Diário da Região

31/08/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

As transmutações da autoimagem

Painel de Ideias

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‘David Bowie: The Man Who Changed the World’ (2016), de Wim Hendrikse, fala de momentos considerados importantes na carreira desse compositor e cantor. Nesse sentido, o documentário faz bem o mínimo que se espera de produções cinematográficas do gênero sobre artistas influentes.

Do ponto de vista da edição, esse filme não traz surpresas. Ele segue o formato da narrativa documental prototípica, organizando seu material de modo a criar alguma verdade crível sobre a figura do seu protagonista. Para tanto, esse documentário mistura trechos de entrevistas de Bowie com depoimentos de críticos, produtores, jornalistas e/ou pessoas que (con)viveram com ele.

O tema da mudança é central para o filme de Hendrikse, o que já é sugerido pelo ranço hiperbólico do seu título. Apesar desse exagero, o diretor é perspicaz o suficiente para não cair no moralismo pseudo-revolucionário atrelado à essa temática. Hendrikse acerta o tom do relato porque seu filme concentra-se no modo como essas mudanças se constroem esteticamente na arte de Bowie.

O diretor também se esquiva das armadilhas do discurso edificante ao elaborar o tema da mudança no registro do fingimento. Como diz o narrador do documentário, Bowie construiu sua fama por meio da ‘manipulação incessante da sua imagem pública’. E ele o fez, o filme mostra, com muita sagacidade artística e uma percepção singular acerca das idiossincrasias histórico-culturais da época em que escreveu suas canções.

Vemos no documentário que Bowie inseriu no centro de sua produção musical a necessidade de constantemente transmutar sua autoimagem. E o filme deixa claro que o cantor sempre soube capitalizar muito bem essa angústia do público por novidade.

O narrador também explica como Bowie abraçou ‘a versatilidade como poucos o fizeram’, e ‘trouxe a teatralidade para o mundo pop, o que lhe deu uma imagem muito forte’, tanto artística quanto cultural e comercialmente falando. E completa: Bowie ‘pensava muito teatralmente e pensava na apresentação’. Numa das cenas, Bowie declara que buscava ‘criar teatralidade e criar um gênero de realidade paralela mais artificial no palco’. Ele concebia a música como espetáculo sonoro e visual, portanto.

Essas transmutações de si mesmo encenadas por Bowie fizeram dele um músico que, segundo o narrador, ‘intrigava e provocava’. Ele atraia a atenção dos fãs justamente pela indefinição artisticamente calculada que sua imagem passou a representar. É por isso que, para o narrador, Bowie conseguiu ‘reter um certo mistério’ durante sua carreira, aspecto que exerceu forte influência sobre os entusiastas de sua música.

O filme de Hendrikse explora bem a ideia de que Bowie fez da mudança o coração do seu éthos artístico. Ao fazê-lo, o documentário reafirma o talento raro desse artista que soube articular muito bem na sua obra as ideias de versatilidade, inventividade e imprevisibilidade.

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