Diário da Região

14/09/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

A expressividade distinta de Muddy Waters

Painel de Ideias

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A relevância de Muddy Waters para a música transcende as fronteiras do blues. Como afirma o jornalista e crítico musical Peter O. E. Bekker Jr., no livro The Story of the Blues, esse cantor e guitarrista “foi um elo indispensável entre a música do Delta do Mississippi e o desenvolvimento do rock n’ roll”. Quando pensamos na grande frequência com que Waters é citado (e foi revisitado) por roqueiros de alto calibre musical, o argumento de Bekker Jr. ganha substância.

Waters deixou várias gravações que registram sua musicalidade atrabiliária. Nelas, o músico dá voz ao pathos de quem parece cantar a partir da sua própria história e experiência. O canto plangente de Waters é imponente na sua contenção e fineza. Aliadas ao timbre áspero de sua guitarra, audível principalmente em solos tocados no limite da clareza sonora, as inflexões vocais de Waters adicionam uma dramaticidade distinta às suas canções. Exemplos disso são 24 hours, You Can’t Lose What You Ain’t Never Had, Deep Down in Florida, Mean Mistreater, Mean Red Spider e Howlin’ Wolf.

Bekker Jr. afirma que “Muddy teve mais sorte do que muitos recém-chegados na cidade grande; sua reputação como um bluesman competente tinha-o precedido em Chicago por meio de seus amigos, alguns parentes, e outros que o tinham ouvido no Mississippi e se mudado para Chicago primeiro”. Esse asserto, todavia, precisa ser relativizado. Na prática, ele significa apenas que Waters teve um pouco menos de dificuldade para se firmar no cenário musical de Chicago.

Um exemplo dos embaraços financeiros enfrentados por Waters é o fato de que, apesar de seu talento musical irrefragável, durante um bom tempo ele teve de viver fazendo bicos. Quem conta isso é Bekker Jr., comentando que, “durante o dia, Muddy dirigia um caminhão, e à noite aceitava qualquer trabalho com música que encontrasse”. Bekker Jr. também diz que esses eram “shows que pagavam pouco”, e complementa que mesmo depois de Waters se tornar conhecido, “sua carreira passou por inúmeros altos e baixos”.

A relação de Waters com o rock sempre foi musical e contingencial. Uma das maiores bandas de rock da história, por exemplo, foi nomeada a partir de uma canção dele: Rolling Stone (citada por Bekker Jr. em seu livro). De fato, o blues de Waters está na raiz da sonoridade dessa banda britânica, que regravou várias canções desse bluesman, inclusive. Ademais, Bekker Jr. comenta que “Waters normalmente creditava aos Rolling Stones o reavivamento da sua carreira em meados dos anos 1960 por levarem a música dele ao público branco pela primeira vez”.

Waters extraiu das suas vivências inóspitas e adversas uma musicalidade veemente. Sua postura estóica diante das experiências que musicou deu às canções que ele escreveu e/ou regravou a contenção sediciosa (e por vezes licenciosa) que atraiu não só os fãs tradicionais do blues, mas também muitos dos futuros astros do rock.

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