Diário da Região

30/05/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Uma fábula. E a moral?

Painel de Ideias

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Sovina, muquirana, pão-duro, muxiba. Termos usados para definir o avarento, pessoa de apego sórdido, desmedido e doentio aos bens materiais. No contexto brasileiro, marcado pelos descalabros que a operação Lava Jato descortina, o desejo de posses ajuda a entender os desvios de parte significativa da população. Infelizmente, Balzac estava certo quando escreveu “O Pai Goriot”, retrato da sociedade parisiense do século 19 tão ilustrativo do Brasil contemporâneo: pessoas mesquinhas, apequenadas em virtude e em moral, tomadas pela idolatria ao dinheiro, real protagonista de suas vidas nefandas. De um lado, a miséria fustiga a população. De outro, tão poucos acumulam fortunas, inquéritos, delações e máscaras. Quão cínica uma sociedade pode ser?

Conhecemos bem a rotina do trabalho incansável. Sabemos o quanto é difícil poupar, ajustando as contas do orçamento entre escola, moradia, transporte, visitas ao dentista. E tem a pia que vaza, a telha caída, a revisão do carro. Parcelas do telefone, da televisão, dos impostos. Um débito na farmácia, outro no açougue. Como fazer uma provisão de renda para o futuro em épocas de arrocho salarial, de recessão, de aumento no custo de vida? Feito formigas, levamos os dias na dura labuta em busca da sobrevivência. E nem sempre alcançamos um estoque confiável para tempos de escassez. Para que tanto trabalho se é tão curta a vida para tão longos débitos?

Conhecemos bem a rotina do acúmulo e da avareza. Sobretudo para quem rouba, desvia, usurpa direitos da classe operária, sonegando impostos, favores e afetos. O ato de juntar bens (dinheiro nas malas, nas contas numeradas, nas cuecas recheadas de dólares, reais, euros) apodera-se da vontade de quem é pequeno de espírito e grandioso na capacidade de se apegar ao materialismo. Caricaturas do personagem Tio Patinhas, muitos juntam moedas, verbas, propinas, esquecendo-se do altruísmo. Políticos, empresários e falsos profetas compõem o estereótipo do avarento: amealham fortuna, mas não conhecem o amor, compram. Não têm amigos, compram. Não têm aliados, compram cúmplices. E sempre há a delação premiada, o divórcio, a traição. Para que tanto acúmulo se é tão curta a vida para tão infindo saldo?

Desejosas de acumular alimento necessário para o período de escassez, as formigas passavam os dias num indo-e-vindo infinito em busca de provisões. Enquanto isso, a cigarra cantava. E o inverno chegou. A cigarra pediu ajuda às vizinhas formigas. O que fazer: acolher ou não a cigarra moribunda? E você? Acumula riqueza ou valores? Vivencia experiências ou crimes? Consegue o equilíbrio tão desejado pelos virtuosos? O pródigo tudo gasta, o avaro acumula. Há um pouco de formiga, de cigarra e de Balzac em nosso cotidiano. Abrir a porta? Ignorar o pedido de ajuda? A usura dessa gente estúpida e hipócrita é infinda. A farsa do trabalho incansável também. Nem todos terão estoque para o dia de amanhã. E outros poucos com estoque para mil vidas.

 

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