelas, cantos e canais da cidade é um encanto. Mas é fácil se achar: basta olhar para cima e procurar a Sint-Baafskathedraal, a imponente catedral gótica de Sint Bavo do século 14. Ao redor fica a praça Grote Markt, onde uma feira tem barracas que vendem de tudo, de pneus de bicicletas, sapatos e eletrônicos a embutidos artesanais - sem falar no stroopwafel (waffle recheado de caramelo) feito na hora. Também típicos, ali e em toda a Holanda, são os sanduíches de arenque (haring), salmão e enguia (paling), no sal ou ligeiramente defumados, acompanhados de picles e cebola cortada. E tem kibbeling, que é o bacalhau fresco empanado e frito em pedaços. Simplesmente deliciosos.

Com quase 800 anos de fundação, Haarlem guarda a fama de maior centro de comércio de tulipas por séculos. A cidade mantém outros títulos, entretanto. Algumas lojas próximas à praça central vendem mais de 400 tipos diferentes de queijos. Há bares, cafés e restaurantes aconchegantes, mas que só abrem quando o sol aparece - e aí eles lotam.

Do outro lado da cidade está o moinho de vento De Adriaan, cartão-postal à beira de um canal e aberto à visitação. No caminho, se as grades não estiverem trancadas, entre em um dos 19 hofjes da cidade. São construções geralmente rodeadas por largos jardins adaptadas para receber mulheres idosas e sozinhas - muito simpáticas, a propósito. O charme local se estende até aos asilos. Com tantas atrações, as visitas ao Frans Hals Museum (que abriga uma coleção histórica da arte holandesa) e ao Teylers Museum (o mais antigo do país) terão de ser cirúrgicas.

Guarde sua energia para um longo passeio de bicicleta pela encantadora Waterland e para duas outras belas estâncias dos Países Baixos: Utrecht e Zaanse Schans. Com praticamente dois mil anos e considerada a cidade mais antiga do país, Utrecht, 30 minutos de trem ao sul e a leste de Amsterdã, tem muita História e histórias para contar. Aproveite o embalo da chegada para subir os 465 degraus (tour de 1 hora por 9 euros) da Dom Tower, a torre gótica no meio centro histórico, e apreciar a 112m de altura a linda vista ao som do gigantesco carrilhão. Por baixo, os canais Oudegracht - com 2km - e Nieuwegracht surpreendem o turista. Diferentes dos da capital, eles têm dois níveis: o de baixo, com cais e porões (muitos transformados em cafés), e o de cima, com as casas ao nível da rua.

Nada mais holandês do que a paisagem mais característica do país, a dos moinhos de vento da vila histórica de Zaanse Schans. Desta vez, pegue ônibus da linha 391, com ponto na parte de trás da Central Station (subindo as escadas para o segundo nível). O trajeto de 40 minutos deixa o visitante aos pés do mirante de madeira. Sobe-se alguns degraus e... Que espetáculo! Mais de uma dezena de moinhos industriais dos séculos 12, 13 e 14, alguns ainda em atividade, perfilam o vasto horizonte. Um produz especiarias; outro, óleo de tinta. E é possível (de graça ou por 3 euros) ver e entender com funcionam as pesadas engrenagens de madeira.

A visão dos moinhos a partir da ponte levadiça sobre o Rio Zaan é igualmente privilegiada. Do outro lado, as ruas sossegadas de Zaandijk contrastam com o burburinho e o incessante ir e vir dos turistas de Zaanse Schans. As duas fazem parte do município de Zaanstad, reconhecida também pela fabricação de queijos envelhecidos e tamancos. Um minitour pela loja de queijos Catharina Hoeve, com distribuição de provas, é o gran finale antes de retornar para Amsterdã, ainda de dia.

