Diário da Região

25/05/2017 - 19h31min

Família

Não é bem assim, vovó e vovô

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Muitos avós hoje em dia se tornaram pais há cerca de 30, 40 anos, e carregam consigo crenças antigas que, ao longo dos anos, a medicina foi provando serem prejudiciais para a saúde da criança. 

Um estudo apresentado no início de maio, na Reunião das Sociedades Acadêmicas de Pediatria, nos Estados Unidos, revelou que uma grande parcela dos avós acredita, por exemplo, que banho gelado é bom para baixar a febre e que os bebês devem dormir de bruços, por exemplo. 

"Quando avós se envolvem, pode ser maravilhoso para seus netos, mas pode também levar a desafios em termos de estilo de vida, finanças e saúde física e mental para esse grupo de pessoas mais velhas", afirmou o autor da pesquisa, Andrew Adesman, chefe de Pediatria Comportamental e do Desenvolvimento no Cohen Children's Medical Center, em New Hyde Park, nos EUA.

Um trio de pesquisadores liderados por Adesman aplicou um questionário detalhado a 636 avôs e avós para descobrir se eles colocavam em prática antigas crenças sobre os cuidados de crianças. O resultado foi que 44% dos avós afirmaram que "banhos gelados eram uma boa forma de baixar a febre alta". Na realidade, banhos gelados podem aumentar a frequência cardíaca e até levar à hipotermia. No caso de crianças com febre, o ideal é o banho com água morna. 

Além disso, quase 25% dos avós disseram acreditar que os bebês deveriam ser colocados para dormir de bruços. Na verdade, essa posição aumenta o risco de engasgo e morte súbita. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a criança seja colocada no berço de barriga para cima, tanto para o cochilo durante o dia, quanto para o sono da noite.

Os pesquisadores enfatizaram a importância de os avós receberem aconselhamento e treinamento para se atualizarem sobre as melhores práticas de cuidados com as crianças que, somados à sua experiência, pode torná-los mais preparados para a tarefa.

Para a pediatra e professora adjunta de Pediatria do Departamento de Pediatria e Cirurgia Pediátrica da Famerp, com a chegada da internet, as mães estão mais informadas, porém, o período que elas ficam mais sensibilizadas é justamente quando se tornam mães, e é aí que avós se tornam mais "ativas", e as crendices populares fazem mais "sucesso". 

"Na minha experiência, é no período pós-parto que surgem várias dúvidas, e a amamentação é uma delas. Tem quem diga que o leite da mãe é fraco, por isso o bebê está mamando toda hora. Que fique claro. Não existe leite materno fraco. No começo o que existe é uma adaptação entre mãe e filho", ressalta a especialista. "Até o sexto mês de vida, o bebê precisa única e exclusivamente do leite materno. Nada de dar sucos de frutas, chá ou frutinha. Algumas avós acreditam que faz bem reforçar a alimentação da criança, mas não faz", alerta.

Segundo a pediatra, outra crendice popular é em relação a bebês que vomitam após as mamadas. "Cerca de 90% dos bebês têm refluxo gastroesofágico fisiológico e não precisam ser medicados. O que realmente precisa é corrigir a postura na hora de amamentar. Não mamar deitado. Levantar o pé da cabeceira do berço onde dorme. Ideal entre 9 a 11 centímetros e levantar cabeceira para trocar a fralda", orienta.

Avós são essenciais para as crianças

Cláudia Facetta do Nascimento, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, explica que a presença da família, principalmente dos avós, é essencial para a formação de qualquer criança. "As avós iniciam seu papel importante já no nascimento do bebê, utilizando de sua experiência para ajudar num momento muito feliz, mas bastante complicado para os pais."

As avós, segundo a pediatra, trazem em suas ações tradições de cuidados que, nem sempre, são os mais adequados para a saúde das crianças, por puro desconhecimento e porque foram ensinadas assim no tempo em que seus filhos eram pequenos. 

