Diário da Região

20/09/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Senhor, piedade

Painel de Ideias

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É, ainda hoje, tão inaceitável que algumas pessoas ocupem espaços em que pela história foram impedidas de pertencer. Pela sua condição social e financeira, sua cor, sua orientação sexual, sua inabilidade de adaptação a um mundo padronizado, algumas pessoas não podem representar o próximo para aquele que não aceita o que é diferente de si. Talvez por isso incomode tanto que eu escreva algumas palavras nesta coluna, talvez por isso a arte em sua diversidade esteja, mais uma vez, sendo censurada e talvez por isso você não veja travestis circulando pelas ruas a luz do dia.

A caminho de casa depois de um dia de trabalho, quando os últimos raios do sol dão adeus, eu sempre vejo as extravagantes mulheres que caminham em direção a seus pontos no centro da cidade. É o que foi reservado às travestis pela sociedade, a noite e a prostituição. Sei que são cidadãs tão capazes quanto eu, mas sei também o porquê de não estarem em meu ambiente de trabalho, saindo para o descanso como eu, às 18h, serem raras nos locais que frequento e que posso estar normalmente. O homem de bem, o homem de deus, o homem sem pecado não quer ser desagradado com a presença dessas pessoas que ele não considera gente, que ele não considera como o próximo e que, por isso, exclui, segrega, odeia e atira pedras.

Felizmente, no último sábado, tive o prazer de assistir, no Sesc Rio Preto, a peça, ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, um monólogo interpretado por uma travesti. Ver alguém socialmente rejeitado resistindo e ocupando espaços de arte, já é por si só uma grande satisfação, mas a peça me revigorou pelas mensagens emocionantes de amor. A obra se tratava de uma metáfora da história e das parábolas de Jesus, que me levaram a seguinte reflexão: como seria tratado o messias nos dias de hoje? Cheguei à conclusão que sendo homem, mulher ou travesti, Jesus seria mais uma vez crucificado. Massacrado pelos julgamentos de quem não compreende que somos todos iguais e que todos merecemos ser amados, assim como pregava. E tenho também certeza que quem o crucificaria seriam as novas gerações daqueles que se consideram puros, dignos de punir os ímpios, mestres da lei, os fariseus modernos que, assim como antes, ocupam agora cargos de poder, lideram instituições gananciosas, angariam seguidores violentos e crucificam aqueles que atacam as supostas ordens divinas.

Das diversas regressões que esse país vem vivendo politicamente, uma delas é o fundamentalismo religioso. Diz-se que o Brasil é um Estado Laico, mas estamos presos as sentenças das bancadas religiosas e daqueles que se baseiam na palavra de deus para destilar seus preconceitos. A liberdade de mostrar diversas visões e vivências, de fazer arte, de transformar mentes e corações, de viver e de amar está ameaçada. Há uma venda nos cegando e nos enterrando em uma escuridão de hipocrisia, julgamento e ódio. Pelo mínimo que entendo, isso nada tem a ver com deus. Portanto, que mais uma vez eles sejam perdoados, pois, claramente, não sabem o que fazem.

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