Diário da Região

23/02/2017 - 00h52min

Antilhas

Luxo Europeu no Caribe

Antilhas

Agência O Globo Ruínas do Fort Louis, na capital Marigot, com belas vistas para Saint-Martin
Ruínas do Fort Louis, na capital Marigot, com belas vistas para Saint-Martin

Em frente ao mar azul-turquesa, onde ancoram iates de luxo, turistas elegantemente vestidos passam os olhos pelas vitrines de lojas de grife. As placas em francês, as compras em euros e a organização geral dão a impressão de que se trata de mais um balneário às margens da Côte d'Azur. Mas, não, não estamos no Mar Mediterrâneo, e, sim, no Caribe francês, onde estão as ilhas de Saint-Martin e Saint-Barth, dois territórios ultramarinos do país europeu.

Saint-Martin é mais discreta, tem clima familiar e é praticamente frequentada apenas por franceses - e canadenses, belgas e outros francófonos. Seu ritmo suave é embalado pela musica caribenha, que se escuta nos bares à beira-mar. Também se ouve bem o som dos talheres e pratos em seus muitos (e bons) restaurantes. É, definitivamente o lado mais tranquilo da ilha, que divide com Sint Maarten, território holandês, onde tudo é mais ruidoso, dos cassinos ao barulho das turbinas dos aviões que pousam no aeroporto colado à praia.

Já Saint-Barth, abreviação de Saint-Barthélemy, seu nome oficial, é também sinônimo de férias de jogadores de futebol, estrelas da música pop, astros do cinema, magnatas da indústria e supermodelos. Apesar de extravagante, tem ares de clube exclusivo, onde Ferraris não chamam mais atenção que bicicletas nas ruas. É toda francesa, mas sua capital, Gustávia, tem um pé na Escandinávia. O nome da cidade, dado em homenagem ao rei Gustavo 3º, é a única lembrança dos quase cem anos em que o território esteve em mãos suecas. Ilha fina é outra coisa... Saint-Barth não precisa invejar o litoral de Saint-Martin, e vice-versa. Em ambas, não faltam lindas praias, seja com grandes faixas de areia ou em enseadas escondidas. Diferentes em suas semelhanças, dois pedaços de França cercados por Caribe por todos os lados.

Caribe classe A

Um pedaço de França todo envolto por um mar azul-turquesa, Saint-Martin é um destino tentador para qualquer viajante que goste de unir praias límpidas, boa comida e vinhos de qualidade. Não à toa, por lá aportam iates de famosos, como o do novo presidente americano, Donald Trump, proprietário de uma mansão na ilha; e do dono do clube inglês Chelsea, o russo Roman Abramovich. Só para citar alguns. Em meio a 37 praias, sempre haverá uma que vai se adequar ao gosto do visitante.

A ilha caribenha está a um voo de três horas do Panamá e oferece ao turista praias perfeitas para o descanso, com águas mornas, cuja temperatura varia de 25°C a 28°C, dependendo da época do ano. Mas, quem procura, pode encontrar mais agitação, como na praia de Orient Bay, conhecida como a Saint-Tropez do Caribe. Nela, a faixa de areia é mais extensa e há barracas que vendem bebidas e comidas, espreguiçadeiras e opções para praticar algum esporte aquático. Para as crianças (e os adultos que quiserem se aventurar), há até um pula-pula no meio do mar.

Para quem busca tranquilidade, a praia de Anse Marcel é uma das opções. É lá que fica o único hotel all inclusive da parte francesa da ilha, chamado Riu Palace Saint-Martin. Quem quer uma praia calma de dia e alguma agitação durante a noite, pode buscar a região de Grand Case. Lá, o visitante conta com hotéis para sair do quarto e quase por o pé na areia.

Esse é também o polo gastronômico da ilha, com restaurantes mais sofisticados e outros mais em conta, como os tradicionais lolos, que oferecem comidas típicas de St. Martin e outras tantas opções para todos os gostos - principalmente para aqueles que gostam de peixes e frutos do mar. A badalação em Grand Case fica por conta das noites no Calmos Café, onde o turista pode cair na pista ao ritmo de músicas caribenhas e desfrutar de uma variedade de drinques.

Livre de impostos

Na região, fica a Tijon, loja em que os visitantes aprendem como é o processo de produção de um perfume - e até pode fazer o seu próprio, com a combinação de óleos e fragrâncias que mais lhe agradar. São tantos frascos que a sensação é de que se está num laboratório. Para ter a experiência - e levar o próprio perfume para casa -, o cliente tem que fazer reserva e desembolsar 89 euros.

