Diário da Região

25/05/2017 - 19h51min

Comportamento

Onde mora a esperança?

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Muitos especialistas veem a esperança como a emoção ou sensação mais importante que uma pessoa pode experimentar. A psicologia vem estudando justamente o porquê de algumas pessoas esbanjarem essa crença emocional, como se a recolhessem em um poço sem fim, enquanto outras passam a vida toda sem conhecer essa sensação.

O norte-americano Charles Richard Snyder, um dos expoentes da psicologia positiva, definiu a esperança em seus estudos como a "habilidade de gerar caminhos ou rotas para seus objetivos, acreditando que se pode usá-los para chegar até eles". Anos depois, seguidores do seu trabalho passaram a defender que nutrir-se de esperança pode não apenas levar a uma vida mais leve, mas ajudar no tratamento de doenças, como a depressão. A boa notícia é que ser esperançoso não é uma característica inata e inacessível. Esperança pode ser aprendida, graças à capacidade do cérebro de, continuamente, criar novas conexões cerebrais - a chamada neuroplasticidade. 

A palavra esperança vem do verbo latino "sperare", que diz respeito a aguardar, esperar. "A primeira experiência que o sujeito tem com a esperança acontece muito cedo. O bebê, quando nasce, traz uma expectativa pela mãe, mesmo antes de conhecê-la. A meu ver, isso é o protótipo do que irá se manifestar como esperança no adulto", explica o psicoterapeuta Renato Dias Martino, escritor e professor universitário. 

À medida que essa expectativa é suprida de forma suficiente, abre-se a primeira possibilidade da configuração da esperança em tudo o que a vida propõe. "A real capacidade de esperança só pode acontecer através do estabelecimento de vínculos que possam fornecer confiança", diz Martino. Aprender a confiar, portanto, é estimular esperança.

"Eu entendo que esperança é alimentar uma espera ativa, replantando o que não deu certo, como o lavrador que vê sua roça dizimada pelas pragas e reativa a plantação na esperança de uma boa colheita futura. A esperança, por si só, não faz cair no colo o objeto de nosso desejo", diz o psiquiatra Wilson Daher.

Escala da esperança

Médicos e estudiosos de diferentes áreas têm se interessado na esperança desde a década de 1950 pelo potencial de cura contido nela. Mas só 40 anos depois, na década de 1990, o assunto ganhou destaque, graças às investigações do psicólogo norte-americano C.S. Snyder, autor do livro "The Psychology of Hope" (em tradução livre, a Psicologia da Esperança). Ele defendia a esperança como uma "ideia motivacional", que possibilita a uma pessoa acreditar em resultados positivos, elaborar metas, desenvolver estratégias e reunir a motivação para colocá-las em prática. 

A partir dessa ideia, ele criou uma "escala da esperança", que foi apresentada em 2015 na American Psychologial Association. Ele mostrou os resultados de mais de uma década de aplicação desse recurso. As conclusões mostram que pessoas com baixa esperança têm objetivos ambíguos e trabalham para atingi-los um de cada vez. Por sua vez, as com alta esperança costumam investir em cinco ou seis metas ao mesmo tempo. Pessoas esperançosas traçaram rotas para o sucesso e caminhos alternativos se, eventualmente, encontrarem obstáculos, o contrário de pessoas com baixa esperança.

Dimensão espiritual

Anthony Scioli vê também uma forte dimensão espiritual na esperança e garante, com base em seus estudos, que ela está associada a virtudes como paciência, gratidão, caridade e fé. "A fé é o bloco de construção da esperança", afirma. O vínculo cooperativo que se estabelece não é apenas com o próximo, mas com uma entidade superior - diferentemente do otimismo, relacionado à autoconfiança."

Scioli investigou também a importância relativa da esperança, da idade e da gratidão com indicadores de bem-estar num grupo de pessoas entre 18 e 65 anos. E adivinhe só o resultado: o alto nível de esperança foi o indicador mais poderoso de bem-estar entre os pesquisados, ajudando ainda a reduzir a ansiedade sobre a morte e o morrer. Para Scioli, a esperança reflete, em última instância, a profundidade da conexão mente/corpo.

Na avaliação do psicólogo, quem não abriga esperança precisa aprender urgentemente a cultivá-la - e não apenas em momentos difíceis, mas em todos os instantes. "Viver com esperança é a base para conquistar o verdadeiro sucesso, construir relacionamentos amorosos e obter uma genuína sensação de paz", diz Scioli no livro escrito em parceria com o também professor de psicologia Henry Biller, "Hope in the Age of Anxiety" (em tradução livre, A Esperança na Era da Ansiedade).

Habilidade pode ser adquirida

Anthony Scioli, professor de psicologia do Keene State College, nos Estados Unidos, que pesquisa o assunto há mais de duas décadas, afirma que a esperança ainda é pouco estudada. Suas pesquisas o levaram a concluir que a esperança é uma habilidade que pode ser adquirida, com múltiplas facetas a serem cultivadas. Esperançosos revelam-se propensos a ser mais resilientes, confiantes, abertos e motivados do que outras pessoas e, assim, tendem a receber mais do mundo. 

O pesquisador norte-americano se interessa pela esperança ligada a grandes sonhos e não a pequenos desejos. Isso porque os êxitos do dia a dia, apesar de importantes, equivalem apenas a uma terça parte do que ele chama de "essência da esperança".

O professor desenvolveu durante seis anos sua própria "escala da esperança". Sua teoria - definida por ele como uma "tapeçaria interdisciplinar que combina os melhores lampejos de cientistas, filósofos, poetas e escritores" - estabelece as raízes da esperança no "eu mais profundo" e reconhece a essência espiritual existente por trás dela (leia mais nesta página). 

Scioli vai além: diz que a esperança proporciona um objetivo e um significado à existência e delineia nossas possibilidades de saúde e de duração da vida.

Curiosidade Mitológica

A esperança já é uma velha conhecida desde a mitologia antiga. O mito grego fala da "caixa de Pandora", dada a ela por Zeus, que numa caixa armazenou todos os males do mundo. Diz a mitologia que Zeus proibira Pandora de abri-la, mas a curiosidade a levou à desobediência e, como consequência, os males se espalharam pelo mundo. Mas fechando rapidamente a caixa, com medo do castigo de Zeus, ela impediu que dela saísse um último elemento: a esperança. Acredita-se que é daí que nasceu o ditado 'a esperança é a última que morre'

 

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