Diário da Região

09/09/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

PhD em bala de coco

Painel de Ideias

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É lógico que cultura não acrescenta sabedoria. Conheço muitos cultos, donos de muita informação, que absolutamente não são sábios. Letrados burros, gente que não consegue enxergar um palmo além do seu universo de teorias e fundamentos. E olha que são pessoas que sofreram para aquilatar o cabedal, estudaram demais, se dedicaram ao extremo, são reconhecidas e condecoradas em suas áreas de especialização, mas suas vidas não passam disso.

Manetas no manejar as graças da vida, deficientes em se deslocar pelas potencialidades do amor. Insensíveis ao imperativo da generosidade. Chochos, ocos, ensimesmados no casulo do prazer suado e solitário de seu currículo espetacular. Acredito que estamos aqui para multiplicar poder de vida ao outro.

Acho o máximo os bons professores. Minha primeira professora foi minha mãe. Eu passava as tardes no quarto onde ela costurava. Com a cartilha Caminho Suave ela me apresentou a pata nada e a onda vai onda vem. Ela sabia muito pouco sobre alfabetização. Quase nada. Teve pouco estudo. Até hoje ela diz que sua letra é feia e não gosta de escrever. Mas o que ela sabia, e muito, era sobre amar. E sobre paciência. Que é um dos frutos do amor.

Ela, na máquina de costura e o rádio ligado nas novelas. Eu, rabiscando a cartilha e cheia de perguntas. Ela, a todo o momento, baixava o som do rádio, olhava para o papel e carinhosamente mentia: ‘que lindo, parabéns!’. E eu acreditava! Penso que é nisso que reside o mistério e a genialidade de quem realmente é mestre na arte da vida. Espalhar o amor com doçura, semear essas mentirinhas de afeto com responsabilidade e gentileza, criar no outro a expectativa de que sim, ele pode aprender, ser, voar, sonhar, alcançar.

Germinar, com atitudes tão simples, o desejo pela intensidade e plenitude e, principalmente, o dom de fazer igual com quem você encontrará vida afora. É o que hoje se costuma dizer ‘círculo virtuoso de boas ações’. Eu prefiro dizer ‘bênçãos hereditárias do amor’. Está em Eclesiastes, o livro da Sabedoria, atribuído ao Rei Salomão, a seguinte bofetada: O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.

E isso me lembra novamente, a minha mãe. Ela tinha uma força nas mãos, impressionante. Quem é da minha idade vai se lembrar de que as mães faziam balas de coco para as festinhas dos aniversários. A habilidade com que ela esticava e rodava no ar e depois batia na mesa aquela massa grudenta me fascinava. Que forte ela era! Quanto orgulho daquela PhD em bala de coco, sempre com uma alegria linda embelezando seu rosto. Porque sabedoria de fato, na lata, na real, de boa mesmo, só é verdadeira se produz e distribui alegria. O resto é bobagem. Aliás, vaidade.

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