Diário da Região

19/02/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Sob o mandato de cidadão

Painel de Ideias

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Os colunistas sociais, na perdulária generosidade de sua adjetivação, costumavam defini-lo como “inspirado poeta e brilhante causídico rio-pretense”. À parte o temor servil que quase todo mundo devotava àquele homenzinho irascível, visto quase sempre sob um pequeno chapéu Fedora que o ajudava a proteger-se do sol, o advogado Gabriel Cesário Cury nunca abdicou da prerrogativa de ser uma das figuras mais marcantes e indispensáveis da Rio Preto do século 20.

Salvo por uma fugaz passagem como vereador, nos anos 1960, jamais ocupou cargos públicos, mas - como que para nos ensinar que a prática da cidadania independe de mandatos - influenciou como poucos os centros de decisão política da cidade.

Aí por 1967, inconformado com os polpudos salários que a Câmara Municipal pagava aos vereadores, tornou-se o autor da primeira ação popular da história do município. Após uma encrespada batalha judicial contra interesses óbvios, conseguiu que todos os subsídios recebidos indevidamente fossem devolvidos aos cofres públicos.

Durante o primeiro mandato do prefeito Adail Vetorazo, quando as então “assessorias municipais” começaram a ser transformadas em “secretarias”, iniciou um barulhento movimento contra o que considerava uma elevação injustificada dos gastos públicos. Pela via de uma nova ação popular - um recurso jurídico que permite a qualquer cidadão pleitear a anulação de atos lesivos ao patrimônio público - obrigou o prefeito a voltar atrás, montado no argumento de que a cidade, então com pouco mais de 120 mil habitantes, ainda não tinha porte para a tal transformação administrativa.

Ao longo da arrastada pendenga judicial em torno do assunto, Cury foi pelo menos uma vez fazer a defesa de sua ação no Tribunal de Justiça em São Paulo. Diante do olhar embasbacado do prefeito Vetorazo e do jornalista Emerson Sumariva, que esperavam um final favorável aos planos da administração, desfiou um comprido discurso contra a medida, relacionando a criação das secretarias municipais com uma série de gastos desnecessários. Citou a compra de um grande número de aparelhos de ar-condicionado e a contratação de jovens secretárias para atender os respectivos gabinetes - “mocinhas sem função que estão lá para desfilar de minissaia”.

A aparente sisudez era permanente e transbordava para pequenas coisas do dia a dia. Como na ocasião em que entrou na padaria “A Delícia”, que funcionava em um prédio pertencente a sua família e cuja locação era administrada pelo seu escritório de advocacia. Pediu um copo d’água e, desatento, virou-se para sair. Ouviu do outro lado do balcão, em bom sotaque lusitano:

- Doutor Gabriel... São 20 centavos.

O português recebeu um cheque desse valor e uma ordem de despejo.

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