Diário da Região

23/02/2017 - 00h23min

Artigo

Pensamento equivocado + sentimento equivocado = corpo doente

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Johnny Torres Marcelle Vecchi é psicoterapeuta comportamental e master practitioner pela Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística
Marcelle Vecchi é psicoterapeuta comportamental e master practitioner pela Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística

Muitos falam da força do "pensamento positivo", como se fosse algo mágico, de fácil acesso e realização igualmente para todos, mas, infelizmente, não é bem assim. Muita gente quer ter pensamentos e sentimentos bons e construtivos, mas não conseguem. Por quê?

Porque, na maioria das vezes, existem "outros pensamentos", formatados de uma maneira na qual o indivíduo acredita ser "a pura verdade", isto é, irrefutável, não há o que pensar, ou fazer, aquele pensamento "ruim" tem vida própria e domina a vida do indivíduo, tomando seus pensamentos e, por conseguinte, seu corpo.

Os pensamentos nascem de experiências, vivências e percepções individuais. Por isso, numa família de cinco filhos, por exemplo, cada filho tem uma forma diferente de ser.

Todos nasceram e foram criados pelos mesmos pais, na mesma casa, na mesma comunidade e, mesmo assim, a individualidade é notória.

Uma mesma experiência vivida por uma pessoa pode ter consequências diferentes para outra. Os dados são coletados e "formatados" de formas diferentes, desta forma, o que pode ser bom para um pode ser ruim para outro.

A psicossomática estuda como os indivíduos pensam e sentem, o que fatalmente irá corresponder numa manifestação física, geralmente numa doença correspondente ao pensamento e sentimento equivocados. Isto quer dizer: que se não houver congruência no que se diz, faz, pensa e sente, o organismo arcará com as consequências.

Por exemplo: se penso que estou sendo injustiçado: sinto esta dor, falo sobre ela, mas não faço nada contra isso, meu organismo terá que se manifestar. A raiva da "não atitude" irá tomar um dos dois caminhos: o ressentimento ou o ódio. Esses sentimentos irão certamente ficar armazenados no inconsciente, mas não irão desaparecer. Poderão até parecer que estão sumidos, mas ainda estarão lá. E se não forem confrontados e trazidos para a consciência irão produzir um sinal concretizado em forma de doença.

Se tratar da doença sem pensar no que a causou, esta doença poderá voltar (recorrências) ou tomar outro caminho, em forma de outras doenças. O grande problema desta questão é que, por ser mais "fácil e barata", as pessoas buscam seus médicos, que tratam a doença, e quando a mente dá sinais de distorções (o paciente chora muito e reclama de sintomas emocionais, como distúrbios de sono), medica-se com um antidepressivo ou ansiolítico ou os dois, mas a "grande causa" ainda estará lá.

Os remédios, em geral, não irão de forma alguma curar um pensamento e um sentimento equivocado, irão apenas tentar desviar a doença ou tentar controlá-la. Nada disso irá adiantar... As doenças do sistema imunológico estão cada vez mais presentes nos dados estatísticos da Organização Mundial da Saúde, que vão desde uma aparentemente inofensiva renite alérgica, tireoidites, diabetes até a maioria dos cânceres.

As doenças que são originalmente hereditárias poderiam não manifestar-se num indivíduo com a mente sã. E para que isso ocorra, voltamos ao tema: pensamento equivocado, sentimento equivocado é igual a corpo doente. Não há como separar a mente do corpo e ambos da alma. Indivíduo quer dizer: ser bio-psico-social, daí a expressão "mens sana in corpore sano".

As doenças psicossomáticas podem se manifestar em diversos sistemas que constituem nosso corpo, como por exemplo gastrointestinal (úlcera, gastrite, retocolite); respiratório (asma, bronquite); cardiovascular (hipertensão, taquicardia, angina); dermatológico (vitiligo, psoríase, dermatite, herpes, urticária, eczema); endócrino e metabólico (diabetes); nervoso (enxaqueca, vertigens); das articulações (artrite, artrose, tendinite, reumatismos).

É comum, nos casos de doenças psicossomáticas, que o paciente enfrente dificuldades no diagnóstico e até insucesso dos tratamentos propostos, gerando uma passagem por vários médicos especialistas em busca da cura ou alívio.

O diferencial mais importante para se considerar uma doença como psicossomática é entender que a causa principal desta descompensação física que aparece no corpo, está dentro do emocional da pessoa, ligada, portanto, à sua mente, aos seus sentimentos, à sua afetividade. E esta variável emocional se torna importante tanto no desencadeamento de um episódio, de uma crise, quanto no aumento e/ou manutenção do sintoma, conforme cada pessoa.

A mente e o corpo formam um sistema único e os mecanismos inconscientes são muito presentes nesta ligação. Por isso é comum a sensação inicial de que os sintomas "vieram de repente", "ou não existir nenhum motivo para que os sintomas aparecessem". É difícil para um paciente com gastrite identificar quais podem ter sido as causas emocionais de desencadeamento de uma nova crise. A ansiedade e a irritabilidade são sentimentos comuns nos quadros psicossomáticos, e há uma tendência a identificar e culpabilizar eventos externos pelo problema, aumentando a sensação de impotência diante das dificuldades.

É importante deixar claro que o corpo também deve ser cuidado com os tratamentos adequados (a pessoa com gastrite deve procurar o médico e realizar exames solicitados, tomar os remédios prescritos, fazer uma dieta alimentar caso seja indicada). O aconselhável é um atendimento psicológico associado, que possibilite auxiliar o sujeito a nomear os sofrimentos que vivencia, para além do real do seu corpo. A importância deste tipo de abordagem nos transtornos psicossomáticos também se deve ao fato romper uma possível evolução crônica do problema, que limite progressivamente a vida social e emocional da pessoa.

 

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