No país da bicicleta, andar ao menos uma vez na "magrela" vale como carimbo especial no passaporte. Mas a experiência nas ruas da capital não é para qualquer turista. Quem é de lá já está acostumado ao trânsito intenso, meio caótico - que tem regras e leis específicas. O mais aconselhável é pegar o ferry boat que fica atrás da Central Station (a cada 5 minutos) e alugar a bicicleta do outro lado do rio.

Arte e diversão na Riviera Holandesa

De trem, Haia - ou The Hague (em inglês), ou Den Haag, como preferem os holandeses - fica a menos de 40 minutos ao sul e a oeste da capital. É a terceira maior cidade dos Países Baixos (como também é conhecida a Holanda), sede do governo e da monarquia, embora não seja a capital oficial. Uma cidade acolhedora, diversa - sem a esperada austeridade - porém.

A dez minutos a pé da estação está localizado o Mauritshuis, prédio histórico transformado no museu onde estão expostas duas das mais conhecidas e veneradas obras-primas da Era de Ouro holandesa: "Moça com brinco de pérola", de Johannes Vermeer, e "A lição de anatomia do Dr. Tulp", de Rembrandt H. van Rijn. Diferentemente da aglomeração que ocorre todos os dias diante, por exemplo, da "Ronda noturna" (do mesmo Rembrandt), no Rijksmuseum de Amsterdã, tranquilidade e respeito definem os momentos de contemplação dessas duas joias do século 17.

Do museu para o bairro de Scheveningen são mais uns 15 minutos de tram (o VLT da Holanda). Scheveningen é a praia de Haia. Pelo boulevard que se estende por 2,4 quilômetros à beira-mar espalham-se dezenas de bares, barraquinhas com os típicos sanduíches de arenque (haring), restaurantes panorâmicos, lojas, cassinos e salas de cinema, além do icônico Kurhaus Hotel, de 1885, e das dramáticas esculturas gigantes do artista americano Tom Otterness.

Roda-gigante na orla

A "Riviera Holandesa" é cortada ainda por um longo píer de deque duplo reinaugurado há menos de dois anos; sobre ele, os mais ousados podem saltar no bungee jumping (por 80 euros) e os mais românticos, apreciar a paisagem do alto da roda-gigante.

Duas breves - mas indispensáveis - paradas no caminho de volta ao Centro: a entrada do Palácio da Paz, sede do Tribunal Internacional de Justiça, principal órgão judicial da ONU; e o Palácio Noordeinde, onde costuma dar expediente Willem-Alexander, rei e chefe de Estado holandês. Não é permitida a entrada de visitantes em ambos os locais, já que são instalações de trabalho.

Antes de deixar Haia (agora rumo a Roterdã), vale dar uma passada para conferir a exibição "Escher in het Paleis". Instalada em um antigo palácio de inverno da família real holandesa, a mostra permanente reúne mais de 150 gravuras de M.C. Escher. No espaço, imagens fantásticas, que desafiam as noções humanas de perspectiva, aguardam os fãs do artista gráfico holandês.

As flores de Keukenhof

Muitos turistas acabam descobrindo tardiamente que a temporada de visitação ao Keukenhof, o "parque das tulipas", em Lisse, limita-se a algumas poucas semanas entre os meses de março e maio de cada ano. Ou seja: agora, só ano que vem. Mas a temporada de 2018 já está marcada para começar no dia 22 de março e acabar em 13 de maio.

Na edição deste ano, um recorde: mais de 1 milhão e 400 mil visitantes (200 mil a mais do que em 2016) passearam pelos 32 hectares de terreno - equivalentes a 35 campos de futebol oficiais - e se deslumbraram com as cores de mais de sete milhões lírios, íris, jacintos, orquídeas, narcisos, rosas, cravos e, é claro, tulipas. Todas elas - as tulipas - meticulosamente espalhadas pelo parque por seus cerca de cem diferentes fornecedores.

