Diário da Região

23/03/2017 - 19h31min

Espiritualidade

Lealdade própria

Espiritualidade

Stock Images/Divulgação NULL
NULL

É comum dizermos que somos leais a alguém ou a uma causa. Mas será que realmente somos? "Desde tempos remotos, a fragilidade humana tem demonstrado que somos bastante vulneráveis nessa questão, caindo no contraditório logo que nos sentimos acuados", explica o psquiatra Wilson Daher. O apóstolo Pedro era um dos mais leais ao mestre Jesus e à sua causa. No entanto, prestes a ser preso e condenado por ser um seguidor do Cristo, ele o negou por três vezes.

"Lealdade, segundo penso, é algo que impõe sacrifício, algo que talvez nos tire da zona de segurança quando a assumimos", complementa. Por que? Porque, na maioria das vezes, sermos leais a uma pessoa ou uma causa pode nos excluir do grupo que pertencemos, deixando-nos à margem, isolados. "Lealdade impõe respeito por si mesmo e à causa que se abraça", explica Daher.

O filósofo grego Platão, por exemplo, considerava a lealdade uma característica inata do ser humano, uma virtude que nos acompanha e precisa ser renovada de tempos em tempo. Aristóteles, por sua vez, entendia que essa condição deveria ser desenvolvida pelo hábito. Isso significa que, na visão dele, nos tornamos leais à medida que praticamos a lealdade.

"Num mundo onde tantas pessoas vivem uma vida pressionada a ser e se comportar como a maioria quer, ser leal aos seus valores e princípios é coisa extremamente importante", explica o o coach e instrutor de ioga e meditação Salvador Hernandes. Aliás, segundo ele, se não conseguirmos ser verdadeiros e leais com a gente mesmo, iremos ser desleais e infiéis em nossa relações com os outros.

"A lealdade pressupõe viver a sua própria verdade e ter coerência entre o que se sente, pensa e como age na vida", complementa.
Desleal, ainda segundo Hernandes, é aquele que vive uma vida falsa, uma vida de ilusão, sem se aperceber disso ou sem querer pagar o preço e ousar ser verdadeiro.

Mas, cuidado: não confunda lealdade com fanatismo, ou seja, ser leal a alguém ou a alguma ideologia impõe a necessidade de ser leal a você mesmo, podendo mudar de opinião sobre aquilo a que devia lealdade por descobrir um erro de interpretação. "Lealdade a nós mesmos, de forma coerente, é que nos pode proporcionar lealdade ao outro", diz Daher. 

Um exemplo que recentemente correu o mundo foi o da procuradora-geral interina dos Estados Unidos Sally Yates. Ela foi demitida pelo presidente Donald Trump por não ter concordado e ter considerado inconstitucional o decreto presidencial que proibia a entrada de cidadãos de sete países, de maioria muçulmana e refugiados, em solo norte-americano.

A procuradora preferiu seguir a Constituição ao governamente que está no cargo. Oscar Schindler e Raoul Wallemberg são outros exemplos famosos de lealdadade a si mesmo. Eles salvaram milhares de judeus da perseguição nazista porque sabiam que o que faziam era errado. 

Capacidade de amar

O ser humano não nasce sabendo amar, mas aprende a amar através do amor do outro. "A lealdade, por sua vez, é uma extensão da capacidade nobre do amar. Portanto, necessita de modelos para se desenvolver. Não se aprende a ser leal através de ensinamentos teóricos", explica o escritor e psicoterapeuta Renato Dias Martino. 

Essa nobre capacidade só pode ocorrer em personalidades em que a maturidade emocional tenha atingido um bom nível. Isso dependerá da maneira como tenham sido conduzidas suas experiências afetivas, ou seja, o quanto o sujeito possa ter se sentido amado, e se foi possível confiar na lealdade daquele que cuidou dele numa época em que não era capaz de cuidar de si mesmo. 

"Para o desenvolvimento da lealdade, é impreterível que se tenha desenvolvido a capacidade de tolerar frustrações. O sujeito deve ter crescido na disposição para renunciar muitos de seus desejos narcisistas, que naturalmente fazem parte da mente imatura, para ser capaz de se tornar leal", complementa Martino. 

Contudo, ainda que um sujeito tenha desenvolvido sua capacidade de lealdade, terá que cuidar dessa habilidade constantemente, haja visto que em nós, humanos, existem tendências narcisistas que atuam o tempo todo e que nos convidam a desistir das capacidades nobres frente a inseguranças eventuais. A lealdade é filha da confiança e, assim sendo, é uma função dos vínculos.

"Ser leal é sempre em relação a alguém em que se confia. Na realidade, a lealdade é condição fundamental para se definir o que seria um vínculo saudável", diz ainda Martino.  No entanto, a lealdade, quando não correspondida, se invalida em sua função e se transforma em mero conceito vazio de conteúdo. "Confiança significa fiança compartilhada, mantida pelas partes, nutrida pela fé e, assim, geradora da fidelidade. O fio que permite, depois do conhecer, ausentar-se, para que, assim, no regresso, seja possível o reconhecer", explica Martino no livro O Amor e a Expansão do Pensar (Vitrine Literária).

 

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso