Diário da Região

23/03/2017 - 19h51min

Saúde Emocional

Quem compartilha é mais feliz

Saúde Emocional

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Fomos feitos para viver por muitas décadas, e a expectativa de vida aumenta a cada ano em razão dos avanços tecnológicos e da medicina. Mas, infelizmente, a satisfação e a qualidade de vida não crescem proporcionalmente à quantidade de anos ganhos. 
O que nos mantém felizes e saudáveis enquanto passamos pela vida? Se você fosse investir no seu melhor 'eu' futuro, a que dedicaria seu tempo e energia? 

Pesquisas ao redor do mundo demonstram que a resposta está no contato social, que estimula o funcionamento do cérebro, reforça o sistema imunológico, ajuda a controlar o estresse, diminui a pressão arterial, regula os batimentos cardíacos e até retarda o efeito de doenças como o Mal de Alzheimer. Em uma recente pesquisa com a geração Y (aqueles nascidos após 1980), foi perguntado quais eram seus mais importantes objetivos de vida. Mais de 80% deles respondeu que era ficar rico, e metade disse que outro grande objetivo era ficar famoso.

"Nos falam constantemente que devemos priorizar o trabalho, dar nosso melhor e conquistar mais coisas. Nos dão a impressão de que essas são as coisas que devemos correr atrás para se ter uma boa vida", diz o psquiatra norte-americano Robert Waldinger, em uma palestra de apresentação de um estudo iniciado em 1938 pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e que durou 75 anos. 

O resultado foi surpreendente: as lições não são de riqueza, fama ou de trabalhar mais e mais. As pessoas que se deram melhor foram as que compartilharam a vida e eram bem relacionadas com a família, os amigos e a comunidade. "A primeira lição é que conexões sociais são muito boas para nós e que a solidão mata. As pessoas que estão mais conectadas socialmente com a família, com os amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais do que as pessoas que têm poucas conexões", explica Waldinger em sua palestra, cujo vídeo está disponível nas redes sociais. 

A segunda lição do estudo é que o mais importante é a qualidade dos relacionamentos próximos, e não o número de amigos. "A terceira lição é que relações saudáveis protegem não apenas nosso corpo, mas também nosso cérebro. Estar em um relacionamento íntimo e estável com outra pessoa é algo protetor. As pessoas que sentem que podem contar com a outra em caso de necessidade têm suas memórias preservadas por mais tempo", diz o pesquisador. Os relacionamentos considerados bons, ainda segundo ele, não precisam ser tranquilos o tempo todo.

A discussão pode existir, pois o que importante é o segurança de que a pessoa pode contar com a outra quando as coisas ficam mais difíceis. "Assim como os jovens da geração Y na pesquisa, muitos de nossos homens quando estavam se tornando jovens adultos realmente acreditavam que riquezas e grandes conquistas eram o que eles precisavam correr atrás para ter uma boa vida. Mas, repetidas vezes, nossos estudos ao longo desses anos têm mostrado que as pessoas que se deram melhor foram as bem relacionadas com a família, com amigos e com a comunidade ", conclui o psiquiatra. 

Para além da genética

"Na alegria ou no sofrimento, o nosso coração precisa de um segundo coração, pois alegria compartilhada é alegria em dobro e tristeza partilhada é metade da tristeza", escreveu o poeta alemão Christoph August Tiedge (1752-1841). Laços familiares e de amizade fortes têm um impacto positivo fundamental sobre saúde e longevidade, assim como a genética, a alimentação saudável e a espiritualidade.

"As relações com a família e os amigos podem influenciar mais do que a genética", diz Márcia de Lucca, estudiosa e praticante de ioga, meditação e ayurveda, no livro Filosofia de Bem Viver: Como mudar a vida sem mudar de vida (Fontanar), escrito em parceria com Lúcia Barros. Outro estudo realizado pela Harvard Medical School, nos EUA, mostra que quanto mais amigos as pessoas têm menores são as chances de desenvolver limitações físicas com a idade e maiores as chances de viver uma vida agradável.

"Os resultados foram tão significativos que o fato de não ter um amigo realmente próximo ou confidente foi considerado tão problemático para a saúde quanto fumar e ter excesso de peso", diz Márcia. Mas por que o convívio social tem tanta influência sobre a saúde e a longevidade? Segundo os médicos e psicólogos, quem tem bons amigos e relações familiares sólidas se alimenta melhor, tende a beber e a fumar menos, visita o médico com mais regularidade, pratica mais exercícios e tem mais apoio para atravessar períodos difíceis. "Tudo isso exerce um impacto poderoso sobre a autoestima e o senso de pertencer a uma comunidade, o que, por sua vez, reforça todos os comportamentos positivos num ciclo virtuoso que soma mais anos possíveis", comenta. 

Ocitocina, o hormônio da amizade

Um estudo publicado pela Universidade de Los Angeles, Califórnia (EUA), indica que a amizade entre mulheres é verdadeiramente especial. A investigação, denominada Female Responses to Stress: Tend and Befriend, not Fight or Flight, indica que essas amizades dão forma ao que somos e a pessoa que nos tornamos. Os laços de amizade acalmam nosso mundo interior conturbado, preenchendo os vazios emocionais e nos ajudando a lembrar quem realmente somos.

E fazem muito mais. Hoje, se suspeita no campo científico que o tempo que as mulheres passam com as amigas pode realmente compensar o tipo de estresse vivenciado diariamente. O estudo sugere que as mulheres reagem ao estresse com uma cascata de substâncias químicas cerebrais que permitem estabelecer e manter relações com outras mulheres. "É um achado surpreendente que revolucionou cinco décadas de pesquisas de estresse feito principalmente com os homens.

Até este estudo ser publicado, os cientistas acreditavam que, quando as pessoas experimentam o estresse, gerava uma cascata hormonal que levava a querer ficar e lutar, ou fugir o mais rapidamente possível", explica Laura Cousino Klein, professora adjunta da saúde biocomportamental Universidade Estadual da Pensilvânia e autora do estudo. "É um mecanismo de sobrevivência antigo que desenvolvemos desde os tempos em que os tigres de dentes de sabre nos perseguiam pelo planeta.

Agora, os investigadores suspeitam que as mulheres têm um repertório comportamental mais amplo do que o de lutar ou fugir." Na verdade, diz Laura Klein, parece que quando o hormônio ocitocina é liberado como parte da resposta ao estresse em mulheres, amortece a reação de luta ou de fuga e da motivação. Entretanto, estudos indicam que, quando as mulheres estão envolvidas no cuidado e no fazer amigos, mais ocitocina é liberada, e os contadores de estresse produzem um efeito calmante.

Em 1970, pesquisadores descobriram que os japoneses que haviam migrado para São Fracisco eram ainda mais saudáveis que a população de Tóquio, no Japão. O epidemiologista Michel Marmot passou a estudar essa população, controlando todas as variáveis possíveis. A conclusão para a maior saúde do coração se devia ao fato de que os imigrantes se envolviam ainda mais profundamente com a comunidade em São Francisco do que o japonês médio em seu país de origem.

 

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