"Na prática do dia a dia, seja em consultório ou em pronto-socorro, cabe ao pediatra esclarecer as dúvidas das avós que, muitas vezes, são as cuidadoras dessas crianças em tempo integral. Portanto, é de suma importância que participem das consultas pediátricas", sugere Cláudia.

Os principais erros que os avós acreditam ser acertos

Bebê tem que dormir de barriga para baixo

“Bebê que dorme de bruços fica com a ‘barriguinha’ quente e não tem cólica e esta posição acalma as dores, pensam os avós. Sabe-se que o bebê que dorme de bruços, no entanto, tem maior associação com morte súbita. A posição mais segura é de barriga para cima”, alerta Cláudia Facetta do Nascimento, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo.

Utilizar faixa no umbigo

“Quando o umbigo da criança fica saltado, é provável que se trate de uma hérnia umbilical. Não existem maneiras de prevenir a hérnia umbilical, por isso não são indicados o uso de faixas ou moedas”, explica Mariana Antunes Menezes, enfermeira da Beabá Bebê Unimed Rio Preto. “Quando ocorre a hérnia, normalmente, não há necessidade de tratamento. É importante realizar o acompanhamento com o médico pediatra, que irá determinar a necessidade de procedimento cirúrgico”, diz.

Uso de chá para cólica

Segundo a enfermeira Mariana Antunes Menezes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos
primeiros seis meses. “Não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, pois a introdução precoce de outros alimentos está associada a maior número de episódios de diarreia; maior número de hospitalizações por doença respiratória; risco de desnutrição se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao leite materno, e menor absorção de nutrientes importantes do leite materno, como o ferro e o zinco”, alerta a especialista. 

“A cólica é um espasmo doloroso do intestino que afeta bebês com poucas semanas de vida até os 3 meses. O choro de cólica é estridente e o bebê fica inquieto, com o rosto vermelho, faz caretas, se contorce e encolhe as perninhas até a barriguinha. As causas para as cólicas ainda não estão bem definidas. Algumas evidências apontam que seja devido à imaturidade do intestino e do sistema nervoso central. Outros alegam que ocorra pela presença de ar em excesso no estômago ingerido durante as mamadas. Parte desse ar se desloca pelo intestino, criando uma distensão abdominal e consequente dor. O tipo de alimentação, a condição física do bebê e a irritação, o cansaço ou a ansiedade transmitida pelos pais podem ser também outras causas”, informa.

Banho gelado para baixar febre ou banho com álcool

“O banho frio para baixar febre dá um grande desconforto à criança, podendo levar à hipotermia (temperatura menor que o normal). A colocação de álcool na água do banho não acelera a diminuição da temperatura. É necessário sempre medicar a criança
com o antitérmico indicado pelo pediatra. O banho morno também auxilia a diminuir a febre”, esclarece a pediatra Cláudia Facetta do Nascimento.

Banho de picão

pode ajudar no tratamento de icterícia. “A icterícia é uma patologia muito frequente no recémnascido e ocorre devido ao excesso de bilirrubina no sangue do bebê decorrente da metabolização dos glóbulos vermelhos, e o fígado ainda não consegue eliminar o excesso de bilirrubina”, explica a enfermeira Mariana Antunes Menezes, que orienta: “O tratamento da icterícia é a fototerapia, o bebê recebe um banho de luz fluorescente, que facilita a metabolização da bilirrubina para que ela seja excretada pelo fígado. Não existe nenhuma evidência de que o banho de picão diminua a icterícia neonatal”, diz.

Usar pasta de dente, pó de café ou manteiga em queimaduras.

“Numa queimadura, o ideal é lavar com água corrente e não aplicar nada até a avaliação médica. Esses produtos aderem à lesão, provocando mais dor ao serem retirados, podendo facilitar uma infecção”, esclarece a pediatra Cláudia Facetta do Nascimento.

Pingar azeite quente no ouvido dolorido para acalmar dor.

“Há risco de queimar o condutor auditivo da criança e prejudicar a audição. O melhor é utilizar o analgésico indicado pelo pediatra no momento da dor e procurar avaliação médica”, explica Cláudia Facetta do Nascimento, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo.

 

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