Na capital Marigot, os turistas encontram ruas mais povoadas - por gente e por carros. E também há ali de tudo um pouco: restaurantes, galerias de arte, bancos, feira de artesanato, barracas com suvenires, pontos turísticos e um pequeno centro comercial com lojas de perfumes, cosméticos e maquiagem com preços mais em conta que no Brasil. Isso porque Saint-Martin é uma ilha livre de impostos desde os anos 1960.

Ainda em Marigot fica o Fort Louis, uma fortaleza do século 18. De lá, tem-se uma visão panorâmica da capital, da marina e do mar azul resplandecente. Na rua principal da capital, está a galeria de arte de Roland Richardson, um simpático artista plástico da ilha que pinta paisagens locais e faz retratos - tudo ao estilo impressionista. Ele bate ponto no estabelecimento, e é bem possível encontrá-lo pintando uma tela.

Holanda também fica ali

Saint-Martin é o lado francês e fica na parte de cima da ilha. A outra metade, na parte de baixo, pertence à Holanda e tem nome diferente: Sint Maarten. A segmentação vem desde 1648, o que faz do local a menor ilha do mundo dividida entre dois países. Diz a lenda que franceses e holandeses saíram a pé em direção oposta a partir de um mesmo ponto. Os primeiros rumo ao norte e os outros rumo ao sul. O ponto inicial determinou a fronteira entre as duas nações.

Hoje, 90 mil habitantes vivem dos dois lados da ilha. Como um lado fala francês e o outro, holandês, a forma de se entenderem é falar em inglês. O trânsito entre um lado e outro é livre tanto para turistas quanto para os locais - não há trâmite de imigração. A melhor forma de transitar pelos dois territórios e aproveitar as mais variadas praias é alugar um carro, já que a ilha não tem uma rede de transportes eficiente. Outra opção é usar táxis.

Assim fazem muitos turistas que chegam nos cruzeiros (o porto fica no lado holandês), para conhecer a parte francesa. Às vezes, é preciso ter certa paciência com o trânsito. Se Marigot é a capital do lado francês, na parte holandesa ela se chama Philipsburg. Visitar a ilha é poder conhecer duas culturas diferentes, com hábitos, língua, riquezas arquitetônicas e gastronômicas distintas. Em território francês, o turista encontra mais tranquilidade, e a moeda é o euro. No holandês, há mais agitação, com boates e cassinos. A moeda é o florin.

O dólar é aceito dos dois lados e, na maioria das vezes, a cotação é a mesma do euro. Uma visita obrigatória do lado holandês é a Maho Beach. A praia fica perto da pista de aterrissagem do Aeroporto Princess Juliana. De lá, é feita a famosa foto dos aviões descendo próximos à faixa de areia e do mar caribenho, bem perto das cabeças de centenas de turistas que se aglutinam para garantir o registro da imagem. Um bar próximo tem televisores que informam qual é o horário de chegada aproximado das aeronaves. Assim, fica mais fácil ficar a postos.

Luxo e pôr do sol exclusivíssimo

Pode ser o francês falado nas conversas, a comida de chefs renomados que é servida ou mesmo o je ne sais quoi de quem está ao redor: em Saint Barth, custa-se a acreditar que se está no Caribe e não na França. Só mesmo a alta temperatura - e um bom mergulho em uma das praias estonteantes da ilha - tem como fazer o turista desnorteado lembrar que a Europa não é ali. Tal sensação, é claro, não se dá por acaso. Aquela é uma ilha de 21 quilômetros quadrados, com quase nenhum terreno fértil - o território francês importa praticamente todos os seus alimentos do Velho Continente.

O mesmo acontece com a mão de obra qualificada dos restaurantes e hotéis, composta sobretudo por jovens europeus seduzidos pela vida sob o sol. Gustávia, a capital, também reflete o fenômeno, com grifes internacionais como Cartier, Longchamp e Dolce&Gabbana em suas ruas. A última abriu a sua loja por lá em dezembro, com direito a uma coleção feminina criada especialmente para o balneário e um bar de martínis no primeiro andar. Atracados no porto, os iates de luxo, que concorrem em tamanho entre si, completam a paisagem e são uma atração turística por conta própria, provocando selfies dos turistas que os avistam do calçadão.

