Diário da Região

12/07/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

A arte é um direito

Painel de Ideias

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Pelo o que eu me lembro, quando comecei a fazer parte desta coluna, as primeiras ideias que deixei percorrer o painel eram lamentações sobre o abandono escrachado da cultura na cidade. Estava entristecida em relação ao descaso do poder público sobre os direitos dos cidadãos no que diz respeito ao acesso à arte, em relação ao abandono das rédeas de um grande festival de teatro que movimentava, alimentava e preenchia todos anos a cidade. Foi uma época sombria para quem esperava uma luz. Sentia, dois anos atrás, indignação pela falta de respeito de quem não valoriza algo que ressignifica a vida e transforma as pessoas.

Hoje, as indignações são outras e a falta de respeito está ainda maior, dada as proporções drásticas. O Brasil vive sem pão e no circo dos podres poderes. A falta de esperança preenche os olhos de todos, e até naqueles em que esteve sempre presente deixou de ser fio e se diluiu em nada. Os trabalhadores caminham errantes em terras secas sem lei, são como retirantes de uma nação que passa de direitos conquistados por luta e para direitos arrancados por canalhice e poder. Os coronéis voltaram.

Tudo que pode nos salvar da realidade que machuca é nossa imaginação. Só a arte nos atira a um mundo que não nos deixa inférteis, mas que nos rega, nos aduba, nos transforma, nos emociona, nos toca, nos revoluciona. Só a arte nos retira das desigualdades e nos coloca no mesmo patamar, o humano. Somos todos humanos ao assistirmos a uma peça, deliciando-se em cores e sons, ao nos intrigarmos diante de uma obra, ao sentirmos nosso corpo balancear involuntariamente ao som de uma música, ao explodirmos em sensações sem que ninguém veja.

A abertura do Festival Internacional de Teatro (FIT) deste ano, aberta, escancarada ao público, carregando a potência do choque que ressuscita o festival, fez com que eu retornasse à minha humanidade, retornasse a um lugar seguro e comum a todos, ao útero, esperando para abraçar a vida. Deixei as indignações e OS lamentos de lado para esquentar-me em meio a uma grande plateia e à representação simplesmente encantadora que homenageava Suassuna. Pude sentir o corpo relaxar entrando por mais de uma hora em nuvem de sensações, emoções e imaginações.

Vivenciando esses momentos é que insisto: a arte deve ser considerada um direito fundamental. Ela não é refúgio e nem abrigo, é simplesmente lar. Nós precisamos dela para entrarmos em contato com nós mesmos, com o outro e com tudo de forma humanizada. Temos todos o direito de conhecer e saber o belo, o diverso, a profundidade dos bens e dos males, temos todos o direito de refletir, de refinar as emoções, do exercício a compreensão da complexidade do mundo e dos seres. É no momento que temos contato com a arte que nos sentimos parte, que nos sentimos vivos.

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