Diário da Região

23/02/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Filmes do Oscar

Painel de Ideias

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O homem é um animal demolidor. E, nos próximos dias, quererá demolir a cerimônia do Oscar, um dos eventos mais vistos e noticiados do planeta. Jogará abaixo desde as tranças da atriz principal às gafes do tradutor simultâneo na TV. E, certamente por isso, a dissecar os humanos em seus símbolos elementares, um dos assuntos prediletos do cinema são as demolições de seres e prédios em estrondos espetaculares, apocalípticos, dizimadores.

Haverá frenesis de palpites sobre os filmes e quesitos a serem premiados, na competição meio tonta de quem é mais inteligente e acerta mais. E, olha, neste ano o páreo é duro. Há os que consideram uma barbada apostar no La La Land, concebido por Damien Chazelle, o mesmo do aplaudido Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014). Mas, apaixonado por musicais, inda prefiro os clássicos da Metro e o arrebatador Chicago (2002), dirigido e coreografado por Rob Marshall. Ademais, há sempre a sombra francesa de Os Guarda-chuvas do Amor (1964), de Jacques Demy, com partituras de Michel Legrand, a emocionar até machões.

Os que se derretem por marcianos virtuosos (como o ET, 1982, de Spielberg), apostarão em A Chegada, do francês-canadense Denis Villeneuve. Afinal são alienígenas evoluídos, sem ganas de nos demolir. Cinebiografias dão ilusão de que é tudo verdade. Neste ano são três, com a inclusão de fotos dos “personagens reais” nas últimas cenas: Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi, Até o Último Homem, de Mel Gibson, e Lion - Uma Jornada para Casa, de Garth Davis. Bem lindos. O primeiro, na onda dos filmes étnicos, relembra a segregação racial dos anos 60 e apresenta cientistas negras que, fazendo cálculos além dos números, foram colaboradoras do pouso na lua. Também em tons heroicos, Gibson nos mostra um enfermeiro em meio a batalhas da Segunda Guerra, que salvou muitos soldados e cujo único escudo é a fé. Teima em que, no horror das lutas, o essencial é amparar; quando tudo se demole, ele constrói.

Muitos gostam do poético Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins, ou do teatral Um Limite entre Nós, do ator-diretor Denzel Washington. Outros admiram A Qualquer Custo, de David Mackenzie, sobre as cruezas brancas nos confins do Texas. Se o cinema dos EUA costuma dizer que o mundo começa na América, expõe com naturalidade suas distopias, misérias e atrasos sociais. Porém gente, pura gente, está em Manchester à Beira Mar. Num clima úmido, nevoento, o diretor Kenneth Lonergan nos leva a um navegar impressionista pelos enigmas da alma. É narrativa primorosa, delicada, feita para os vividos. Nessa linha sensível e a vagar por dentro de nós, elejo como o melhor estrangeiro Um Homem Chamado Ove, do sueco Hannes Holm. Na arte de contar histórias, são filmes-divã a sussurrarem que, antes de demolirmos o de fora, impiedosos, arrebentamo-nos por dentro.

 

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