O perfil evidentemente de luxo de St. Barth atrai sobretudo americanos e europeus. Mas os brasileiros já são vistos como um segmento estratégico para o turismo local. Imunes à crise, os tupiniquins endinheirados aumentam sua presença na ilha a cada ano, em boa parte graças ao buzz nas redes levantado por famosas como a top model Izabel Goulart, que passou a virada em uma das villas da região, ou a it-girl Helena Bordon, que se casou em maio no Le Sereno, um cinco estrelas despojado. No entanto, não é só de badalação que vive a ilha. Mesmo os hotéis favoritos das celebridades são capazes de manter a atmosfera tranquila, um convite a famílias que querem sossego. 

Também é possível explorar a natureza com aulas de stand-up paddle, snorkelling ou windsurfe, ou até encarar uma trilha de meia hora, para visitar uma das mais belas praias da ilha, Colombier. Acessível apenas de barco ou por trilha, a praia de Colombier permite conhecer um lado de St. Barth em que a intervenção humana ainda não é tão forte. Ao contrário de Flamands e San Jean, outras belas praias do local, aqui os restaurantes à beira-mar somem, para dar espaço à vegetação típica da ilha, com cactos que proliferam em torno das rochas. Na trilha vertiginosa, pode-se encontrar um pôr do sol mais exclusivo do que qualquer item à venda em Gustávia.

Café na beira da piscina

Além do mercado de villas de aluguel, é nos hotéis cinco estrelas que está a maior oferta de hospedagem em St. Barth. Longe do aspecto genérico, os empreendimentos espalhados ao redor da ilha competem em pé de igualdade pelo posto de melhor lugar para ficar no balneário. Pensado para os gypsetters - variação do jetsetter que viaja pelo mundo em busca de experiências únicas - o Villa Marie é outro estreante. Pertinho da Praia de Colombier, o cinco estrelas é a mais recente empreitada da família Sibuet, conhecida por seus hotéis-butique nos Alpes e no sul da França.

A decoração, escolhida pela matriarca, Jocelyne, é cheia de personalidade, com direito a móveis importados da Índia. Na master villa, para até quatro pessoas, é possível receber um chef para um jantar exclusivo. Outro exemplo está no Le Toiny. Localizado na praia de mesmo nome, o hotel, que tem apenas 14 villas conta com o selo da associação de luxo Relais & Châteaux. Todas as acomodações têm vista para a praia e piscina aquecida. Se quiser, o hóspede pode avisar na noite anterior que deseja tomar o café da manhã na varanda. Transporte próprio do hotel leva os turistas até a praia, onde há um restaurante. Ideal para surfistas, Toiny é desaconselhada para o banho.

E uma das novidades da temporada, o Le Barthélemy abriu as portas em outubro. A decoração, mais contemporânea e despojada do que a do Toiny, é um convite a jovens famílias. As amenities vêm com o selo da Hermès, e o restaurante tem menu assinado pelo chef Guy Martin, três estrelas Michelin. Há ainda um spa da marca de beleza La Mer. Parte dos quartos tem acesso direto à praia da baía de Grand Cul de Sac, de águas tranquilas. Pertencente ao conglomerado de luxo LVMH, que também controla a Louis Vuitton e a Moët & Chandon, o Cheval Blanc é outra referência na ilha.

Com uma decoração em tons de cinza e rosa que garante uma personalidade imbatível ao local, o complexo em Flamands ainda abriga um spa Guerlain e um restaurante à beira-mar que vale a visita mesmo para quem não está hospedado. O mesmo pode ser dito do Eden Rock: instalado em uma rocha na baía de San Jean, o hotel também possui restaurante na praia. A localização, em um ponto movimentado de St. Barth, faz o lugar ideal para quem quer ver e ser visto. Depois de jantar com os pés na areia, é possível fechar a noite no Rock Bar, especializado em drinques, numa pista com DJ. Quem quiser pode agendar um horário no estúdio de gravação do complexo, equipado com instrumentos profissionais.

Saiba mais

Como Chegar

  • Pela Copa Airlines, o voo sai a partir de R$ 2.959, com conexão na Cidade do Panamá. Já pela American Airlines, tarifa de R$ 3.691, via Miami. Ainda pela American, via Miami, o voo custa a partir de R$ 3.864. Preços para o fim de março.

Onde Ficar

Passeios

  • Passeio de barco. Ida às ilhas Tintamarre e Pinel, com almoço, por US$ 118. caribbeanmarines.com
  • Mergulho. A empresa Octopus oferece serviços variados. Preços no octopusdiving.com

 

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