Diário da Região

30/05/2017 - 00h00min

INCERTEZA VIVA

Obras da Bienal de São Paulo chegam a Rio Preto

INCERTEZA VIVA

Mara Sousa Obras que chegam a Rio Preto constituem-se em uma seleção de vídeos, fotografias e gravuras, informa o curador Jochen Volz
Obras que chegam a Rio Preto constituem-se em uma seleção de vídeos, fotografias e gravuras, informa o curador Jochen Volz

Em um mundo em que a mudança é constante e permanente, a incerteza é o principal elemento que conduz a reflexão sobre as atuais condições de vida da humanidade. Também é a base da criação de inúmeros artistas contemporâneos que buscam desvendar essas condições de vida por meio de suas obras. Foi justamente esse aspecto que norteou a curadoria da 32ª edição da Bienal de Artes de São Paulo, que recebeu cerca de 900 mil visitantes entre setembro e dezembro de 2016. 

Intitulada Incerteza Viva (Live Uncertainty), a Bienal se propôs a traçar pensamentos cosmológicos e inteligências ambiental e coletiva, assim como ecologias naturais e sistêmicas. E essa noção de incerteza se aplica à própria arte contemporânea, que hoje é marcada pela fusão de diferentes linguagens artísticas na construção de uma obra única.

“O mundo em que vivemos ganha cada vez mais complexidade, e os artistas buscam incorporar novas formas de pesquisa e expressão em seus processos de trabalho. Neste sentido, a presença de diferentes linguagens é algo natural. Se a arte pretende ser um lugar de imaginação de outros futuros, a própria definição do que entendemos como arte também deve ser flexível”, comenta o curador Jochen Volz, que estará no Sesc nesta terça-feira, 30, para a abertura da nova itinerância da Bienal em Rio Preto.

Para compor as itinerâncias da 32ª Bienal, segundo Volz, foram pensados diferentes recortes de obras sempre de acordo com os espaços disponíveis e o contexto de cada unidade do Sesc que as receberia. “Mas isso sem deixar de lado as ideias centrais que guiaram o projeto da última Bienal. O processo de definição das obras envolveu visitas da curadoria aos espaços e um diálogo estreito com as equipes locais do Sesc”, explica.

No Sesc Rio Preto, é possível conferir obras que alcançaram grande repercussão junto ao público e à imprensa durante a Bienal do ano passado, como os trabalhos de Jonathas de Andrade, Gilvan Samico e do projeto Vídeo nas Aldeias. “As obras que chegam a Rio Preto constituem-se em uma seleção de vídeos, fotografias, uma grande série de gravuras e outros trabalhos em suportes diferenciados, como uma publicação impressa e cartazes”, informa o curador.

Além dos nomes citados por Volz, a itinerância do Sesc Rio Preto também envolve os artistas Bárbara Wagner, Cecilia Bengolea & Jeremy Deller, Gabriel Abrantes, Maria Thereza Alves, Rachel Rose e Rayyane Tabet. “A 32ª Bienal é um processo coletivo, que começou no início de 2015 e envolveu professores, estudantes, artistas, ativistas, lideranças indígenas, educadores e pensadores. As itinerâncias, realizadas nas cidades do interior de São Paulo, no Brasil e além dele, vêm dar continuidade a esse processo. 

Hoje, é papel da Bienal de São Paulo ser uma plataforma que promova ativamente a diversidade, a liberdade e a experimentação, ao mesmo tempo exercendo o pensamento crítico e propondo outras realidades possíveis”, pontua o curador. Além da exposição, o público de Rio Preto ainda poderá participar de dois laboratórios com temas que se relacionam com a última edição da Bienal. Com inscrição gratuita, esses laboratórios serão realizados na próxima semana, dias 6 e 7 de junho (veja mais nesta página).

