Diário da Região

22/06/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Duke Ellington, entre o individual e o coletivo

Painel de Ideias

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“A orquestra de Ellington é a história da orquestra de jazz”, afirmam Berendt e Huesmann em “O Livro do Jazz”, explicando que “uma das melhores qualidades de Ellington era a forma com que ele transmitia aos músicos suas ideias, deixando em cada um a impressão de ser, como compositor, apenas um meio para o desenvolvimento daquilo que era inato e latente em cada músico.”

Berendt e Huesmann enfatizam que “a orquestra de Ellington é um entrançado complexo de elementos musicais e espirituais. Certamente, o que se ouve é a música de Ellington, mas, com ela, a música de cada um dos integrantes do conjunto.” Nesse sentido, sua música é uma síntese entre a composição entendida como a expressão do espírito criador do artista e a interpretação vista como forma de construir uma obra orgânica porque coletiva.

Essa dinâmica é recorrente na música de Ellington. Ela é audível, principalmente, em seus discos gravados ao vivo, como “Ellington at Newport” (1956) e “Live at the Blue Note Club” (1959). Um ponto que chama a atenção nesses e nos outros álbuns de Ellington é que os músicos não apenas executam mecanicamente as notas mortas escritas numa partitura. Sua orquestra é original porque seus membros constroem um ambiente de criação e recriação espontâneas de frases e motivos a cada novo grupo de compassos. Isso gera uma atmosfera refinada de interlocução entre os músicos.

Essa visão musical de Ellington leva Berendt e Huesmann a afirmarem que ele “não compunha para instrumentos, mas para personalidades.” De fato, a capacidade de cada um dos músicos da orquestra de incrementar temas e improvisar solos criativos nunca saiu do horizonte de percepção do compositor. Nesse sentido, completam Berendt e Huesmann, “desde Ellington, a autêntica composição de jazz precisa constituir um diálogo entre o compositor e os instrumentistas.” Sob esse ângulo, suas orquestras sempre foram grandes escolas de jazz.

Tocar com Ellington deveria ser mesmo uma profunda experiência formadora. Seus discos mostram que ele instigava os músicos a pensarem o improviso como composição em tempo real e conjunta, criando, assim, um contexto de franca partilha de ideias musicais. Nesse sentido, sua orquestra é revolucionária também por questionar, no seu “modus operandi”, a estandardização aniquiladora de individualidades, padronização que é um valor ideológico central da sociedade ainda escrava de noções tecnicistas de eficiência e produtivismo, e presa fácil da tagarelice pseudo-unificadora.

Se “a orquestra de Ellington soava como uma única voz e, ao mesmo tempo, era um instrumento de individualidades”, como dizem Berendt e Huesmann, isso era devido à presença, em seu interior, de uma dialética viva entre individualidade e coletividade. A música de Ellington é marcada tanto por um forte senso de empatia quanto pela constante tensão criativa entre o particular e o todo.

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