Diário da Região

23/02/2017 - 01h05min

Argentina

Sai o branco, entra o verde

Argentina

Agência O Globo Passeio de bicicleta para conhecer as plantações
Passeio de bicicleta para conhecer as plantações

A cada inverno, brasileiros invadem San Carlos de Bariloche, na Argentina, em busca de neve, seja pelo encantamento dos flocos branquinhos que não caem sobre nossas terras ou pela aventura de cortar as montanhas sobre esquis e snowboards (ou esquibunda). Com suas folhas verdes claras que escondem um pó amarelo e resinoso que empresta aroma e amargor à cerveja, além de ser um conservante natural, o lúpulo faz da região um destino único na América do Sul.

"O lúpulo é o tempero e o terroir da cerveja. Temos lúpulos argentinos e originários de outros países que cultivamos por aqui, mas, uma vez em nossas terras, eles ganham características únicas", garante o engenheiro agrônomo Hernán Testa, proprietário de fazendas de lúpulo. Os campos não ficam exatamente em Bariloche, mas, sim, na vizinha El Bolsón. A distância de 122 quilômetros é uma atração à parte e pode ser coberta em pouco menos de duas horas durante o verão.

O caminho pela Rota 40 (rodovia que percorre o país de norte a sul) é cinematográfico, coberto de um imenso verde e muitas flores: as retamas amarelas e lavandas roxas. O visual ganha dramaticidade com os picos de neve eterna ao fundo, muitas vezes contrastando com lagos, como Gutiérrez e Mascardi. No caminho, vendedores de framboesas, amoras, cerejas e geleias dão um aperitivo da economia rural do pequeno município. Ao fim da viagem de carro, a cidade abriga a feira de artesanato mais conhecida da região, onde, é claro, há venda de cerveja artesanal.

 

Cervejas da Patagônia - 23022017 Cerveja com vista: lago Perito Moreno harmonizando com cervejas da Patagônia

De hippies a trilhas

A Argentina também tem outros locais de produção de lúpulo, como Alto Valle del Río Negro, em Neuquén, mas El Bolsón é a capital turística da planta. De hoje a sábado, a cidade recebe o segundo Festival da Colheita de Lúpulo, que, em 2016, reuniu 700 pessoas de vários países sul-americanos. A promessa é de uma feira maior. Mesmo para quem não estiver por estes dias no local, é possível marcar uma visita entre janeiro e março. Ainda não existem passeios oficiais pelas fazendas, como são Lúpulo de la Patagonia e Lúpulos Patagónicos, mas é possível marcar um visita mandando um e-mail. 

Como uma boa casa de campo, os agricultores estarão de braços abertos para receber visitas. El Bolsón não foi descoberta pelos amantes do lúpulo. Nos anos 1970 e 1980, o município que hoje abriga 19 mil pessoas recebeu uma leva de hippies em busca de tranquilidade. Recentemente, virou destino de aventura, com rafting, rapel, trilhas e mountain bike, além de atrações mais relaxadas, como cavalgadas e pescaria. Foi nesse clima de relaxamento e aventura que nasceu em 1985 a Cerveza El Bolsón, que é feita ainda hoje dentro do Camping El Bolsón.

Outros fatores explicam a prosperidade do cultivo de lúpulo. Salvo exceções, as plantações se concentraram entre as latitude de 35° e 55° nos Hemisférios Sul e Norte. A 42° de latitude, com dias longos e em vales irrigados pela água do derretimento de neve e sem ventos fortes, as terras lá têm condições ideais. No Brasil, há cultivos experimentais, como na Serra da Mantiqueira, mas em volume menor. Os argentinos colhem anualmente cerca de 280 mil toneladas, quantidade que a deixa muito distante dos líderes mundiais de produção, como os Estados Unidos e a Alemanha. Ainda assim, é um motivo de orgulho do país que a Quilmes Cristal, cerveja mais vendida na Argentina, use 100% de lúpulos nacionais. Outro orgulho são as variedades originais da região, como os lúpulos Traful e Mapuche. 

 

Cervejas artesanais - 23022017 Variedade de cervejas artesanais em prateleira de loja no aeroporto de Bariloche

Experiência Cervejeira

A experiência cervejeira em um campo de lúpulo é só o começo. Para ficar completa, é necessário provar as receitas, muitas delas com totalidade ou boa parte da lupulagem feita com as espécies locais. Na região de Bariloche, onde a produção anual de cervejas ultrapassa um milhão de litros anuais, são mais de 25 estabelecimentos, entre bares especializados e fábricas que oferecem a cerveja produzida artesanalmente. Uma das pioneiras é a Manush, no centro urbano, próximo ao Centro Cívico, principal área boêmia da cidade. Em menos de cem metros de distância é possível passar nos bares das cervejarias Wesley, Konna, Antares, Bachmann, Beer Land e, só um pouco mais afastado, mas ainda no centro, estão Ruta 40 e Lowther.

Engenheiro de alimentos formado em Mendoza, tradicional região de vinícolas argentinas, Martín García se apaixonou pelo universo da cerveja. Aprendeu a fazer receitas e, a partir de 2005, passou a usar sua garagem como laboratório da Manush. Mas foi em 2011, com o retorno da irmã Letícia, que morava na Inglaterra, que o sonho ganhou corpo e virou um pub. A cozinha é comandada pelo marido de Letícia, o japonês Takeru Adachi. "São muitas opções de cervejarias. Os turistas argentinos e estrangeiros procuram receitas diferentes. Por isso, vamos mudar o local onde fica a fábrica para podermos produzir mais e atender à demanda", explica García.

Escola britânica

A nova cervejaria será aberta nos próximos meses, mas o pub segue de pé. Entre as cervejas disponíveis está a Traful Pale Ale, receita tradicional da escola britânica, feita com lúpulo da região. É García que, a cada safra, negocia a compra pessoalmente com os produtores. Outra receita de sucesso é a Milk Stout, outra fórmula da escola britânica, essa com adição de lactose, algo que no Brasil não é permitido, devido à origem animal.

Afastadas do centro, na direção do Circuito Chico (city tour pela região) e Colonia Suiza, tradicionais atrativos turísticos, outras cervejarias surgem pelo caminho: La Cruz, Blest e Berlina. Esta última, queridinha da região, especialmente depois de os três irmãos e donos da empresa participarem do reality "Barones de la cerveza". No Circuito Chico está a mais nova da turma: a Cervecería Patagonia, marca da Ambev que ganhou uma fábrica no ano passado na região que carrega o nome. Uma pedida é a 24.7, uma Session IPA de 4,5%. Além de oferecer visitas que ensinam o processo produtivo, a localização é imperdível. Lá, as cervejas são desfrutadas diante do Lago Perito Moreno. Melhor cenário para beber não há.

Saiba mais

Como Chegar

  • Em voo da Latam a Bariloche (Aeroporto Internacional Teniente Luis Candelaria) sai por R$ 2.236 (via Buenos Aires). Pela Aerolíneas Argentinas, custa R$ 2.101 (via Buenos Aires). Tarifas para março, com taxas.

Onde Ficar

Onde Beber

  • Manush. Calle Neumeyer 20, no Centro de Bariloche. cervezamanush.com.ar. A 25 Cervecería Patagonia. Ruta Provincial 77 Km 24.700. Circuito Chico. cervezapatagonia.com.ar

 

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