Diário da Região

25/05/2017 - 19h53min

Comportamento

O valor de está só

Comportamento

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É comum associar a solidão como uma coisa nociva, danosa. Como se permanecer algum tempo sozinho não pudesse ser prazeroso, muito menos originar alguma alegria. 

Se você faz parte desse grupo, é bom repensar. O escritor francês Charles Baudelaire (1821-1867) disse uma vez: "Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão."

"Numa sociedade acelerada e interativa que desaprova o desejo de reclusão como se isso impedisse o acesso ao sucesso e à realização, a maioria das pessoas vive conectada 24 horas por dia na tentativa de afugentar qualquer possibilidade de ficar só", explica a psicóloga Karina Younan. 

Só que essa solidão que todo mundo tenta driblar pode ser positiva, garantem os especialistas. Esse silêncio pessoal não é um vazio, ele está cheio de respostas. O problema é que, muitas vezes, fugimos com medo do que podemos encontrar. "O tempo sozinho faz com que pensemos, e essa reflexão, livre da opinião e de experiências de terceiros, está mais conectada com nossas ideias, valores e objetivos pessoais. O silêncio nos aproxima mais da nossa alma e do nosso coração. Precisamos desse contato", diz Karina.

"Um pouco de solidão (ou isolamento de contato social) é necessário para que a pessoa possa se refazer, entrar em contato consigo, ouvir-se e fazer suas descobertas, ter seus 'insights', posicionar-se diante da vida. É um momento de estar consigo e de gostar de sua própria companhia. É neste momento que a pessoa pode se autoconhecer", afirma a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu. 

Isso pode acontecer durante uma caminhada, enquanto você dirige seu carro, toma banho no chuveiro, aguarda numa fila para ser atendido, deita em sua cama e espera a chegada do sono, enfim, quando você está com seus pensamentos e nada mais.

Saudável ou tóxica

Quando o assunto é solidão, precisamos entender as diferenças entre a solidão saudável e a solidão tóxica. Da saudável se originam a liberdade, o autoconhecimento, a autoestima, a autoconexão interna, a sensação de plenitude, a paz, a realização e o amor-próprio. Da tóxica se originam o abandono, o desamparo, a ausência, o isolamento, a carência e a insatisfação. "A solidão saudável é um grande encontro consigo mesmo, é estar sozinho e preenchido de sua presença. É estar em comunhão com sua essência genuína", diz a terapeuta Marcelle Vecchi. É quando a solidão é uma escolha, e não uma imposição da vida. Nesses casos, garante, só temos a ganhar. A solidão saudável pode fazer com que as pessoas tenham uma ruptura com seu ritmo agitado de vida e experimentem o silêncio da alma, o que por sua vez pode resultar em autorreflexão e em uma introspecção que leva a uma maior autoconsciência.

"O termo solidão tem uma conotação negativa quando associada ao abandono ou ao desamparo, mas devemos ampliar seu significado, pois é a condição original de todo ser humano. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte", complementa Marcelle. 

Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. 

"O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade", garante. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. "Com isso, abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal."

Conexão emocional

Podemos nos sentir sozinhos numa multidão, ou acompanhados estando completamente sós. O que define sentir-se sozinho ou acompanhado não é a presença física de outras pessoas, é a conexão emocional que temos por nós mesmos. A autoestima é necessária nessa parceria com nossa essência, ou seja, nessa solidão saudável.

"Percebemos como a solidão costuma ser evitada a qualquer custo quando observamos a carência encontrada nas diversas redes sociais ao observamos pessoas conectadas 24 horas por dia, uma conexão falsa, pois não preenche o vazio interno, apenas mascara seus efeitos temporariamente. A alta necessidade de ser aceito e admirado no mundo virtual é uma demonstração clara dessa carência emocional e física", diz a terapeuta Marcelle Vecchi.

O que não possuímos internamente buscamos externamente. "Se não tenho a aprovação e a minha própria admiração, tenho a necessidade de buscá-las em outras pessoas para que me preencham. Se não me amo, preciso que os outros me amem. Nossas carências pessoais podem ser inúmeras. Em vez de desenvolvermos internamente esses sentimentos, tentamos em vão buscá-los externamente, e o vazio continua nos machucando."

Se a reclusão é associada a algo negativo, socialmente inaceitável em países ocidentais, nos países orientais, mais avançados em termos de autoconhecimento, autorreflexão, meditação, explorações internas, a reclusão é tida como um ato de amadurecimento e evolução espiritual. "Que a nossa presença seja cada vez mais desfrutada por nós mesmos, que sejamos livres para escolher como vivenciaremos a solidão, sabendo que escolher é um ato de liberdade, portanto, saudável", ensina a terapeuta.

 

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