Keukenhof é o maior jardim de flores do mundo. Por isso, reserve de três a quatro horas para perambular pela área do parque - que conta com boa infraestrutura de alimentação e está localizado em Lisse, cidade entre Amsterdã e Haia. Para chegar, o melhor é ir de trem até o aeroporto Schiphol e de lá pegar o ônibus da linha 858; uma hora de ida, uma de volta. Site: keukenhof.nl/en.

Prédios fora da caixa

De Haia e por trem, chega-se em 15 minutos à estação central da segunda maior cidade do país. Roterdã tem cara de metrópole: é grande, ampla - como o seu porto marítimo, o segundo maior da Europa. Do alto dos 185m de altura da Euromast, a maior torre da Holanda, a cidade se revela num giro de 360° (9,75 euros): construções modernas e imponentes, como a ponte Erasmus, misturam-se às áreas reconstruídas após o bombardeio alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

Sem a mesma beleza autêntica e histórica de Haia ou Amsterdã, Roterdã se destaca com polêmicos projetos arquitetônicos. É o caso das 38 Casas Cubo, concebidas em 1978 pelo arquiteto Piet Blom e erguidas, conectadas umas às outras, com uma inclinação de 45°, em três pavimentos. Algumas unidades da construção, concluída em 1984, são habitadas pelas mesmas famílias há mais de três décadas e estão abertas (por 3 euros) à visitação. Aliás, disponíveis também para aluguel, pelo Airbnb.

Em frente ao conjunto fica outro projeto nada convencional, o Markthal. Em forma de arco, por fora, a construção inaugurada em 2014 contempla duas centenas de apartamentos e, no térreo, por dentro, um generoso mercado gastronômico. O teto é decorado com enormes painéis de frutas, legumes e flores, numa comparação inevitável com a Capela Sistina (em versão psicodélica). Sob as imagens coloridas, uma centena de estandes enfileiram-se e disputam o paladar dos turistas. Alimentos frescos, especiarias, batatas fritas orgânicas, doces italianos, pães, peixes e frutos do mar, sem falar em pratos mais sofisticados: uma perdição.

Para deslocar-se em Roterdã, é recomendável usar as sempre acessíveis linhas de tram, pois dentro da cidade as distâncias são grandes.

Serviço

Como chegar

  • Avião. A KLM tem voos diretos a Amsterdã por R$ 3.641 (ida e volta). A TAP voa via Lisboa por R$ 3.627. A Lufthansa oferece por R$ 4.392 (Zurique, com a Swiss na ida, e Frankfurt na volta). Pela Iberia/British, bilhete a R$. 5.464 (via Londres, na ida, e Madri, na volta). Na Latam, a R$ 5.872 (via Madri na ida e Madri e Guarulhos, na volta). Tarifas para agosto.

Onde ficar

  • Hotel NH Carlton Amsterdam. Diárias a 165 euros. Vijzelstraat 4. Centro. bit.ly/2r3ZKlT
  • Apollo Museumhotel Amsterdam City Centre. Diárias a 144 euros. Pieter Cornelisz Hooftstraat 2, Oud-Zuid (bairro dos museus). bit.ly/2rfdObD
  • Cube Houses. Diárias a 129 euros para 4 pessoas (em 2 quartos). Overblaak 70. bit.ly/2rKB1pt

Passeios

  • Trem e ônibus. As linhas saem da estão central de Amsterdã. Preços variam de 8,40 euros (ida e volta a Haarlem) a 15 euros (Utrecht) e 30,40 euros (Amsterdã - Haia - Roterdã - Amsterdã). Bilhetes à venda nos totens à entrada da estação ou nos guichês. De ônibus, a linha 391 para Zaanse Schans custa 10 euros (ida e volta) e paga-se diretamente ao motorista.
  • Aluguel de bicicletas para Waterland. Das 9h às 18h por 12 euros; ou 13,50 euros por 24 horas. Posto de informação turística (TIP) de Amsterdã-Noord (Buiksloterweg 5c).

 

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso