Diário da Região

29/07/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Chora, bacon!

Painel de Ideias

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Que segredos ela me revelaria? Eu, que odeio balanças – principalmente as de farmácia – olhei desconfiada para aquelazinha, cheia de mequetrefes, que me aguardava, desafiadora, em tom prata e toda tecnológica, ali no chão. Contei minha idade e altura. Alguém digitou as informações e deu a voz de comando: pode subir. Pisei nela, desajeitada, sem graça, ressabiada.

Pela ficha corrida dos meus últimos anos, as notícias com certeza não seriam as melhores. Com histórico de quem adora um torresmo, pizza, pão com pernil, feijoada, caipirinha e quindim, e de quem vê uma academia só quando passa em frente, de carro, eu já esperava o pior. Não deu outra.

Os resultados da balança de bioimpedância foram um assombro. A chatinha fez um dossiê da minha situação atual (só faltou o extrato bancário). A porcentagem de gordura tá feia; a hidratação, digna do sertão nordestino e, o índice de massa muscular, piada de mau gosto. E, pra arrematar, a idade do meu corpinho não condiz com a idade cronológica. Segundo ela, sou mais velha, metabolicamente dizendo. Ora, ora, ora, o que eu faço agora, dona balança? Muda de vida, uai, foi o que ela respondeu, insuportavelmente lúcida e cheia de razão. E, lá fui eu tentar sair da enrascada.

Estou igual ao governo: aumentando impostos, cortando na carne (do povo, lógico), pra resolver a dívida provocada pelos anos de farra e de lambança com os gastos públicos. Reeducação alimentar, muito mais ingestão de água (menos Coca Zero) e, depois de muita resistência e desencontros, as pazes com os exercícios físicos e as caminhadas. É assim que me encontro: na luta pra pagar as dívidas com o corpo. E, enquanto me estrebucho na esteira, no resgate de um IMC (Índice de Massa Corporal) menos vergonhoso, penso em quantas coisas se perdem na vida. Penso, principalmente, em quantas coisas a gente, displicentemente, deixa que se percam. Afetos, amor-próprio, paz, saúde, disciplina, respeito, amizades. Sanidade, confiança, dinheiro, vergonha, alegria, fé, amores, sossego. Simplicidade, esperança, coragem, força, garra, ânimo. E o tempo. Esse é o que mais a gente perde na vida.

Relicário sagrado, divino, que determina e limita nossa existência. E dele fazemos tão pouco caso, tão pouca conta. Praticamos contra o tempo desperdícios criminosos, crueldades típicas da ingratidão humana, como que despercebidos de nossa condição finita. Arrastamos segundos, minutos, horas, dias e anos em tentativas vãs, estradas infelizes, atitudes destruidoras, pensamentos prisioneiros, mágoas represadas. Mas o tempo, senhor da razão, nos espreita e traz a conta. Eita que ela sempre chega, e às vezes, é sofrida, barra pesada mesmo. Eu, por exemplo, literalmente, estou dando meus pulos pra acertar a conta com a balança de nome chique. Tá difícil. Chora, bacon!

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