Serviço

  • Itinerância da 32ª Bienal de Artes de São Paulo. De hoje até 11 de agosto, no Sesc Rio Preto. Abertura nesta terça-feira, 30, às 19h30. Gratuito

Laboratórios

Narrativas que constroem mundos

  • 6 de junho, das 14h às 17h ou das 19h às 22h - O laboratório aborda obras de artistas da 32ª Bienal como Maria Thereza Alves e o projeto Vídeo nas Aldeias, que investigam políticas da diferença e a ampliação dos horizontes de representação

Corpo individual, corpo coletivo

  • 7 de junho, das 9h às 12h ou das 14h às 17 - A partir da questão ‘Onde começa e onde termina o meu corpo?’, propõese uma aproximação com obras de artistas da 32ª Bienal como Bárbara Wagner, Cecilia Bengolea e Jeremy Deller, que debatem as possibilidades e potencialidades do corpo individual e do corpo coletivo

Os artistas e suas obras

 

vida_AnaCarvalho_Tita_VincentCarelli - 30052017

 

Ana Carvalho, Tita e Vincent Carelli

  • O Brasil dos Índios: Um Arquivo Aberto (2016) - Instalação com 81 fragmentos de vídeos do arquivo do projeto Vídeo nas Aldeias, produzidos em seus 30 anos de trajetória com os povos indígenas no Brasil, e sequências de filmes de cineastas, lideranças indígenas e instituições parceiras entre 1911 e 2016

 

 

 

Rayyane Tabet

  • Sósia (2016). Publicação e narração em árabe do livro Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar, que foi traduzido por Mamede Jarouche. A obra foi escrita em 1970 e publicada pela primeira vez em 1978

 

vida_RachelRose - 30052017

 

Rachel Rose

  • A Minute Ago (2014). Vídeo propõe uma reflexão sobre a experiência da catástrofe. A artista mescla um vídeo do YouTube que mostra uma súbita tempestade de granizo em uma praia com relatos do arquiteto Philip Johnson em sua Casa de Vidro, que, por sua vez, são confrontados com a reprodução da pintura O Funeral de Phocion (1648), do francês Nicolas Poussin, entre outros elementos

 

 

Maria Thereza Alves

  • Uma Possível Reversão de Oportunidades Perdidas (2016) - A partir de tópicos sobre os povos indígenas que não são abordados em eventos de universidades, artista produz cartazes para conferências fictícias. Por meio deles, sua ação busca confrontar a ausência desse debate e o silenciamento dos povos indígenas em uma sistemática exclusão de sua cultura e de seus saberes no ambiente acadêmico

 

vida_JonathasDeAndrade - 30052017

 

 

Jonathas de Andrade

  • O Peixe (2016) - Vídeo que acompanha pescadores pelas marés e pelos manguezais de Alagoas. Cada um faz uma espécie de ritual: eles retém os peixes entre seus braços até o momento da morte: um abraço entre predador e presa, entre vida e morte, entre o trabalhador e o fruto do trabalho

 

 

 

vida_GilvanSamico - 30052017

 

Gilvan Samico

  • O Segredo do Lago (1983) e O Sonho de Matheus (1987) - Artista apresenta em suas gravuras mitos e cosmologias repletos de simbologias. Elas têm simetria e verticalidade como valores que organizam narrativas sobre a natureza e instâncias sagradas que se relacionam com a vida terrena. A impressão das gravuras era feita de forma minuciosa e manual

 

 

 

vida_GabrielAbranches - 30052017

 

 

Gabriel Abranches

  • Os Humores Artificiais (2016) - Rodado no Mato Grosso e em São Paulo e misturando uma certa estética hollywoodiana com abordagens típicas do registro documental, o filme conta a jornada de uma indígena comediante que se une a um robô e conquista a fama na indústria cultural de massa brasileira

 

 

Cecilia Bengolea e Jeremy Deller

  • Bombom’s Dream (2016) - A coreógrafa, dançarina e performer Cecilia Bengolea trabalha em parceria com o artista Jeremy Deller neste projeto que parte de fenômenos da cultura popular contemporânea, sobretudo da música e da dança, para pensar suas relações com a economia, condições de trabalho e sistemas políticos

Bárbara Wagner

  • Mestres de Cerimônias (2016) - Fotos de registros da realização de videoclipes do brega, potente elemento de propagação de uma imagética no limiar entre o precário e a ostentação. O brega vira voz e autoestima diante da dominação dos parâmetros de identidade e de gosto

 

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso