Diário da Região

14/10/2015 - 17h00min

São Paulo

Remoção de navio no Pará paralisa exportação de gado em pé e deve levar 4 meses

São Paulo

A remoção do navio Haidar, que naufragou no porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), com cinco mil bois vivos, deve levar quatro meses. A previsão é da Mammoet Salvage, companhia holandesa contratada pelo armador da embarcação para realizar o serviço. Ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Parsifal de Jesus Pontes, responsável pela autoridade portuária, disse que o resgate é de alta complexidade e que a exportação de gado em pé só deve ser retomada quando o processo estiver em andamento. "Se fosse um navio com carga seca, o prazo provavelmente seria menor. No entanto, a Mammoet nos informou que nenhuma empresa até hoje fez esse tipo de resgate, com cinco mil cabeças de gado dentro de um navio e em um porto fluvial. É um processo muito delicado", explica Pontes. O porto de Vila do Conde não vai parar durante o resgate, o que também dificulta a logística da operação. Casos complicados não são novidade no currículo da Mammoet, que atuou no resgate do Costa Concordia, que adernou em 2012 na região da Toscana, na Itália, e no do submarino nuclear russo Kursk, que afundou no Mar de Barents em 2000. A equipe já trabalha no Haidar desde a segunda-feira (12) e deve começar a drenar o óleo do navio ainda esta semana. Por enquanto, Pontes afirma que os técnicos estudam o caso e planejam a operação. O diretor presidente da CDP afirma que, do ponto de vista técnico, o andamento do resgate não impede novos embarques de bois vivos em Vila do Conde. No entanto, por determinação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), a exportação ficará paralisada enquanto navio e carga permanecerem no local. "A retomada deve ocorrer quando normalizarmos as operações, isto é, quando entrarmos em uma rotina de resgate", afirma. Contudo, Pontes diz que há um componente humano que pode dificultar os embarques e que é difícil precisar. "A comunidade de Barcarena está extremamente incomodada com o caso e, por enquanto, seria impossível passar uma carreta de bois no município", conta. O episódio se agravou no último fim de semana, quando 200 carcaças de bois mortos no naufrágio se desprenderam da barreira de contenção e se espalharam por praias turísticas da região. "Essa imagem causou muito mais estresse social que o naufrágio; foi um extremo incômodo para a comunidade", avalia Pontes. Após o incidente, moradores da região realizaram protestos no porto. Em nota, a Semas afirma que a paralisação é temporária e "visa prevenir qualquer tipo de acidente no local até que sejam providenciados os planos detalhados e a estratégia para descarte com segurança e ambientalmente correta das carcaças de gado, assim como a retirada do navio". A medida praticamente interrompe a exportação de gado em pé no Brasil, já que o Pará responde por mais de 90% do que o Brasil envia para o mercado externo e o porto de Vila do Conde é a principal opção para o escoamento. Na semana passada, o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Gil Reis, disse ao Broadcast que alternativas ao porto "são comercialmente inviáveis". Esta também é a posição do superintendente federal do Ministério da Agricultura no Pará, Josenir Nascimento, para quem as opções são "difíceis de serem operadas". A Minerva Foods deve ser uma das grandes empresas prejudicadas com a situação, pois é líder neste mercado com a Kaiapós, a Boi Branco e a Agroexport. Juntas, as quatro empresas respondem por 98% dos embarques de gado vivo no Brasil. Procurada pelo Broadcast, a Minerva ainda não se posicionou sobre possíveis perdas com a suspensão dos embarques. Destinação dos animais A CDP reservou parte da área portuária, distante do centro de Barcarena, para a destinação final dos bois mortos no naufrágio. O local já foi aprovado pela Semas e deve ser impermeabilizado para abrigar as carcaças. A secretaria informa ter entregue às empresas envolvidas uma notificação "com diretrizes específicas para que o aterramento seja feito de forma segura, com o menor impacto ambiental possível". Mas este não era o plano inicial do comitê de crise, que inclui a CDP, empresas e autoridades municipais, estaduais e federais. Inicialmente, os gestores cogitavam incinerar as carcaças, porém a proposta foi abandonada após se verificar a baixa capacidade instalada no Estado para esta tarefa - apenas dois animais por dia poderiam ser incinerados. Haveria uma alternativa, em Manaus, para dez carcaças por dia. Contudo, o volume também é pouco expressivo. Também se discutiu a possibilidade de usar um terreno da Semas como aterro sanitário, mas a proposta sofreu resistência da população, que protestou quando o despejo teve início e bloqueou o acesso à área.

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